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sábado, 25 de maio de 2013

Paredes da memória























Mexendo em velhos papéis, encontrei uma pasta com folhetos e cartazes de algumas das minhas primeiras participações em shows, na São Paulo dos anos 70.
Trabalhar com Tom Zé e com os colegas do Papa Poluição: uma escola.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Catada na rede

Encontrei esta nota por acaso, na internet. Mais um ponto de vista (ou de audição) do disco Cabelos de Sansão.

E mais uma reflexão a respeito do tempo e da transformação...

Quando leio coisas assim/ é como se me visse/ além de mim.

Tiago Araripe

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Montagem brasileira de Hair faz 40 anos



Vídeo: Ingrid Morais

Hair e Cabelos de Sansão: tudo a ver. Há quatro décadas era lançada a montagem brasileira do musical que marcou época para toda uma geração.

Algum tempo depois eu, estudante de arquitetura, morava provisoriamente no Hotel do Parque, Recife, quando a novidade chegou. E, não por acaso, teve como palco o teatro vizinho: o Teatro do Parque, na rua do Hospício. O mesmo da minha futura estreia como compositor e intérprete das canções da peça Armação e do lançamento do grupo performático e multicultural Nuvem 33.

Eu podia ouvir toda a peça do meu quarto de hotel, mas graças ao amigo e ator José Luiz Penna, tinha livre acesso a todos os espetáculos. Após a peça, íamos beber cerveja e conversar no entorno do teatro. Não raro, iam junto outros integrantes do musical - alguns deles (como Neusa Borges, Ricardo Petraglia e o próprio Penna) atores da montagem original da peça.

Numa dessas conversas, Penna, já sabendo que eu fazia as primeiras incursões pela música, me incentivou a ir a São Paulo. Foi o que fiz em seguida, ficando um mês hospedado na casa de Zé Luiz e Rosa. Depois, com mais Paulo Costa e Xico Carlos, formamos o embrião do que viria a ser o grupo "transnordestino" Papa Poluição, consolidado com as adesões do pernambucano Bill Soares e do paulistano Beto Carrera.

Numa data tão marcante, eu não poderia deixar sem registro a lembrança dessa época. A época que eu tinha cabelos...

Tiago Araripe

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Um garoto que amava os Beatles e as bandas cabaçais. Por Wilson Bentos.

Tiago Araripe e Zeca Baleiro, em cena do lançamento de Cabelos de Sansão em Fortaleza (22/9/2008).


(Foto: Genilson Lima)


Um dia, no final dos anos 80, o cantor e compositor Zeca Baleiro estava espiando as novidades de uma loja de discos no Rio de Janeiro, quando levou um susto: um velho LP, com um cabeludo nu cavalgando um leão na capa, revelava uma sonoridade inovadora, a fusão de ritmos nordestinos com as experimentações do movimento que ficou conhecido como Lira Paulistana, que tinha nomes como Arrigo Barnabé, Itamar Assunção, Premeditando o Breque e Tetê Espíndola. O tal cabeludo era um cearense chamado Tiago Araripe. Foi amor à primeira vista. Ou melhor: à primeira audição.

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De lá para cá, Zeca não descansou enquanto não encontrou Araripe pessoalmente. Aproveitando a oportunidade de um show em Fortaleza, pediu à produção que localizasse Tiago. O homem que apareceu à sua frente era um respeitável senhor de óculos, muito diferente do cabeludo pelado da capa do disco. Mas a voz doce e suave, que um dia Augusto de Campos comparou ao timbre dos trovadores provençais, continuava a mesma. E o talento de compositor também. Zeca Baleiro e Tiago Araripe tornaram-se parceiros, e tempos depois o músico maranhense resolveu relançar Cabelos de Sansão, o disco que tanto o tinha impressionado.

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“É um disco importantíssimo, embora pouco conhecido”, declarou Zeca em entrevista ao jornal O Povo, de Fortaleza, e que chega às lojas em 2008 pelo selo Saravá Discos, criado por Baleiro para resgatar trabalhos pouco divulgados e que normalmente não se enquadram nos projetos comerciais das grandes gravadoras.

