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domingo, 5 de maio de 2013

Baião de Nós na Carta Capital

Baião de Nós chegando, aos poucos, à imprensa nacional. Agora é Tárik de Souza quem, na edição de 8 de maio de 2013 da revista Carta Capital, comenta o disco.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Repercussão

Para ler estas e outras notícias (inclusive a opinião da crítica especializada), ouvir podcasts de programa de rádio onde o Baião de Nós já circulou e ver a programação de shows, acesse a fan page do disco: https://www.facebook.com/baiaodenos Curta, comente, compartilhe. Você estará ajudando este Baião a ganhar o mundo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Baião de Nós no site Ziriguidum


Tiago Araripe mostra seu universo artístico particular
Compositor pernambucano lança novo trabalho depois de 30 anos
Depois de um hiato de 30 anos o compositor cearense Tiago Araripe lança seu segundo trabalho, Baião de nós. O novo disco, lançado pelo selo Candeeiro Records, tem a obra feita nesse período e produção dividida entre o artista e Zeca Baleiro.

A relação de Tiago com Zeca é a semente desse novo álbum. Fã do disco anterior de Tiago, Zeca relançou o álbum por seu selo Saravá Records em 2008, trazendo de volta o artista para a música. O LP Cabelos de Sansão foi originalmente lançado pelo histórico selo Lira Paulistana na sequencia da estreia de Itamar Assumpção. Antes Tiago Araripe já trazia compactos em sua história, sendo que o primeiro, de 1974, foi dividido com Tom Zé.

Nesse novo trabalho Tiago mostra que sua pena de poeta continua afinada. Logo nos primeiros minutos do disco apresenta versos espertos: "Eu quero saber / A quantas anda você / Se está zen ou deprê / Up to date ou demodée". Segue uma coleção de canções livres e surpresas poéticas. Como em Canção do silêncio: "A menor distância / Entre a palavra e o silêncio / Só o pensamento pode percorrer / Só o pensamento". Ou em No centro do furacão: "Meu coração / Tem semelhança com as bicicletas / Se equilibra quando estou em movimento / Pois é tranquilo / O centro do furacão". Tiago assina parcerias com Paulo Costa e Zeca Baleiro, que também participa da faixa-título.

Assim como São Paulo, Recife - onde vive - também é polo de vanguarda (que o Brasil ainda precisa descobrir). A música de Tiago Araripe junta influências de ritmos populares de sua Crato natal com o ambiente moderno pernambucano da década de 70 e com o cenário artístico paulistano. A Lira de Tiago Araripe é criativa e particular, desde sua música até seu canto. A mistura desse Baião de nós não tem receitas, é preciso provar com ouvidos abertos.




- - Confira a postagem original AQUI

terça-feira, 8 de maio de 2012

Experimentações e um sotaque brasileiríssimo



Texto e fotos do jornalista Augusto Pessoa, feitos com exclusividade para a edição de abril da Revista Continente. O áudio da entrevista feita com Baleiro e Araripe pode ser ouvido aqui.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Primeiras notícias do CD Baião de Nós

Em textos e fotos, o jornalista Augusto Pessoa faz um generoso levantamento da minha trajetória musical entre os discos Cabelos de Sansão e Baião de Nós (a ser lançado este ano). Um intervalo de 30 anos. A matéria completa está na edição de abril da revista Continente. Oportunamente colocarei tudo aqui, enquanto Baião de Nós não tiver seu próprio espaço na internet - o que está sendo providenciado, juntamente com a comunicação visual criada pelo diretor de arte Andre Venâncio.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Cabelos de Sansão, um disco "atemporal e inovador".


Artigos
Lira Paulistana, 30 Anos
Daniel Brazil

Novembro de 79 é o marco histórico de fundação do Lira Paulistana. Beleléu, o disco de estréia de Itamar Assumpção, marcou o início do selo (porque já era um conhecido teatro, espaço cultural, palco de shows e agitos). O porão da Praça Benedito Calixto marcou uma espécie de Renascença da música paulista, abrindo espaço para vários estilos.

