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terça-feira, 28 de outubro de 2008

As impressões de Tetê Espíndola

Nessa época eu era muito amiga da Mônica Araripe, mulher dele. Estávamos sempre juntas e quando ia na casa dela encontrava o Tiago. Lembro que a arte da capa me impressionou, aquela viagem sideral... Pra mim ele sempre foi muito misterioso, charmoso e sua voz com aquele sotaque diferente. Lembro que esse LP na época foi um acontecimento, fazia parte da vanguarda que pairava no Lira Paulistana. O som muito bem produzido com colagens me trazia a lembrança dos Beatles e Janis Joplin. Na época essas colagens era o que ligava o trabalho dele ao meu Pássaros na Garganta. Tinha um cheiro de novo, de esperança. Foi muito bom escutar a minha voz bem mixada nesse trabalho. Esse som tão contemporâneo pros dias de hoje ainda me faz arrepiar.

Tetê Espíndola

(O texto acima foi gentilmente escrito para o material de divulgação de Cabelos de Sansão.)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Cabelos de Sansão, por Nelson Augusto









Foto: Clarissa Araripe

Nelson Augusto em O Disco da Semana, da Rádio Universitária FM

Tiago Araripe lança Cabelos de Sansão em CD

Na Lira Paulistana, movimento lítero-musical que revelou para a Música Popular Brasileira estrelas do quilate de Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, Arrigo Barnabé e o Grupo Rumo, só para citar algumas, também brilhou o cearense do Crato, Tiago Araripe.

Idealizado primeiramente como teatro no final da década de 70, o Lira Paulistana transformou-se em gravadora, editora, produtora, loja de discos e livros e divulgou também durante os anos 80 os trabalhos de artistas da então chamada Vanguarda Paulista.

Dessa troupe participavam, entre outros o Grupo Rumo, Itamar Assumpção e Banda Isca de Polícia, Premeditando o Breque (Premê), Língua de Trapo, Ná Ozzetti, Susana Salles, Eliete Negreiros, Vânia Bastos, Tetê Espíndola, além do próprio Arrigo Barnabé e Banda Sabor de Veneno, os quais fizeram seus primeiros shows em Sampa, no então Teatro Lira Paulistana.

O álbum Cabelos de Sansão foi lançado em 1982 pelo selo Lira Paulistana, que já havia disponibilizado o então elepê de estréia do Nego Dito Beleléu, Itamar Assumpção. No disco Cabelos de Sansão, Tiago Araripe contou com o auxílio luxuoso de mais de trinta artistas da música como Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, Vânia Bastos, Turcão, Passoca, Dino Vicente (teclados), Mané Silveira (sax), Cláudio Faria (trumpete), Oswaldinho do Acordeon, entre outros.

Acompanho o trabalho dos cantores, compositores e músicos cearenses desde minha adolescência. Se fosse eleger os três discos mais emblemáticos dessa geração que se lançou, escolheria o álbum Meu Corpo, Minha Embalagem, Todo Gasto na Viagem, o qual ficou conhecido como o Pessoal do Ceará de Rodger Rogério, o Alucinação de Belchior, ambos da década de 70, e o Cabelos de Sansão de 1982 do Tiago Araripe.

O LP Pessoal do Ceará com sua capa antológica trazendo uma foto do artesanato de renda de bilro e no encarte fotos, textos sobre os artistas da música envolvidos no projeto e as letras de todas as canções. Já o Alucinação, com suas mensagens contestatórias, estampava em suas artes gráficas internas uma nota de dólar com mensagens criativas sobre o tema. O álbum Cabelos de Sansão, a partir da lendária capa, mostrando uma foto de Tiago Araripe montado num leão numa colagem com uma imagem do espaço sideral, também no encarte e na contracapa revelava criação artística revolucionária para os lançamentos da época.

Esses três discos até hoje, na minha concepção, soam atualíssimos pois trazem uma proposta inovadora tanto de música, quanto das mensagens das letras e suas artes gráficas. E nesse último item, vale salientar que os recursos gráficos da época eram muito precários no que se refere às modernas técnicas dos computadores de hoje. Creio que, se fossem disponibilizados hoje, causariam o mesmo impacto da época do lançamento original.

Nelson Augusto
www.nelsons.com.br

Com o texto acima, o radialista Nelson Augusto abriu a noite de lançamento de Cabelos de Sansão em Fortaleza, no dia 22 de setembro de 2008.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

O que vem por aí


Enquanto começa a contagem regressiva para o relançamento de Cabelos de Sansão, este Blog antecipa aqui cenas dos próximos capítulos.

Falaremos dos shows do Papa Poluição. Depoimentos a respeito das tantas histórias que vivemos nos palcos e bastidores serão bem-vindos. Novas fotos dos acervos pessoais serão reveladas.