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O relançamento coincide com a série de homenagens aos 50 anos do movimento de poesia concreta e a um de seus expoentes, o poeta e ensaísta Décio Pignatari, um dos parceiros de Tiago, juntamente com os outros líderes do movimento, os irmãos Augusto e Haroldo de Campos. O disco faz desfilar personalidades como Itamar Assunção, Tetê Espíndola, Vânia Bastos, Oswaldinho do Acordeon e o lendário Tony Ozanah (dos Beat Boys, banda que acompanhou Caetano Veloso em Alegria, Alegria no Festival da Record).

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Augusto de Campos, aliás, criou uma versão da música Little Wing, de Jimi Hendrix, especialmente para o disco. A capa é do famoso designer Alexandre Wollner e, fiel ao conteúdo experimental e vanguardista do disco, traz uma foto do cosmos captada em telescópio, contribuição do físico Augusto Damineli.

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No arranjo das músicas o produtor Wilson Souto Jr., idealizador do Lira Paulistana, fez tudo o que pôde para que as idéias vanguardistas do disco fossem executadas à risca. Foram mais de 300 horas de estúdio, que reúnem formações inusitadas como um quarteto de cordas acompanhado por tabla indiana, instrumentos andinos com sanfona nordestina e toda a parafernália do rock eletrônico. Além de uma “participação” dos Beatles, numa colagem sonora de Strawberry Fields Forever.

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UM GAROTO QUE AMAVA OS BEATLES E AS BANDAS CABAÇAIS


Irmãos Aniceto (foto: Pachelly Jamacaru)


Apesar das influências pop que o permeiam, Cabelos de Sansão não esconde a origem nordestina de Tiago. Por trás de todo o experimentalismo com que ousou desafiar o som predominantemente conformista dos anos 80 e de ainda trazer ecos do Tropicalismo, o disco revela um pouco da influência da sonoridade de tradições populares da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, dos reisados e do maneiro-pau.

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Para quem sabe da história, em determinados momentos é possível até mesmo visualizar o menino Tiago na cidade cearense do Crato, onde nasceu, de gravador em punho, registrando o som dos pífanos, triângulos e zabumbas desses grupos a pedido do avô folclorista, que muito o influenciou. Ao mesmo tempo, seu outro avô mantinha, em sua fazenda no sertão do Piauí, um baú cheio de tesouros: discos de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Marinês. O menino Tiago, tímido e curioso, vivia por ali, bebendo daqueles sons.

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Até que um dia, repentinamente, embriagou-se. Um vizinho do Crato, cujo pai tinha uma loja de discos, apareceu com um disco chamado Beatlemania. “Aquilo abriu para mim um novo horizonte de possibilidades musicais” - revela Tiago, que trocou o velho gravador de pilhas do avô por um violão e começou a compor suas próprias canções.

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Mais tarde, já como estudante de arquitetura no Recife, deparou-se com o Tropicalismo e com o som de outros vanguardistas como Frank Zappa e Mothers of Invention e Jimi Hendrix. E misturou tudo com os livros de ficção científica de autores como Kurt Vonnegut Jr. e Isaac Asimov. Isso, segundo ele, o levou a ser conhecido na cidade como um autor de “músicas estranhas” e a formar um grupo chamado “Nuvem 33”, no qual figuravam, além dos músicos, também artistas plásticos e atores.

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Um grupo tão performático estreou, como não poderia deixar de ser, numa peça de teatro. Armação, encenada no palco do Teatro do Parque do Recife, alternava o teatro com a música exótica do Nuvem 33. Embalado, Tiago Araripe compôs as doze músicas do espetáculo em uma semana. E logo depois voltou ao mesmo teatro com o grupo para o espetáculo de estréia da banda, já batizada. Poderia ser um show de música como outro qualquer, mas Tiago e seus amigos, inquietos, fizeram questão de incluir performances como a de um cartunista desenhando ao vivo “comentários” sobre o que ocorria no espetáculo, sendo as imagens projetadas num telão no fundo do palco.