Final de ditadura, fim dos movimentos organizados em torno de uma militância estética. O leque se abria, em várias direções. Tinha a música experimental de Arrigo, que nunca tocou no Lira, mas cujo baixista era Itamar. As cantoras Ná Ozetti, Cida Moreira, Vânia Bastos, Eliete Negreiros, Suzana Sales, Neuza Pinheiro, Tetê Espíndola e Virginia Rosa passaram por lá, colorindo ainda mais a paleta de estilos. Tiago Araripe (Cabelos de Sansão) fazia um pós-tropicalismo com uma nova poética, que viria influenciar gente como Zeca Baleiro. Tanto é que o maranhense fez questão de relançar o “Cabelos” em CD, pelo seu Saravá Discos (2009). Aliás, um disco que merece ser (re)descoberto e (re)ouvido, atemporal e inovador.

Tinha o humor escrachado do Língua de Trapo. Tinha o Premê, com um lado musical mais desenvolvido. O grupo Rumo, com um lado mais intelectual de pesquisa musical, seja estudando os antigos, seja construindo uma nova forma de canto falado. O mentor Luiz Tatit, a musa Ná Ozetti, e os talentosos músicos que iriam criar posteriormente os mais consistentes trabalhos na área da música infantil, como Paulo Tatit (Palavra Cantada) e Hélio Ziskind (Meu Pé, Meu Querido Pé).

E teve a viola de Passoca, os sons valeparaibanos do Grupo Paranga, o rock dos primeiros integrantes dos Titãs e UItraje a Rigor. Até o Ira! passou por aquele palco, assim como os Inocentes, pioneiros punk de Sampa. E tinha o instrumental do Pau Brasil, do Nelson Ayres, o piano de Amilson Godoy, o trombonista Bocato, o percussionista Zé Eduardo Nazário, o multi Skowa, os latinos Raíces de America, as cordas do Duofel.

Um dos fundadores do Lira, Riba de Castro, está finalizando um documentário sobre este redemoinho musical que marcou a música dos anos 80 e influencia até hoje um monte de gente pelo Brasil. São dezenas de entrevistas com músicos, produtores, jornalistas, críticos e os ex-sócios da empreitada. Não sei como Riba dará conta de resumir tudo, mas certamente vem aí um dos mais importantes documentos da moderna música popular brasileira. Quem viver, verá. Quem viveu, reverá!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mais uma garimpada na rede

De uma entrevista de Chico César ao jornal O Povo, em 10 de novembro de 2006:

"Tem um disco lindo chamado Cabelos de Sansão, do Tiago Araripe, que já ouvi muito com Zeca Baleiro. Pena que não tenho CD disso, nem sei se saiu, e não posso mais ouvir. Esse disco é uma pedrada, antecipou muita coisa que nós e outros nordestinos faríamos depois. Grande Tiago..."

Graças a Zeca Baleiro, Rossana Decelso e à Saravá Discos, Chico César pôde ter o CD e voltar a ouvir Cabelos de Sansão... Muita gente também.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Catada na rede

Encontrei esta nota por acaso, na internet. Mais um ponto de vista (ou de audição) do disco Cabelos de Sansão.

E mais uma reflexão a respeito do tempo e da transformação...

Quando leio coisas assim/ é como se me visse/ além de mim.

Tiago Araripe

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Montagem brasileira de Hair faz 40 anos



Vídeo: Ingrid Morais

Hair e Cabelos de Sansão: tudo a ver. Há quatro décadas era lançada a montagem brasileira do musical que marcou época para toda uma geração.

Algum tempo depois eu, estudante de arquitetura, morava provisoriamente no Hotel do Parque, Recife, quando a novidade chegou. E, não por acaso, teve como palco o teatro vizinho: o Teatro do Parque, na rua do Hospício. O mesmo da minha futura estreia como compositor e intérprete das canções da peça Armação e do lançamento do grupo performático e multicultural Nuvem 33.

Eu podia ouvir toda a peça do meu quarto de hotel, mas graças ao amigo e ator José Luiz Penna, tinha livre acesso a todos os espetáculos. Após a peça, íamos beber cerveja e conversar no entorno do teatro. Não raro, iam junto outros integrantes do musical - alguns deles (como Neusa Borges, Ricardo Petraglia e o próprio Penna) atores da montagem original da peça.

