terça-feira, 11 de novembro de 2008

Aniversário da Passa Disco

No Recife, muito das melhores produções musicais do Brasil em CD (e, em alguns casos, DVD) passa pela Passa Disco.

É onde tenho me atualizado com a música pernambucana, de Siba à Nação Zumbi, de Lula Queiroga a Lia de Itamaracá, de Silvério Pessoa e Cascabulho a Maciel Melo - isso para citar as aquisições mais recentes, além do Labiata de Lenine.

É onde vou lançar Cabelos de Sansão no próximo dia 27.

Falarei mais a respeito em outro momento. Agora o toque é o aniversário de 5 anos da Passa Disco, que será comemorado neste dia 12 (quarta-feira) em grande estilo.

Como informa Fábio Cabral no blog da loja, haverá "show de Arabiando e Herbert Lucena, com participações de Silvério Pessoa, Geraldo Maia, Josildo sá, Gonzaga Leal e Romero Pernambuco. Antônio Lisboa e Edmilson Ferreira comandam a cantoria".

Tudo isso é gratuito, às 19h, no Shopping Sítio da Trindade, onde está instalada a Passa Disco.

Anote o endereço: Estrada do Encanamento, 480, no bairro de Parnamirim.

Espero encontrar você lá.






Tiago Araripe

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Meg Magia, a letra

A pedido de um leitor do Blog, aí está a letra (e ficha técnica) de mais uma faixa de Cabelos de Sansão. A criação gráfica é de Andrea Pedro.

(Clique na imagem para ampliá-la.)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Gelo e silêncio










Diante de silêncios
De gelo
Eu me calo
Pelos cotovelos.


Tiago Araripe

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Cabelos de Sansão no Portal Uai, de Minas Gerais

Antes de ser compositor e cantor, Zeca Baleiro é (bom) ouvinte e colecionador de discos. A ponto de enviar pelo correio CDs importantes para jornalistas com muita vontade de criticar e pouca bagagem musical que encontra pelo país. Um dos álbuns preferidos de sua discoteca pessoal sempre foi o LP de Tiago Araripe, comprado numa loja de Niterói, quando ainda era estudante (e duro), atraído pela estranheza da capa. Agora, ele oferece aos mais jovens a chance de conhecer o trabalho de Araripe, primo menos conhecido da vanguarda paulista, capaz de apresentar a versão de Augusto de Campos para Little wing, de Jimi Hendrix, que vale o disco.

Kiko Ferreira

Seção: Música - 14/10/2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O depoimento de Décio Pignatari

1973 foi um ano em que estive bem chegado à MPB. Até hoje me espanto com o pique e empenho de Tiago na criação de peças tão instigantes a partir daquelas letras que eram mais problemas do que poemas inspiracionais. Gosto muito da composição Teu coração bate, o meu apanha, seguido de Drácula. Já Hipopótamo é um nonsense infantil que nem eu entendo. E 1973 foi o ano da capa do "Todosolhos", do Tom Zé, uma bomba relógio em câmera lenta que explodiria trinta anos depois, graças a David Byrne, Tom e a minha míni-equipe de design. Mas é muito bom ver o Tiago Sansão-Canção emergindo do calabouço!

Décio Pignatari

Curitiba, Fevereiro 2008


(O texto acima foi gentilmente escrito para o material de divulgação de Cabelos de Sansão. As duas composições a que Décio se refere foram feitas a partir de letras dele que me foram apresentadas por Tom Zé. A terceira, que se tornou uma espécie de rumba dançante, me foi apresentada pelo próprio Décio e executada nos primeiros shows do Papa Poluição, em São Paulo. T.A.)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

As impressões de Tetê Espíndola

Nessa época eu era muito amiga da Mônica Araripe, mulher dele. Estávamos sempre juntas e quando ia na casa dela encontrava o Tiago. Lembro que a arte da capa me impressionou, aquela viagem sideral... Pra mim ele sempre foi muito misterioso, charmoso e sua voz com aquele sotaque diferente. Lembro que esse LP na época foi um acontecimento, fazia parte da vanguarda que pairava no Lira Paulistana. O som muito bem produzido com colagens me trazia a lembrança dos Beatles e Janis Joplin. Na época essas colagens era o que ligava o trabalho dele ao meu Pássaros na Garganta. Tinha um cheiro de novo, de esperança. Foi muito bom escutar a minha voz bem mixada nesse trabalho. Esse som tão contemporâneo pros dias de hoje ainda me faz arrepiar.

Tetê Espíndola

(O texto acima foi gentilmente escrito para o material de divulgação de Cabelos de Sansão.)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Tiago Araripe, por Tom Zé

Foto: Luana Botelho

Uma arte cuja força sai diretamente dos nervos e persegue a exatidão com obsessiva raiva; transplante em que o dente fica no lugar da flor; ranhura no diamante; se quiser coisa que tal, bipe Tiago Araripe.


Tom Zé


O texto acima foi gentilmente escrito para a divulgação do CD Cabelos de Sansão, a pedido da produção da Saravá Discos.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Com a palavra, José Luiz Penna

Eram anos difíceis, aqueles primeiros dos anos setenta. Ditadura braba. Tinha passado uma temporada repensando a vida. O Hair tinha exaurido o prazer de fazer teatro, e o retorno à música era cada dia mais vital pra mim. Foi quando chegou em casa Tiago Araripe vindo do Crato, via Recife. Devo a ele meu retorno às lides musicais. Aprendi com ele, e ainda aprendo, o prazer pelo lado criativo da vida, através das suas canções e da sua generosidade. Reouvir Tiago é estar mais perto da beleza.