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CRUZANDO A IPIRANGA COM A AVENIDA SÃO JOÃO


Àquela altura a cidade do Recife já era pequena demais para os projetos de Tiago Araripe. Ele ouvira falar de uma certa escola de música dirigida pelo baiano Tom Zé, em São Paulo, e resolveu arribar. Chegou atrasado. Tom Zé já tinha fechado a escola, mas resolveu apostar no jovem cearense de cabelos longos. “Ele tem a capacidade de descobrir o que cada pessoa tem de melhor e de revelar isso”, lembra Tiago que, num dos shows de Tom Zé, surpreendia a si mesmo fazendo um solo de gaita mesmo sem muita intimidade com o instrumento.

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Por intermédio de Tom Zé, Tiago conheceu Pignatari e os irmãos Campos. E foi apresentado à efervescente vanguarda paulistana dos anos 70 e 80. Com Pignatari, compôs Teu Coração Bate, o Meu Apanha (gravada no compacto simples Tom Zé e Tiago Araripe, de 1974), e Drácula, poema convertido num tango futurista pelas mãos do músico cearense e apresentado no Festival Abertura da Rede Globo, de 75. Drácula também virou um videoclipe gravado nos porões do Teatro Municipal de São Paulo e estrelado por Tiago em rede nacional no Fantástico. De Augusto de Campos, ganhou “de presente” a versão de Little Wing que enfeita Cabelos de Sansão.

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No filme Sargento Getúlio, vencedor do Festival de Gramado em 1983, a voz de Tiago Araripe flutua sobre um desempenho inesquecível de Lima Duarte, na trilha sonora criada pelo grupo Papa Poluição, fundado por Tiago e outros músicos nordestinos em 1975. Aliás, o “Papa” ainda tem seus fãs fidelíssimos, que mantêm uma comunidade no Orkut. O grupo, que misturava rock com ritmos nordestinos, gravou pequenos discos, fez shows nos mais diversos espaços de São Paulo e excursionou pelo Nordeste.

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O CD Cabelos de Sansão, o mais novo relançamento Saravá Discos, é o resultado do trabalho de Tiago Araripe pós-Papa Poluição, quando ele iniciou uma fase solo e mais experimental. É um disco histórico porque é o segundo lançado pelo selo Lira Paulistana, logo depois de Beleléu, de Itamar Assunção. Que a música de Tiago Araripe possa enfim ser ouvida pelo público que merece ter.

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Wilson Bentos

Jornalista e publicitário

(O texto acima foi gentilmente escrito para o material de divulgação de Cabelos de Sansão.)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O depoimento de Décio Pignatari

1973 foi um ano em que estive bem chegado à MPB. Até hoje me espanto com o pique e empenho de Tiago na criação de peças tão instigantes a partir daquelas letras que eram mais problemas do que poemas inspiracionais. Gosto muito da composição Teu coração bate, o meu apanha, seguido de Drácula. Já Hipopótamo é um nonsense infantil que nem eu entendo. E 1973 foi o ano da capa do "Todosolhos", do Tom Zé, uma bomba relógio em câmera lenta que explodiria trinta anos depois, graças a David Byrne, Tom e a minha míni-equipe de design. Mas é muito bom ver o Tiago Sansão-Canção emergindo do calabouço!

Décio Pignatari

Curitiba, Fevereiro 2008


(O texto acima foi gentilmente escrito para o material de divulgação de Cabelos de Sansão. As duas composições a que Décio se refere foram feitas a partir de letras dele que me foram apresentadas por Tom Zé. A terceira, que se tornou uma espécie de rumba dançante, me foi apresentada pelo próprio Décio e executada nos primeiros shows do Papa Poluição, em São Paulo. T.A.)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Com a palavra, José Luiz Penna

Eram anos difíceis, aqueles primeiros dos anos setenta. Ditadura braba. Tinha passado uma temporada repensando a vida. O Hair tinha exaurido o prazer de fazer teatro, e o retorno à música era cada dia mais vital pra mim. Foi quando chegou em casa Tiago Araripe vindo do Crato, via Recife. Devo a ele meu retorno às lides musicais. Aprendi com ele, e ainda aprendo, o prazer pelo lado criativo da vida, através das suas canções e da sua generosidade. Reouvir Tiago é estar mais perto da beleza.