Numa dessas conversas, Penna, já sabendo que eu fazia as primeiras incursões pela música, me incentivou a ir a São Paulo. Foi o que fiz em seguida, ficando um mês hospedado na casa de Zé Luiz e Rosa. Depois, com mais Paulo Costa e Xico Carlos, formamos o embrião do que viria a ser o grupo "transnordestino" Papa Poluição, consolidado com as adesões do pernambucano Bill Soares e do paulistano Beto Carrera.

Numa data tão marcante, eu não poderia deixar sem registro a lembrança dessa época. A época que eu tinha cabelos...

Tiago Araripe

segunda-feira, 27 de abril de 2009

No Guia da Vila Madalena





Cabelos de Sansão, de Tiago Araripe


Tiago Araripe, que viveu durante muitos na Vila Madalena, se apresentou no dia 10 de março no pequeno palco da Fnac Pinheiros para o lançamento em CD do seu LP Cabelos de Sansão, lançado em 1982. Quando ele ainda morava aqui no bairro, se apresentava regularmente no Teatro Lira Paulistana, local que fez história no cenário musical dos anos 1980 e neste ano completaria 30 anos. Quem se empenhou para tornar realidade o CD foi o cantor Zeca Baleiro que resolveu relançar Cabelos de Sansão pela sua gravadora, a Saravá Discos. Ele fez a apresentação do CD: “Quando escutei o LP do Tiago Araripe, percebi uma sonoridade incomum, de cara prendeu minha atenção, assim como a voz aveludada do cantor”. Zeca Baleiro também participou do show de Tiago Araripe na FNAC.
Os longos cabelos daqueles anos 1980 ainda resistem na capa e Tiago Araripe, hoje mais calvo, mora e trabalha com publicidade em Recife (PE). O show foi uma oportunidade para os amigos e companheiros dos tempos do Teatro Lira Paulistana se encontrarem. Além do show, o lançamento do CD foi uma grande oportunidade para os amigos se reencontrarem depois de algum tempo. José Luiz de França Penna, colaborador do GUIA DA VILA MADALENA, hoje vereador de São Paulo e também parceiro de Tiago Araripe em ‘A Pororoca Vai Pegar Fogo’, o cineasta Hermano Penna entre outros, estiveram presentes no show que teve ‘Asa Linda’ (Little Wing, letra e música original de Jimi Hendrix na versão do poeta Augusto dos Anjos). “É muito importante voltar à São Paulo para lançar este meu trabalho”, afirmou Tiago Araripe.

terça-feira, 31 de março de 2009

Resumo da ópera

Vídeo inédito e novas fotos de pockets shows realizados por Tiago Araripe e convidados para o lançamento do CD Cabelos de Sansão (Saravá Discos).

FORTALEZA

(Vídeo:
Cena 7 Produções Audiovisuais)



RECIFE



CRATO

(Foto: Alemberg Quindins)




SÃO PAULO

(Fotos: Sergio Polignano)



Felipe Vagner, Felipe Avila, Tiago Araripe, Cid Campos, Pedro Cunha.



Tiago e Zeca Baleiro.

sábado, 21 de março de 2009

Papa Poluição na "poeira Zine"

Com o sugestivo conceito de "O melhor da música do melhor dos tempos", a poeira Zine é uma revista paulistana especializada na música pop dos anos 70. Na sua mais recente edição, de fevereiro/março, o editor Bento Araújo abre generoso espaço na seção Arquivo Verde Amarelo para o Papa Poluição. Em duas páginas onde há inclusive citação a este Blog, o jornalista e músico Ayrton Mugnaini Jr. faz um oportuno reconhecimento à contribuição do Papa para a fusão do rock com a música nordestina.

Vale a leitura.