José Luiz Penna

Penna, hoje presidente nacional do Partido Verde, é parceiro musical na faixa Quando a pororoca pegar fogo e formou comigo, Paulo Costa, Xico Carlos, Beto Carrera e Bill Soares o grupo transnordestino Papa Poluição (foto ao lado).

A pedido da produção da Saravá Discos, gentilmente escreveu o texto acima para divulgação de
Cabelos de Sansão.

(T.A.)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Cabelos de Sansão, por Nelson Augusto









Foto: Clarissa Araripe

Nelson Augusto em O Disco da Semana, da Rádio Universitária FM

Tiago Araripe lança Cabelos de Sansão em CD

Na Lira Paulistana, movimento lítero-musical que revelou para a Música Popular Brasileira estrelas do quilate de Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, Arrigo Barnabé e o Grupo Rumo, só para citar algumas, também brilhou o cearense do Crato, Tiago Araripe.

Idealizado primeiramente como teatro no final da década de 70, o Lira Paulistana transformou-se em gravadora, editora, produtora, loja de discos e livros e divulgou também durante os anos 80 os trabalhos de artistas da então chamada Vanguarda Paulista.

Dessa troupe participavam, entre outros o Grupo Rumo, Itamar Assumpção e Banda Isca de Polícia, Premeditando o Breque (Premê), Língua de Trapo, Ná Ozzetti, Susana Salles, Eliete Negreiros, Vânia Bastos, Tetê Espíndola, além do próprio Arrigo Barnabé e Banda Sabor de Veneno, os quais fizeram seus primeiros shows em Sampa, no então Teatro Lira Paulistana.

O álbum Cabelos de Sansão foi lançado em 1982 pelo selo Lira Paulistana, que já havia disponibilizado o então elepê de estréia do Nego Dito Beleléu, Itamar Assumpção. No disco Cabelos de Sansão, Tiago Araripe contou com o auxílio luxuoso de mais de trinta artistas da música como Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, Vânia Bastos, Turcão, Passoca, Dino Vicente (teclados), Mané Silveira (sax), Cláudio Faria (trumpete), Oswaldinho do Acordeon, entre outros.

Acompanho o trabalho dos cantores, compositores e músicos cearenses desde minha adolescência. Se fosse eleger os três discos mais emblemáticos dessa geração que se lançou, escolheria o álbum Meu Corpo, Minha Embalagem, Todo Gasto na Viagem, o qual ficou conhecido como o Pessoal do Ceará de Rodger Rogério, o Alucinação de Belchior, ambos da década de 70, e o Cabelos de Sansão de 1982 do Tiago Araripe.

O LP Pessoal do Ceará com sua capa antológica trazendo uma foto do artesanato de renda de bilro e no encarte fotos, textos sobre os artistas da música envolvidos no projeto e as letras de todas as canções. Já o Alucinação, com suas mensagens contestatórias, estampava em suas artes gráficas internas uma nota de dólar com mensagens criativas sobre o tema. O álbum Cabelos de Sansão, a partir da lendária capa, mostrando uma foto de Tiago Araripe montado num leão numa colagem com uma imagem do espaço sideral, também no encarte e na contracapa revelava criação artística revolucionária para os lançamentos da época.

Esses três discos até hoje, na minha concepção, soam atualíssimos pois trazem uma proposta inovadora tanto de música, quanto das mensagens das letras e suas artes gráficas. E nesse último item, vale salientar que os recursos gráficos da época eram muito precários no que se refere às modernas técnicas dos computadores de hoje. Creio que, se fossem disponibilizados hoje, causariam o mesmo impacto da época do lançamento original.

Nelson Augusto
www.nelsons.com.br

Com o texto acima, o radialista Nelson Augusto abriu a noite de lançamento de Cabelos de Sansão em Fortaleza, no dia 22 de setembro de 2008.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Com a palavra, o produtor do vinil de Cabelos...

Wilson Souto Junior, em foto para a contracapa de Cabelos de Sansão.

“Os criminosos sempre voltam ao local do crime” (Tiago Araripe em Cine Cassino).

Quando eu soube da vontade de a Saravá Discos reeditar o LP Cabelos de Sansão em CD, do muito querido Tiago Araripe, depois de longos 26 anos, logo a melodia-refrão desta canção me veio à memória...

Veio também a imagem do Itamar, o Assumpção, entrando no camarim-escritório do Lira Paulistana, dizendo : "Já sei quem será o segundo lançamento do selo, já sei ... vocês têm que escutar o trabalho do Tiago... você tem que produzir o Tiago Araripe". E como era de costume do Negão, não parou mais, até que marquei um encontro com o Tiago e conheci seu trabalho. Impressionou-me. Eram músicas e letras muito próprias, sem tempo ou espaço definido; rock e poesia concreta, do agreste e urbana. Um lindo desafio...

Daí para o estúdio, foi um tempo curto, ajudado pelos músicos que participaram do trabalho e nada cobraram... as despesas de estúdio, capas , fábricas... Bem, essas, nossas boas bilheterias no teatro cobriram.

Adoro o resultado da produção, sua ousadia e modernidade, a voz doce do Araripe e sua suavidade espacial.

A decisão de passar Cabelos de Sansão ao Zeca Baleiro para reeditá-lo pelo seu selo, tendo eu mesmo uma gravadora ativa - Atração Fonográfica -, veio no momento em que vi seu carinho por esse trabalho, como se em sua companhia, depois de tantas estradas que passei, voltasse com emoção ao local do crime .

P.S.: Tiago, continuo com saudade de te ouvir cantar.

Wilson Souto Junior

(O texto acima foi gentilmente escrito para o material de divulgação de Cabelos de Sansão.)