José Luiz Penna

Penna, hoje presidente nacional do Partido Verde, é parceiro musical na faixa Quando a pororoca pegar fogo e formou comigo, Paulo Costa, Xico Carlos, Beto Carrera e Bill Soares o grupo transnordestino Papa Poluição (foto ao lado).

A pedido da produção da Saravá Discos, gentilmente escreveu o texto acima para divulgação de
Cabelos de Sansão.

(T.A.)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Cabelos de Sansão na Rádio UOL

Hoje é pouco papo e muito som.

Esta postagem procura reverter o nome de um velho show do Papa Poluição, na segunda metade dos anos 70: Mamãe Rádio não toca meu disco.

Mesmo que a mãe, no caso, seja virtual.

Som na caixa, maestro.

Tiago Araripe

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Olha, "Cabelos de Sansão" chegou!

Por telefone, Zeca Baleiro dá a notícia: o CD Cabelos de Sansão foi, enfim, entregue pela fábrica.

A equipe da Saravá Discos, Baleiro e Rossana Decelso à frente, cuidou do disco nos mínimos detalhes.

Esta semana alguns exemplares chegarão às minhas mãos.

Acompanhe, nas postagens seguintes, as notícias do lançamento, distribuição e repercussão na imprensa.

Este Blog replicará também, no momento adequado, parte do material de divulgação do CD: texto do jornalista e publicitário Wilson Bentos que traça meu perfil, depoimentos de Augusto de Campos, Décio Pignatari, José Luiz Penna, Tetê Espíndola, Tom Zé, Vânia Bastos e Wilson Souto Jr., além do texto que Zeca Baleiro escreveu especificamente para o encarte do disco.


Tiago Araripe

Na foto, flagrante de antecedente de Cabelos de Sansão: o show que deu origem ao grupo Papa Poluição (Colégio Rio Branco, São Paulo). O passado chega, enfim, ao presente.

Na outra imagem, selo criado pela designer gráfica Andrea Pedro para os relançamentos históricos da Saravá Discos.

O novo cabeçalho do Blog é contribuição do diretor de arte cearense Rodrigo Meireles, que o leiautou a partir de elementos da capa do disco. Rodrigo é também autor da foto que ilustra o meu perfil.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Cabelos ao vento

Na foto, o Papa Poluição: mudança de ares... e de baixista.

Até a chegada do LP Cabelos de Sansão às lojas de discos, muitos cabelos voaram ao vento.

Os cabelos revoltos do grupo Nuvem 33, na Recife do início dos anos 70.

Os cabelos compridos do Papa Poluição, na São Paulo da segunda metade da mesma década.

Os cabelos fartos do Sexo dos Anjos, nos anos 80 que apenas principiavam na paulicéia.

Conexões que vêm à tona na forma de depoimentos e imagens, laços que a ação do tempo não rompeu.

E, bem antes disso, as bandas cabaçais, os reizados, o maneiro-pau... A riqueza cultural do Cariri cearense, pleno de cores e sons. Os discos de Luiz Gonzaga, Marinês e Jackson do Pandeiro, contracenando com a música dos Beatles e todo um universo pop que eclodia nas ondas do rádio.

Durante o percurso, Tom Zé, Décio Pignatari, Augusto e Haroldo dos Campos. O Lira Paulistana, com Itamar Assumpção, Grupo Rumo, Premê, Tetê Espíndola, Arrigo Barnabé, Língua de Trapo e tantos outros.

Depois de tudo isso, a história se recicla: Zeca Baleiro descobre o vinil de Cabelos... num sebo do Rio e resolve, com Rossana Decelso, relançar o disco em CD.

Novas histórias estão prestes a começar.

Tiago Araripe

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Cabelos de Sansão, por Felipe Avila

Na foto, a banda Sexo dos Anjos: Luiz Brasil (guitarra), Cid Campos (baixo), Guelo (de boné, percussão), Xico Carlos (bateria) e Felipe Avila (guitarra).


Cabelos de Sansão. Um disco que marcou época em meio a tantos outros trabalhos, de tantos artistas incríveis que vivenciaram aquele momento “mágico” de diversidade artística e cultural, do início da década de 80, no Teatro Lira Paulistana.