O ROCK NORDESTINO BIODEGRADÁVEL DO PAPA POLUIÇÃO

De todos os artistas que fundiam rock à música nordestina nos anos 1970, o grupo Papa Poluição foi um dos que menos gravaram ou fizeram sucesso – mas se revelou em longo prazo um dos mais influentes, inclusive hoje, trinta anos após sua separação. Esta reportagem resultou de consulta à famosa Fundação Mugnaini e de entrevistas com Tiago Araripe e Bill Soares, dois integrantes do grupo – além dos textos no imperdível blog de Tiago: www.cabelosdesansao.blogspot.com

Ainda vou pleitear um espaço especial na pZ para falar sobre a grande influência da música nordestina no mundo, inclusive sobre o rock, provando mais uma vez minha famosa “teoria do pingue-pongue”: mal o rock surgiu oficialmente em meados dos anos 1950, foi sua vez de influenciar a música nordestina, a partir do “Baião-Rock” gravado por Jair Alves em 1957, passando pela Tropicália e os Novos Baianos e explodindo de vez no começo dos anos 1970 com uma boa leva de artistas arretados, como Lula Côrtes, Belchior, Fagner, Ednardo, Ave Sangria e talvez o mais bem-humorado de todos, o Papa Poluição.

Excelente amostra da presença nordestina no Sul, o Papa Poluição formou-se em São Paulo com os cearenses Tiago Araripe (vocal, violão, composições) e Xico Carlos (bateria), o potiguar José Luiz Penna (vocais, guitarra, composições), o baiano Paulinho Costa (vocais, guitarra e composições; não confundir com o percussionista Paulinho da Costa – se bem que hoje em dia nosso amigo do PP atende por Paulo Costa), o pernambucano Bill Soares (contrabaixo e direção visual) e o paulistano Beto Carrera (guitarra) – todos com queda não só para a música mas também teatro e egressos de outros grupos nordestinos como os pernambucanos A Porta e Nuvem 33, o baiano The Blue Star e os cearenses The Top’s e Os Águias de Barbalha.

Foi em São Paulo que os Papas começaram a aparecer nos grandes meios de comunicação em nível nacional. Em 1970 Penna atuou na primeira montagem do musical Hair! (inclusive no LP da trilha) e participou de um festival da TV Tupi com sua composição “John”. Tiago surgiu para o grande público em 1973 gravando um compacto pela EMI fundindo pop, dixieland (com participação não creditada da Traditional Jazz Band) e letras nonsense, “Os Três Monges” e “Sodoma E Gomorra”; no ano seguinte participou do Festival Abertura da Rede Globo de Televisão com “Drácula”, parceria com o poeta Décio Pignatari e cantada num dos LPs (Abertura – Estas Também Participaram) dedicados ao festival por outro futuro Papa, Paulinho Costa – que participou também com sua composição “Muzenza”, tendo Xico Carlos à bateria. (Ah, sim: Tiago não cantou neste LP, lançado pela RCA, por estar ainda vinculado à EMI.) Paulinho tocou em Paisagem, o LP folk-rock do já veterano mais então ainda um tanto obscuro MPBzeiro Renato Teixeira. E Beto tocou na montagem paulistana do musical Hoje É Dia De Rock da equipe Teatro Ipanema.

Mais que excelente resultado da presença nordestina em Sampa, o PP foi um dos precursores da chamada Vanguarda Paulista dos anos 1980 e um dos responsáveis pela reputação do bairro paulistano da Vila Madalena como grande baluarte da música independente e descompromissada. “Quando eu cheguei [a São Paulo], em 1973, morei no Butantã, mas foi muito pouco tempo”, lembrou Tiago ao Diário do Nordeste. “Depois fiquei na casa do José Luís Penna, próxima à Vila Madalena, na rua Patápio Silva – por sinal, nome de um flautista [grande pioneiro da MPB no começo do século 20]. Era no Sumarezinho, perto da Vila Madalena, onde depois eu aluguei uma casa, que dava pra ir a pé pra casa do Zé Luiz Penna, onde a gente ensaiava no quarto de casal, na época do Papa Poluição. A mulher dele com uma santa paciência... E o Papa contribuiu muito pra essa fama do bairro. Lembro de revistas nacionais, como a Quatro Rodas, que fizeram matérias sobre o [Teatro] Lira Paulistana, colocando como pioneiro desse movimento dos artistas irem pro bairro.

A gente ativou tudo isso. Chegamos a tocar na calçada, o que de certa forma originou aquela Feira da Vila [série de shows na Praça Benedito Calixto, em frente ao Lira]. O José Luís se tornou presidente do Centro Cultural da Vila Madalena; enfim, a coisa começou a ganhar projeção. O Hermano Penna, que dirigiu o [filme] Sargento Getúlio, filme de que nós fizemos a trilha, também tinha um escritório na Vila Madalena, com outros cineastas. Enfim, tinha vários pólos, de várias linguagens, convivendo ali.”

