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terça-feira, 28 de outubro de 2008

As impressões de Tetê Espíndola

Nessa época eu era muito amiga da Mônica Araripe, mulher dele. Estávamos sempre juntas e quando ia na casa dela encontrava o Tiago. Lembro que a arte da capa me impressionou, aquela viagem sideral... Pra mim ele sempre foi muito misterioso, charmoso e sua voz com aquele sotaque diferente. Lembro que esse LP na época foi um acontecimento, fazia parte da vanguarda que pairava no Lira Paulistana. O som muito bem produzido com colagens me trazia a lembrança dos Beatles e Janis Joplin. Na época essas colagens era o que ligava o trabalho dele ao meu Pássaros na Garganta. Tinha um cheiro de novo, de esperança. Foi muito bom escutar a minha voz bem mixada nesse trabalho. Esse som tão contemporâneo pros dias de hoje ainda me faz arrepiar.

Tetê Espíndola

(O texto acima foi gentilmente escrito para o material de divulgação de Cabelos de Sansão.)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Cabelos de Sansão no Diário do Pará

Foto (Lançamento de Cabelos de Sansão em Fortaleza): Genilson de Lima

Texto publicado na coluna Feira do Som, de Edgar Augusto:

Conhecemos o disco Os Cabelos de Sansão, do cearense Tiago Araripe, ainda em forma de LP, no ano de 1982. Era um trabalho curioso, a começar da capa. Nela, um cabeludo magro e nu da cintura pra cima aparecia montado num leão. Tudo a ver com o vanguardismo então proposto pelo selo Lira Paulistana, no qual também se enleiravam Augusto de Campos, Tom Zé, Itamar Assunção, Tetê Espindola, Vânia Bastos e até Tony Osanah, dos Beat Boys. Araripe teve, infelizmente, uma carreira curta. Hoje trabalha em Fortaleza, está meio careca e usa óculos. Mas ficou feliz à beça quando soube que Zeca Baleiro, seu fã, queria relançar aquele velho projeto através do selo Saravá – que criou especialmente para resgatar obras importantes e pouco divulgadas do pop nordestino. Os herdeiros da Continental parecem não ter chiado e Os Cabelos de Sansão acaba de voltar ao mercado mostrando um cantor de voz aguda e macia, mas ao mesmo tempo sob intenso clima de sarcasmo, fazendo parcerias com Augusto de Campos (Little Wing, versão da composição de Jimi Hendrix), Jorge Alfredo (Coração Cometa) e José Luis Penna (Quando a Pororoca Pegar Fogo). Também, na marra, colando trechos originais de Strawberry Fields Forever (dos Beatles) em Cine Cassino, e dispondo da farpante guitarra de Luis Brasil em Cabelos de Sansão. Ouçam as faixas pela Feira do Som. Notarão que Araripe passou despercebido de forma injusta. Ele era bom.

Diário do Pará, Caderno D (27.08.2008)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Rolando na Rolling Stone

Tiago Araripe ****
Cabelos de Sansão
Saravá Discos

Original dos anos 80, relançamento traz o cearense que misturava Beatles e baião

LANÇADO ORIGINALMENTE em 1982 pelo Selo Lira Paulistana, o único álbum oficial do artista cearense volta à luz graças aos esforços de Zeca Baleiro. A experiência de Araripe funde Tropicália a Frank Zappa, Luiz Gonzaga a Beatles (se o arranjo de cordas de "Redemoinho" apenas remete a "Eleanor Rigby", um trecho da gravação original de "Strawberry Fields Forever" é sampleado em "Cine Cassino"). Há ainda uma versão em português (assinada pelo concretista Augusto de Campos) para o clássico "Little Wing", de Jimi Hendrix. A base instrumental disso tudo ficou sob os cuidados do grupo Sexo dos Anjos, que então contava com Cid Campos, Felipe Ávila, Luiz Brasil e Xico Carlos. Mas o mais divertido é detectar, nos backingvocais, os timbres peculiares de Itamar Assumpção, Tetê Espíndola e Vânia Bastos. Ainda que produzido em meio a toda essa efervescência criativa da vanguarda paulistana, as referências mais pulsantes de Cabelos de Sansão vêm de Tom Zé, com quem Araripe gravara um compacto simples oito anos antes. Para quem se interessar, o áudio de um show dessa dupla circula no Soulseek.

M.P.

Publicado na edição nº 23, de agosto 2008, da Rolling Stone

domingo, 10 de agosto de 2008

Cordas e tabla, num doce sopro de flauta

Na imagem acima, trecho do encarte de Cabelos de Sansão, criação gráfica de Andrea Pedro.

Redemoinho é uma das canções de que mais gosto em Cabelos. Como diz respeito à solidão, indiquei como referência para o arranjo de Felipe Vagner uma composição dos Beatles que admiro em especial: Eleanor Rigby.

Considero feliz o resultado, mesclando quarteto de cordas com craviola, flauta doce e tabla indiana.

Um leitor deste Blog, provavelmente do Rio de Janeiro, cita a letra da canção num comentário que reproduzo a seguir. Com a palavra, o leitor:

Descobri este album em um sebo no centro do Rio no final dos anos 80. Foi muito ouvido, terei que trocar pelo CD. O cuidado com os arranjos é fora-de-série e a voz é bela. Me marcou em especial a poética e a métrica de algumas canções, em especial uma que falava assim: "eu que me achava forte/a cama é feito um polo norte/sem você". Há verdadeira poesia neste disco.


Leo Rugero

Grato pelas palavras, Leo.

Tiago Araripe

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

À procura de um hit - A

Este é o segundo disco do Papa Poluição, lançado em 1977 pela Top Tape. Um compacto simples gravado como se devia, em 16 canais, com acompanhamento de produção do Michael Sullivan. Sullivan (nome artístico do pernambucado Ivanilton) e o parceiro Paulo Massadas, para quem não sabe, são autores de grandes hits cantados por ninguém menos que artistas como Roberto Carlos, Tim Maia, Xuxa, Angélica, Gal Costa etc. etc. etc. Eu diria que são como uma espécie de Rei Midas da música: o que tocam vira sucesso. Não foi, decididamente, o que aconteceu com o disquinho do Papa. E não vou entrar aqui no mérito (ou desmérito?) da mídia na época, com seus esquemas e jabaculês.

Tua ausência, a canção do lado A, é uma referência direta aos Beatles. Cita inclusive, no arranjo, diversas composições do quarteto de Liverpool.

Tiago Araripe