Tiago convidou o meu grupo Sexo dos Anjos para participar das gravações e me pediu que fizesse o arranjo da música Cine Cassino. Pra mim, foi um momento muito especial, uma oportunidade para escrever e criar à vontade no meu primeiro arranjo para um disco e para um grande artista.

Escrevi, para a música Cine Cassino, um arranjo para violões, cello, percussão e piano. Uma música misteriosa e muito original.

Conheci Tiago Araripe através do meu amigo Cid Campos, que junto com Tiago e os músicos Zé Luiz Penna, Paulinho Costa, Beto Carrera e Xico Carlos, formavam o grupo Papa Poluição.

Nesta época, morávamos todos na Vila Madalena - um bairro bem localizado que parecia ser uma cidade do interior. Lá tínhamos aluguel barato, fazíamos nossos ensaios nas casas em que morávamos e, depois, íamos tomar cerveja, no fim do dia, no boteco “sujinho”, onde tínhamos conta (rs).

Nossos encontros eram quase que diários e, naturalmente, foi surgindo daí uma grande amizade, com respeito e cumplicidade em nossas idéias, e os trabalhos que plantamos ali vieram a acontecer em diversas oportunidades.

Nessa fase, Cid Campos, Luiz Brasil, Xico Carlos e eu estávamos montando um grupo para estudos e pesquisas, um laboratório de sons onde tocávamos também nossas composições. Precisávamos dar um nome para o grupo que começava a surgir, e foi Tiago quem sugeriu o nome Sexo dos Anjos. Aceitamos na hora!

Quando Tiago Araripe pensou em gravar o trabalho solo dele Cabelos de Sansão, e convidou o grupo Sexo dos Anjos para participar das gravações e dos arranjos, fiquei muito feliz mesmo.

Os ensaios destinados à gravação do disco aconteceram na casa do Luiz Brasil, num clima muito gostoso, onde pudemos compartilhar sugestões e idéias, experimentar e tocar à vontade.

Um disco muito bonito, que marcou época e agora está disponível em CD. Vale a pena ouvir este trabalho tão original, com música de qualidade tão atual.

Felipe Avila

www.felipeavila.com

Observação deste Blog:
A previsão é que o CD Cabelos de Sansão seja entregue pela fábrica no dia 20 de maio. Ou seja: muito em breve estará disponível ao público.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O show do Papa na Emcetur. Por Mona Gadelha.

Na Fortaleza dos anos 70, a gente tinha muita vontade de ser punk. Natural para quem já fazia rock and roll no lendário Teatro de Arena da Credimus, na Avenida Santos Dumont, e nos raríssimos festivais que apareciam numa cidade embalada pelo lirismo do Pessoal do Ceará.

Essa introdução de memória afetiva é para relembrar um dia que jamais esqueci.

Aconteciam poucos shows na cidade. Nossa diversão era circular pelos bares – havia um aonde a gente ia, sem um tostão no bolso, chamado “O Bigode do Meu Tio”, na Aldeota, o outro lado da cidade para mim, que morava no Centro, na Rua Senador Pompeu.

A turma era quase toda do Centro (Siegbert Franklin, Lúcio Ricardo...). O Tui Falcão, sempre animadíssimo, não, era da Aldeota mesmo. E naquele ano – algo entre 1977 e 1979 – a gente sabia que o Papa Poluição (foto), grupo de nosso conterrâneo radicado em São Paulo, Tiago Araripe, iria se apresentar no Teatro da Emcetur.

Na tarde do show fui com o Siegbert a um armarinho comprar alfinetes gigantes para “costurar” uma calça em que ele cabia umas dez vezes. Era o modelito punk para o show do Papa. Eu já estava com meu longo vestido psicodélico, bordado de paetês por minha irmã.

Sentamos todos na primeira fila. E participamos do show com o nosso afã de adolescentes. Conhecemos Tiago, com seus cabelos de Sansão, muito amoroso com seus fãs. Ficamos amigos. E como eu adorava, naquela época, ir ao correio mandar cartas, e mais ainda de receber, começamos nossa história epistolar. Era engraçado receber as belas cartas escritas pelo Tiago com endereço de uma tal rua Wisard, na Vila Madalena, lugares tão distantes para mim na Fortaleza desconectada do mundo.