Outra composição de Tiago e Pignatari é “Teu Coração Bate, O Meu Apanha”, gravada por Tiago em dupla com Tom Zé na Continental em 1974 (e com participação de um colega da Continental, o tecladista da banda Moto Perpétuo – ele mesmo, Guilherme Arantes). Foi neste mesmo ano que Tiago e Penna se encontraram e resolveram fundar o grupo Papa Poluição – e em 1976 chegou a vez do Papa se fazer notar. Parodiando a campanha televisiva “Adote Um Atleta”, o PP lançou o show Adote Um Artista, apresentado em escolas, teatros e uma novidade: estações do metrô paulistano. “Os shows tinham uma dinâmica muito forte, a gente saía do palco, brincava com a platéia. Eram performances, uma coisa muito viva”, relembrou Tiago Araripe ao Diário do Nordeste décadas depois. “E tínhamos na platéia pessoas que viriam a ser importantes pra música popular.

Os músicos gostavam de ir assistir, porque os arranjos eram muito inventivos. O Guilherme Arantes costumava ir pros nossos shows, o próprio Belchior cogitava de em algum momento lançar um LP do trabalho com o Papa Poluição. Por algum motivo, a coisa não aconteceu. Quando ele conseguiu [viabilizar], o grupo tinha acabado.” (Vale lembrar que Beto e Bill substituíram dois integrantes originais do PP que mal esquentaram lugar, respectivamente Fausto Aguiar e Dirceu – e que, anos depois, Fausto fez uma participação especial no segundo compacto do grupo.)

No mesmo ano de 1976 o grupo fez a trilha sonora do curta-metragem A Mulher no Cangaço, dirigido por Hermano Penna (primo de José Luiz – assim como Xico Carlos). E também lançou seu primeiro disco, um compacto-duplo pela Chantecler com os rocks-baiões “Rola Coco” (incluindo participação de Osvaldinho do Acordeon), “Brechando nas Gretas” e “Em Nome do Rock” (com citações dos Beatles e jovem guarda) e o balanço latino de “Guerra Fria”. O disco ganhou elogios unânimes de profissionais da comunicação, como o jornalista Wladimir Soares (“com humor e inteligência, o Papa Poluição conseguiu provar que a música pop pode ser feita no Brasil sem buscar originais estrangeiros, o ritmo é nosso e deles”), e o radialista Jacques Kaleidoscópio (“Papa Poluição, um som biodegradável”), e de colegas como o poeta Augusto de Campos (“muito ar livre pra dar a nossa inspiração musical”), Marcus Vinicius (“eu também papo”) e Guilherme Arantes (“eu acho o conjunto a revelação mais espontânea e autêntica de São Paulo nos últimos dez anos”), mas não fez sucesso e o Papa foi dispensado da Chantecler.

Isso não impediu o grupo de marcar 1977 estreando novo show, Mamãe Rádio Não Toca Meu Disco (que o próprio grupo apresentou como “desaconselhável para virtuoses cansados, folcloristas, nostálgicos, FM estéreo, multigravadoras, são-paulinos e araras”) e assinar com a gravadora carioca Top Tape, onde gravou (pelo selo Arco-Íris) seu segundo e último disco, um compacto simples com o rock-balada “Tua Ausência” (trazendo mais citações de Beatles) e a faixa meio-rock-meio-latina “Inferno Da Criação”. O que brecou o Papa Poluição foram problemas de outras ordens – principalmente briga com gravadoras do tipo que são empresas visando lucro, imagine se não fossem.

Estas duas faixas do disco da Top Tape nasceram independentes; o PP as gravou por conta própria no Eldorado, então o maior estúdio do Brasil, aproveitando horas vagas entre uma gravação paga e outra. Subitamente, adentram o estúdio Scarambone (que havia sido tecladista do grupo Renato e Seus Blue Caps durante quase todos os anos 1970 e estava deixando a banda, preferindo seguir carreira como produtor de discos) e outro produtor, veterano e bem-sucedido, Reinaldo Barriga (que trabalhou com Tom Zé e muitos outros). Ambos ouvem a gravação do PP e adoram – não só o resultado musical, como também seu custo praticamente zero. Desataram a prometer ao Papa Poluição mundos e fundos, a começar por um LP na Top Tape. Só que o grupo, pouco disposto a, como se diz, “entrar para o esquemão”, insiste em ir com calma e começar por um compacto para testar o mercado.