Esta que você vê acima, por exemplo, mostra uma apresentação do grupo no teatro - na época recém-inaugurado - do Sesc Anchieta, em São Paulo. (No click, este que vos tecla, Bill e Penna.) x

As performances do Papa eram movimentadas e divertidas. Melhoravam conforme as adversidades que tínhamos que superar. Uma de nossas mais vibrantes apresentações aconteceu em um pequeno teatro de São Paulo, depois que descobrimos que o público daquela noite se resumia a sete pessoas. Aquilo mexeu com nossos brios. Um de nós bateu no espelho do camarim, que se espatifou. Como uma equipe que entra em campo para uma partida difícil, decidimos que aquele seria um grande show. Entramos em cena com todo gás, como se estivéssemos tocando e cantando para uma multidão. Para aquelas sete pessoas deve ter valido o preço do ingresso. Para o grupo, valeu ter dado o melhor de nós quando teria sido compreensível - e usual em casos semelhantes - simplesmente suspender o espetáculo.

Há também a nossa excursão pelo Nordeste, que é um capítulo à parte. E haverá os depoimentos que a assessoria da Saravá Discos já coletou, de pessoas como Tom Zé, Tetê Espíndola, José Luiz Penna, Vânia Bastos, Augusto de Campos e Décio Pignatari, escritos exclusivamente para o relançamento de Cabelos de Sansão. Todos têm a ver/ouvir com o disco mesmo que indiretamente, como Tom Zé e Décio.

Mas neste Blog o imprevisível também será bem recebido.
Como cantava Johnny Alf em Eu e a brisa: "Que o inesperado faça uma surpresa".

Assim seja.


Tiago Araripe

quarta-feira, 12 de março de 2008

O revisor - 2

Suzana Salles e Ná Ozzetti me indicaram a professora de canto de ambas, Cláudia Mocchi. Durante um ano ela me deu aulas de técnicas vocais no estúdio anexo à sua casa, no bairro de Moema. Mulher notável. Morou na Itália, onde foi soprano no Scala de Milão e teve bem sucedida carreira interrompida por motivos que recheariam um bom romance. Aliás, ela tinha planos de escrever um livro sobre a própria vida. Espero que tenha escrito.

Na época Cláudia Mocchi também ensinava a cantoras como Virgínia Rosa (intérprete da bela canção A flor e a quem fui apresentado quando ela começou a fazer vocais, com Suzana, na Banda Isca de Polícia do Itamar Assumpção) e a cearense Mona Gadelha (que conheci após uma apresentação do Papa Poluição em Fortaleza e reencontrei anos depois em São Paulo).

Entre os revisores da Abril trabalhei também com Gabriella Santini, uma pessoa admirável. Ficamos amigos, e não raro ela estava nos meus shows, com o bom astral que lhe era peculiar. Tinha uma bonita voz, e a convidei para os vocais do disco Cabelos de Sansão. Lembro da emoção da Gabi ao cantar ao lado de intérpretes como Tetê Espíndola, Itamar Assumpção, Vânia Bastos, Passoca... Descanse em paz, Gabriella.

Saí da Editora Abril quando o Chico César estava entrando. Como ter dois revisores músicos logo virou notícia na empresa, fomos imediatamente apresentados. Ainda devo ter, em algum lugar, a fita cassete que o Chico me deu na época. Reúne algumas canções demo que depois seriam gravadas e se tornariam conhecidas no Brasil inteiro, como Béradêro e You Yuri.

Aos revisores, aquele abraço.

Tiago Araripe

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

A volta de Cabelos de Sansão

Paulicéia, anos 80. Um teatrinho em frente à Praça Benedito Calixto torna-se ponto de encontro da chamada vanguada paulistana. Ali se apresentam Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, Premeditando o Breque (hoje Premê), Passoca, Vânia Bastos, Língua de Trapo, Papa Poluição e tantos outros nomes. Ali dou os primeiros passos solo, depois de cinco anos integrando o Papa Poluição. Tenho como banda de apoio o Sexo dos Anjos (Luiz Brasil, Cid Campos, Felipe Avila e Xico Carlos). Naturalmente, o primeiro palco é o Lira Paulistana.

O teatrinho integra um centro de produções independentes que inclui um selo musical, uma editora gráfica e nem-lembro-mais-o-quê. À frente, Wilson Souto Jr., a quem chamávamos carinhosamente de Gordo. O Lira Paulistana havia produzido seu primeiro disco, o ótimo vinil Beleléu, do Itamar Assumpção. Convenci o Wilson de que o meu LP seria o próximo.

Um ano de arranjos, ensaios, arregimentação de músicos, concepção/produção da capa e mais de 300 horas de estúdio depois, eis que é lançado Cabelos de Sansão. Uma proposta ousada para os padrões independentes (sempre achei melhor o termo alternativo) da época: 33 músicos, cada faixa com conceito distinto - em respeito à idéia da composição, master feita nos Estados Unidos, capa com a assinatura do designer gráfico Alexandre Wollner, participações especialíssimas de talentos como Itamar, Tetê, Vânia Bastos, Passoca, Oswaldinho do Acordeon, Tony Ozanah... E um presente: a versão exclusiva feita por Augusto de Campos para a belíssima Little Wing (Asa Linda), de Jimi Hendrix (eu costumava colecionar gravações dessa canção).

Mais de 25 anos depois, graças a Zeca Baleiro e Rossana Decelso, que conduzem o selo Saravá Discos, Cabelos de Sansão voltará à tona em CD histórico remasterizado. O objetivo deste blog é dar vez à trajetória do disco, que pode abrir espaço para outros vôos. Com novas asas.

Aguarde. E nos falemos.


Tiago Araripe