Hoje ando sempre pela Rua Wisard, onde fica o estúdio 185, do amigo Beto, e no Bar Piratininga, onde toca o Beba Zanetini. Moro em São Paulo. E Tiago em Fortaleza. Fizemos o caminho inverso. A música do Papa era divertida, original, ousada. Certamente aquela noite em que eles se apresentaram no Teatro da Emcetur deve ter influenciado todos nós que começávamos a tocar por puro prazer – e queríamos ser punk.

Saudades de Meg Magia.



Mona Gadelha

Outras vozes - Mona Gadelha

Foto: Francisco Souza

Quando o Papa Poluição se apresentou no Teatro da Emcetur, em Fortaleza (1978), estava na platéia uma jovem cearense que se tornaria vigorosa intérprete do cenário musical brasileiro.

Falo de Mona Gadelha. Considerada"musa dos roqueiros" na Fortaleza dos anos 70/80, Mona foi responsável, ao lado dos cantores Lúcio Ricardo e Siegbert Franklin, pela introdução do rock e do blues no Ceará. O fato é referendado no livro ABZ do Rock Brasileiro, de Marcelo Dolabela. (Também estou na publicação, na letra A de Araripe e na letra P de Papa Poluição.)

Anos depois nos tornaríamos amigos e compartilharíamos a mesma professora de canto em São Paulo, Cláudia Mocchi. Ao mesmo tempo Mona desenvolveria consistente carreira musical, gravando três expressivos CDs: Tudo se Move (Brazilbizz Music, 2004), Cenas & Dramas (Eldorado, 2000) e Mona Gadelha (Movieplay, 1996). Isso além de lançar singles e participar de diversas coletâneas com outros artistas.

No próximo post, você vai ver o texto que Mona escreveu com exclusividade para este Blog. Nele, conta suas impressões sobre o show do Papa Poluição na Terra de Alencar e o contexto musical de Fortaleza à época.

Vale a pena aguardar.


Tiago Araripe

"Cabelos...? Onde?"... "Bem ali!"

















Araripe e Penna:
cena em show
do Papa Poluição.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Xico Carlos em Salvador

A campanha Onde andará Xico Carlos? teve desfecho rápido, embora não muito claro.

Recebi confirmações do que Francis Vale já havia informado: Xico Carlos está mesmo morando em Salvador. Obtive inclusive foto recente dele, que publico acima.

Mas o ex-baterista do Papa Poluição e do grupo Sexo dos Anjos estaria arredio a contatos (ver comentários relativos ao post anterior).

Por quê?

Se alguém puder mandar e-mail ou telefone dele para este Blog, desde já agradeço.

Tiago Araripe

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Onde andará Xico Carlos?

Foto: Xico Carlos, em show do Papa Poluição na Estação São Bento do Metrô (São Paulo).


Este Blog lança, aqui e agora, campanha de utilidade pública para localizar o paradeiro do músico cearense Xico Carlos.

(Quem souber de alguma pista que leve até ele, peço que entre em contato comigo.)

Xico Carlos foi integrante do Papa Poluição desde a primeira hora. Aliás, desde antes e até depois. Participou do meu compacto simples Sodoma e Gomorra. Formou comigo, José Luiz Penna e Paulinho Costa o grupo de apoio de Tom Zé em 1974. Ao longo dos cinco anos de vida do Papa Poluição, foi ponta firme na bateria.

Depois, já com o Sexo dos Anjos, fizemos o show que funcionou como cartão de visita para o meu ingresso no cast do Lira Paulistana. Em seguida, na gravação do disco Cabelos de Sansão, atuou com o grupo nos arranjos de base. Além de contribuir com bateria e percussão em diversas faixas, ele toca o baixo em Asa linda - versão de Augusto de Campos para Little wing, de Jimi Hendrix. Estivemos juntos também nas apresentações de lançamento do Cabelos no Lira.