Pois bem, a Top Tape lançou o compacto – mas não pagou jabá (sim, isso já existia; aliás, sempre existiu, embora nem sempre com esse nome) às rádios e TVs; coube ao grupo ralar em shows e entrevistas para conseguir um bom espaço em algumas emissoras. “Tua Ausência” começou a fazer sucesso. Mas de repente... o disco obedeceu ao título do show do PP e parou de tocar no rádio. O que aconteceu? Penna relembrou ao blog de Tiago: “Tivemos um trabalho danado para saber o que houve. Não é que a nossa gravadora tinha pedido ao programador da rádio para trocar o nosso espaço, conseguido a duras penas, pelo disco do Stevie Wonder [também do elenco da Top Tape]?” Como resumiu Tiago ao DN: “Descobrimos que a gente conseguia as coisas no
rádio, na TV, e eles vinham por trás e tentavam colocar o cast internacional deles. Ou seja, a própria gravadora tava nos boicotando.” “Aí não deu mais”, continua Penna. “Fomos no dia seguinte, eu e o Tiago Araripe, bem cedo à Top Tape, munidos de bastões, e pichamos todos os cartazes dos astros internacionais com obscenidades. E ficamos esperando funcionários e diretores para recebermos nossa rescisão contratual. Foi um belo escândalo. Enfrentamos a partir daí o colapsototal. As gravadoras determinaram o fim DISCOGRÁFICO do PAPA POLUIÇÃO.” (Ah, sim: a quem interessar, Scarambone ainda vive no Rio de Janeiro e hoje em dia trabalha não com jabá, e sim com mais palatáveis doces e salgados.)

Como se esse enrosco com a gravadora já não fosse bastante, na época, Bill Soares trabalhava como diretor de arte da TV Tupi, a qual entrou na crise que a fecharia em 1980. “Fiquei de cabeça quente e saí do Papa Poluição batendo porta”, recorda Bill. “Me arrependi tanto... E ficou aquele clima de casamento, procurar pêlo em casca de ovo...” O PP ainda seguiu em frente com outro contrabaixista, Cid Campos (filho de Augusto). Mas não passou de 1979, quando gravou uma marcha carnavalesca para um compacto triplo de vários intérpretes, compôs e gravou canções para o filme Sargento Getúlio (também dirigido por Hermano Penna e estrelando Lima Duarte) e participou do último festival da Tupi defendendo “O Grande Circo Universal”, de Thomas Roth em parceria com o saudoso Luís Guedes.

Mas os integrantes do grupo continuaram ativos de uma forma ou outra. Em 1982 Tiago gravou pelo selo Lira Paulistana o LP Cabelos de Sansão, que fez algum sucesso alternativo com faixas como “Estrela do Mar” e “Meg Magia” (e em 2008 foi promovido a CD pelo selo Saravá, do fã Zeca Baleiro), e hoje reside no Recife, trabalhando com música e publicidade. No ano seguinte Penna e Paulinho da Costa gravaram em dupla o compacto “O Macaco Avoa” (alusão aos saltos do bicho de cipó em cipó, dando realmente a impressão de que ele voa pela floresta), incluído na trilha do filme e trazendo gravações antigas do PP. Penna entrou para a política e se deu bem como vereador e presidente nacional do Partido Verde (sim, tudo a ver com o nome Papa Poluição); e uma composição sua da época do PP, “Comentário a Respeito de John”, foi modificada por Belchior e fez muito sucesso nas gravações da cantora Bianca e do próprio Belchior. Paulinho seguiu o verso de “Rola Coco” que fala do “sonho vago de não morrer sem ver Paris”, radicando-se mais ou menos lá perto, em Toulouse, na França, onde já gravou um CD solo (e continua compondo com Tiago, um de seus parceiros de sempre). Xico, após formar com Cid o grupo Sexo dos Anjos, mudou-se para a Bahia e hoje atende por Xico Sá (não confundir com o jornalista homônimo). Bill Soares perdoou a TV Tupi a ponto de trabalhar no departamento de criação visual do SBT, e hoje tem seu estúdio de gravação e publicidade, o Yeah! Estúdio. E Beto Carrera está radicado em Embu das Artes, na Grande São Paulo.


Paulinho da Costa realiza "o sonho vago
de não morrer sem ver Paris".


Trinta anos depois, o Papa Poluição continuou sendo garimpado e bem lembrado, influenciando artistas mais novos como Chico Science e tendo canções aproveitadas em filmes (como “Rola Coco” no longa Cine Tapuia, dirigido por Rosemberg Cariry e com Rodger, ex-Pessoal do Ceará, no papel do Cego Aderaldo) ou regravadas por Belchior e outros. “É bom ver que nosso trabalho não foi em vão”, comenta Bill. Para quase terminar, por enquanto, a pergunta inevitável: haverá volta do Papa Poluição? “No ano passado [2008] Penna me disse ‘vamos fazer!’” De modo que podemos ter esperanças em breve. E, para terminar mesmo, o ideal é a frase que Tiago incluiu no encarte do LP Cabelos de Sansão: “Viva o Papa Poluição!”

Ayrton Mugnaini Jr.


Quem quiser conhecer melhor a iniciativa poeira Zine, experimente um desses link (ou todos):

Site: www.poeirazine.com.br

Sample: http://issuu.com/poeirazine/docs/pz23

My Space: www.myspace.com/poeirazine
Blog: www.poeirazine.blogger.com.br
Video blog: http://poeirazine.wordpress.com


sexta-feira, 20 de março de 2009

Mais cenas do lançamento em São Paulo

Fotos: Sérgio Polignano

Momento do bis: Felipe Vagner, Felipe Avila, Zeca Baleiro, Tiago Araripe, Cid Campos e Pedro Cunha.




Participantes do LP e do CD Cabelos de Sansão: Zeca Baleiro (Saravá Discos), Wilson Souto Júnior (Lira Paulistana), Felipe Vagner (arranjos e flautas), Felipe Avila (Sexo dos Anjos, arranjos, violão, guitarra), Riba de Castro (Lira Paulistana), Suzana Salles, Tiago Araripe, Cid Campos (Papa Poluição, Sexo dos Anjos, arranjos, baixo, craviola), Passoca (vocais) e Sergio Polignano (fotomontagem do leão da capa).

Suzana é uma virtual integrante dos vocais do disco. Só não participou por não estar em São Paulo no período das gravações. Mas às vezes até consigo ouvi-la nos coros.

Hermano Penna (diretor de Sargento Getúlio), Tiago, José Luiz Penna (Papa Poluição e parceiro em Quando a pororoca pegar fogo), Wilson Souto e Riba de Castro.


Reencontro com Beto Carrera (Papa Poluição).

segunda-feira, 16 de março de 2009

Nas ondas do rádio

No click de Sergio Polignano, autor da fotomontagem da capa de Cabelos de Sansão, cena do lançamento do CD da Saravá Discos em São Paulo: Felipe Avila, Tiago Araripe e Zeca Baleiro.

Entrevistas com Tiago Araripe

  • Dia 17 de março, das 13h às 14h, participação no programa Visita Vip, da Rádio USP. Para ouvir, acesse o site www.radio.usp.br

  • A qualquer momento, você pode ouvir aqui o podcast da entrevista feita por Vilmar Bittencourt para o programa RadarCultura, da Rádio Cultura AM.

Um depoimento

Feliz sincronicidade - convergência de acontecimentos simultâneos e naturalmente afins - determinou a recente viagem que fiz a São Paulo.

De um lado, o lançamento do meu disco “Cabelos de Sansão” em versão CD pela Saravá Discos. Do outro, a gravação para o documentário que está sendo produzido tendo em vista o aniversário de 30 anos do nascimento do Lira Paulistana. Na matriz de ambos os eventos, o movimento que impulsionou a música (e a cultura, de forma mais ampla) na Paulicéia do início dos anos 80, deflagrado pelo punhado de idealistas que fundou o Lira: Wilson Souto, Chico Pardal, Plínio Chaves, Fernando Alexandre, Riba de Castro. (”Cabelos” é o segundo disco lançado pelo Lira Paulistana, depois de “Beleléu” de Itamar Assumpção.)