Músico versátil, sempre demonstrou afiado senso de humor. Ouvi dele tiradas engraçadas. Uma delas comparava duas ruas de São Paulo: uma muito popular, em Pinheiros, e outra sofisticada, no Jardim Paulista. Não se tratava de uma simples comparação. Na maneira de ser de Xico Carlos, soava como um posicionamento de vida:

"Não troco dez Augustas por uma Teodoro Sampaio", afirmou.

Certa ocasão, o Papa Poluição voltava de uma apresentação no interior paulista após exaustiva viagem na kombi Sofia Bundete. Fomos direto para o Teatro João Caetano, na Vila Mariana, onde tocaríamos na mesma noite. O show começou em grande estilo. Efeitos de luz, os músicos entrando displicentemente no palco e criando, aos instrumentos, uma atmosfera sonora de magia e encantamento. Até que disparamos, finalmente, o primeiro número. Eu ao microfone. Cansados e insones que estávamos, foi o primeiro de uma sucessão de erros. Simplesmente não lembrei a letra da música. E olha que costumava cantá-la em muitas outras apresentações. Como recurso desesperado, emendei uma performance desengonçada no palco. Fazia sons com a voz, para suprir a falta da letra. E me contorcia em uma espécie de dança descordenada.

Ao ver a marmota, Xico Carlos não se conteve e gritou: "O filho de Jósio endoidou!"

A partir daí, o show desandou. Quando concluiu, estávamos arrasados. Passada a frustração, só nos restou rir de nós mesmos e dar a volta por cima.

Xico Carlos, cadê você?

Tiago Araripe

terça-feira, 29 de abril de 2008

Meus encontros com o Papa Poluição

Foto: Papa Poluição antes da chegada de Beto Carrera e Bill Soares, em show no Colégio Rio Branco (SP): Paulo, Xico Carlos (bateria), Dirceu, Fausto Aguiar, Tiago e Penna.

Texto: Francis Vale


Nas minhas andanças pelo Crato a partir de 1975, tomei conhecimento da existência de um grupo musical paulista (integrado por alguns cearenses) chamado Papa Poluição.

De nome, eu já conhecia Tiago Araripe (por conta do Festival Abertura e da amizade com seu pai, Jósio, cuja casa tive a honra de freqüentar algumas vezes), e também José Luiz Penna e Xico Carlos ( primo e irmão, respectivamente, de meu amigo José Roberto França).

Como eu já havia produzido, no ano anterior, um show com Abidoral Jamacaru e sua banda, no Teatro da Emcetur, fui procurado para repetir a dose com os rapazes do Papa. Reservei a pauta, espalhei releases e fotos nos jornais, e fiquei aguardando a chegada do grupo.

Alguns dias antes da estréia do show (Mamãe Rádio não toca meu disco), eis que aparece a turma numa kombi. Ao volante, Túlio Penna (de saudosa memória). E mais: Tiago, Zé Luiz, Xico Carlos, Paulinho Costa, Beto e Bill Soares. Eu morava numa espécie de “quarto e sala” na rua Coronel Alves Teixeira, onde tive que hospedar quase todos, pois Tiago ficou na casa do avô que distava poucos quarteirões de nossa “república”.

Para uma banda que não estava na “mídia nacional”, a passagem pela capital cearense pode ser considerada um sucesso, pois despertou a atenção de muitos jovens da época que até hoje devem lembrar da variedade de ritmos, do visual “riponga” e do humor contido em muitas das letras do repertório.

Corria o mês de dezembro, quando aconteceu o show durante três dias. Em seguida, o Papa deixou Fortaleza rumo ao Cariri, onde tinha outras apresentações acertadas. Dias após, fui chamado por Fagner para organizar um show que ele faria numa quadra de esportes em Juazeiro, ao lado de Amelinha, Dominguinhos e Anastácia. Depois dessa apresentação, segui para o Crato com Fagner, Amelinha e Wiron Batista. Ali aconteceu um show da dupla Fagner/Amelinha, também numa quadra de esportes. Ficamos hospedados na casa do advogado e escritor Émerson Lacerda. Dominguinhos e Anastácia seguiram rumo ao Sul e, na estrada, encontraram Afonsinho que seguia com a mulher, Sílvia, e a enteada, Índia, para Fortaleza. Com a informação de que estávamos no Crato, Afonsinho foi juntar-se a nós na casa do Émerson. A partir daí foram armadas as “peladas” que juntaram o pessoal do Papa com Afonsinho, Fagner e outros amigos do Crato, como Abidoral, Pachelly, Dedê, Dadim e Zé Roberto, entre outros. Nesse reencontro caririense com o pessoal do Papa fiquei sabendo que eles tiveram que “animar” até festa dançante.

Da convivência com o grupo, ficou-me a lembrança de dois aspectos bastante positivos: de um lado, a amizade e a solidariedade irrestritas entre eles; de outro lado, a alegria, o bom humor e a simpatia que espalhavam por onde passavam. Posteriormente, em 1979, pude reencontrá-los em São Paulo, num espetáculo no Teatro Oficina, onde fui apresentado por eles ao cineasta Hermano Penna, mais um que passou a fazer parte do meu círculo de amigos até hoje. Sobre Hermano, o Tiago já falou um pouco, mas ainda há muito que se falar mais adiante.

Francis Vale

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Outras vozes - Francis Vale

Como escrevi em outro momento, o apoio de Francis Vale (foto) foi decisivo para a realização da temporada do Papa Poluição em Fortaleza.

Francis é um dos idealizadores (juntamente com Eusélio Oliveira) do Cine Ceará, que no início tinha o nome de Vídeo Mostra Fortaleza e recentemente chegou à 18a. edição como reconhecido festival internacional de cinema e vídeo.

Autor musical e cineasta realizador de diversos curtas, ele é um verdadeiro produtor de cultura. Um dia assisti a um longa em que lá estava fazendo ponta como um coronel.

Admiro pessoas que conseguem desempenhar tantos papéis ao mesmo tempo, principalmente quando isso tem a ver com cultura e arte.

Mais que testemunha visual e auditiva de histórias deste blog, de certa forma ele também as ajudou a escrever. No próximo post, você vai ver um texto exclusivo que Francis teclou sobre o Papa Poluição. Fique de olho.

Tiago Araripe

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Drácula no Fantástico

Dias depois do Festival Abertura (vide post anterior), estava eu pensando que estratégia adotar para poder almoçar quando batem à porta do sobradinho onde eu morava na rua Wizard. Era alguém da produção da Rede Globo. Depois de se identificar, a pessoa disparou: eu aceitaria interpretar a música Drácula no Fantástico?

Parecia algo milagroso, dada a minha condição financeira precaríssima naquele momento. Mas o que me ouvi dizer ao rapaz da Globo surpreendeu a mim mesmo: falei simplesmente que ia pensar no assunto. Daria uma resposta depois. (Eu era muito jovem, muito duro e muito metido a besta.)

Depois do pretenso charme de artista (pobre, mas artista), acertei o cachê e os detalhes da gravação do programa –aliás, receber o pagamento foi dez vezes mais difícil que cantar a música.
Para dar mais fôlego à repercussão do Abertura, a Globo preparou um quadro do Fantástico que mostraria polaridades contrastantes do Festival: a música mais popular do evento (Farofa-fá, interpretada por Mauro Celso) e a considerada mais “maldita” (Drácula, interpretada por mim).

Naturalmente, o nome do parceiro Décio Pignatari deve ter pesado na definição da pauta do programa. Acredito também que a Globo, de alguma forma, estava me dando uma segunda chance depois da minha performance afônica no Festival. Seria uma forma de reabilitar minha imagem de cantor.

Do palco ao porão

Eu e o Mauro Celso gravamos os nossos números nos porões do Teatro Municipal de São Paulo (foto). Por sinal o cenário sombrio se adeqüava mais ao tema de Drácula que ao clima festivo de Farofa-fá.

Daí em diante, Drácula seria uma constante nas apresentações do Papa Poluição: um tango em meio aos rocks, xotes, baiões e maracatus que, traduzidos em linguagem pop, marcaram a diversidade musical do grupo.

Tiago Araripe