E eis que volto à cena mais de duas décadas depois, como que assistindo a um filme fragmentado de tantas coisas que vivi em São Paulo, onde o capítulo Lira Paulistana é não apenas especial, como parece se reescrever ou reeditar. Reencontrar Riba, Wilson e Chico Pardal no mesmo ambiente em que revi músicos que participaram do “Cabelos de Sansão” - Cid Campos, Felipe Avila, Felipe Vagner, o parceiro José Luiz Penna, Passoca… - foi como voltar no tempo para ver o quanto o Lira estava à frente.

O trabalho de Zeca Baleiro, que redescobriu e relançou “Cabelos”, me soa como um dos sinais virtuais desse Lira que avançou além de sua época e que parece se recriar na Saravá Discos e onde houver indício de alternativas para quem busca trabalhar por uma produção cultural digna e não repetitiva. O Lira Paulistana ergueu pontes e transpôs barreiras geográficas, misturando no mesmo caldeirão de São Paulo artistas de diferentes Estados, variadas tendências e a mesma procura de espaço qualificado para expressar suas respectivas propostas.

O cearense que vos tecla sente-se honrado de fazer parte dessa história.

Tiago Araripe

sexta-feira, 13 de março de 2009

Cenas de um lançamento (São Paulo)



Enquanto aguardava as cenas do pocket show em São Paulo para postagem neste Blog, deparei-me com a edição acima já circulando no YouTube. Coisas da internet.

Aproveito para uma rápida ficha técnica:

Cid Campos - Violão
Felipe Avila - Violão, percussão
Felipe Vagner - Flautas
Pedro Cunha - Piano
Zeca Baleiro - Violão e voz
Tiago Araripe - Voz e violão

Íntegra da programação na FNAC Pinheiros:

- Palavra de Wilson Souto Jr. sobre a edição original de Cabelos de Sansão no contexto do Lira Paulistana.
- Palavra de Zeca Baleiro sobre a versão CD no contexto da Saravá Discos.
- Fios da Light (Tiago Araripe)
- Cabelos de Sansão (Tiago Araripe)
- Redemoinho (Tiago Araripe)
- Estrela-do-mar (Tiago Araripe-Cid Campos)
- Asa Linda (Little Wing, de Jimi Hendrix - Versão: Augusto de Campos)
- Cine Cassino (Tiago Araripe)
- Esfinge (Zeca Baleiro-Tiago Araripe)
- Baião de Nós (Zeca Baleiro-Tiago Araripe)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Making off de um documentário

Enquanto não tenho em mãos os registros do lançamento de Cabelos de Sansão em São Paulo, posto aqui o making off da minha participação no documentário que está sendo dirigido por Riba de Castro para as comemorações de 30 anos do Lira Paulistana.

Para ver a postagem original do vídeo no blog Documentário do Lira Paulistana, clique aqui.

Guia da Semana (09/03/2009)

MPB
Tiago Araripe e Zeca Baleiro



Músico cearense comemora remasterização
de CD com pocket-show na Fnac Pinheiros







EDITORIAL


A Fnac Pinheiros recebe Tiago Araripe e Zeca Baleiro para
o lançamento do CD remasterizado Cabelos de Sansão,
em 10 de março. Lançado em formato LP em 1982,
Cabelos de Sansão foi o primeiro disco solo do músico
cearense, após deixar o grupo Papa Poluição.

O álbum traz canções como Coração Cometa, Cine Cassino,
Fôlego de Sete Gatos, Estrela do Mar, Asa Linda,
Redemoinho, Quando a Pororoca Pegar Fogo, Fios da Light
,
entre outras. Zeca Baleiro participa do pocket-show, já que
o CD de Araripe possui o selo do músico.

Foto: MySpace.com




INFORMAÇÕES


Local: Fnac - Pinheiros (INFORMAÇÕES)
Preço(s): Grátis.
Data(s): 10 de março de 2009.
Horário(s): Terça, 19h.