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domingo, 5 de outubro de 2008

Tiago Araripe, por Augusto de Campos


Quando o vi cantar Little Wing de Jimi Hendrix, fiz uma versão para ele.


Com sua voz melodiosa, de registro alto, a composição “voou” numa interpretação única, inesquecível, porque não tributária de nada, homenagem criativa ao grande guitarrista americano: Asa Linda. Já era ele próprio compositor de méritos e intérprete ousado de textos raros de Décio Pignatari, Drácula, e Teu Coração Bate, o Meu Apanha.


No LP Cabelos de Sansão, dos tempos heróicos do Lira Paulistana, ele mostra a versatilidade das suas músicas e interpretações com o apoio do grupo instrumental Sexo dos Anjos, cujos arranjos e intervenções inventivas conjugam-se à voz de Tiago para fazer do disco uma preciosidade. Fico feliz de poder reouvi-lo agora, finalmente, em CD. Há de ser uma bem-vinda surpresa para os que não chegaram a conhecê-lo. E que Tiago volte com novas surpresas.


Augusto de Campos


(O texto acima foi gentilmente escrito por Augusto de Campos para o material de divulgação de Cabelos de Sansão.)

terça-feira, 3 de junho de 2008

Contando fios de Cabelos...

Tiago Araripe e Cid Campos (do grupo Sexo dos Anjos), no show de lançamento do LP Cabelos de Sansão (Teatro Lira Paulistana, 1982).


- Um disco. n

- 10 canções.

- 33 músicos.n

- 12 meses de trabalho duro.

- Mais de 300 horas de estúdio.

- Mais de 25 anos até o relançamento.

- Muitas histórias a contar...

n

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Cabelos ao vento

Na foto, o Papa Poluição: mudança de ares... e de baixista.

Até a chegada do LP Cabelos de Sansão às lojas de discos, muitos cabelos voaram ao vento.

Os cabelos revoltos do grupo Nuvem 33, na Recife do início dos anos 70.

Os cabelos compridos do Papa Poluição, na São Paulo da segunda metade da mesma década.

Os cabelos fartos do Sexo dos Anjos, nos anos 80 que apenas principiavam na paulicéia.

Conexões que vêm à tona na forma de depoimentos e imagens, laços que a ação do tempo não rompeu.

E, bem antes disso, as bandas cabaçais, os reizados, o maneiro-pau... A riqueza cultural do Cariri cearense, pleno de cores e sons. Os discos de Luiz Gonzaga, Marinês e Jackson do Pandeiro, contracenando com a música dos Beatles e todo um universo pop que eclodia nas ondas do rádio.

Durante o percurso, Tom Zé, Décio Pignatari, Augusto e Haroldo dos Campos. O Lira Paulistana, com Itamar Assumpção, Grupo Rumo, Premê, Tetê Espíndola, Arrigo Barnabé, Língua de Trapo e tantos outros.

Depois de tudo isso, a história se recicla: Zeca Baleiro descobre o vinil de Cabelos... num sebo do Rio e resolve, com Rossana Decelso, relançar o disco em CD.

Novas histórias estão prestes a começar.

Tiago Araripe

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Cabelos de Sansão, por Felipe Avila

Na foto, a banda Sexo dos Anjos: Luiz Brasil (guitarra), Cid Campos (baixo), Guelo (de boné, percussão), Xico Carlos (bateria) e Felipe Avila (guitarra).


Cabelos de Sansão. Um disco que marcou época em meio a tantos outros trabalhos, de tantos artistas incríveis que vivenciaram aquele momento “mágico” de diversidade artística e cultural, do início da década de 80, no Teatro Lira Paulistana.

Tiago convidou o meu grupo Sexo dos Anjos para participar das gravações e me pediu que fizesse o arranjo da música Cine Cassino. Pra mim, foi um momento muito especial, uma oportunidade para escrever e criar à vontade no meu primeiro arranjo para um disco e para um grande artista.

Escrevi, para a música Cine Cassino, um arranjo para violões, cello, percussão e piano. Uma música misteriosa e muito original.

Conheci Tiago Araripe através do meu amigo Cid Campos, que junto com Tiago e os músicos Zé Luiz Penna, Paulinho Costa, Beto Carrera e Xico Carlos, formavam o grupo Papa Poluição.

Nesta época, morávamos todos na Vila Madalena - um bairro bem localizado que parecia ser uma cidade do interior. Lá tínhamos aluguel barato, fazíamos nossos ensaios nas casas em que morávamos e, depois, íamos tomar cerveja, no fim do dia, no boteco “sujinho”, onde tínhamos conta (rs).

Nossos encontros eram quase que diários e, naturalmente, foi surgindo daí uma grande amizade, com respeito e cumplicidade em nossas idéias, e os trabalhos que plantamos ali vieram a acontecer em diversas oportunidades.

Nessa fase, Cid Campos, Luiz Brasil, Xico Carlos e eu estávamos montando um grupo para estudos e pesquisas, um laboratório de sons onde tocávamos também nossas composições. Precisávamos dar um nome para o grupo que começava a surgir, e foi Tiago quem sugeriu o nome Sexo dos Anjos. Aceitamos na hora!

Quando Tiago Araripe pensou em gravar o trabalho solo dele Cabelos de Sansão, e convidou o grupo Sexo dos Anjos para participar das gravações e dos arranjos, fiquei muito feliz mesmo.

Os ensaios destinados à gravação do disco aconteceram na casa do Luiz Brasil, num clima muito gostoso, onde pudemos compartilhar sugestões e idéias, experimentar e tocar à vontade.

Um disco muito bonito, que marcou época e agora está disponível em CD. Vale a pena ouvir este trabalho tão original, com música de qualidade tão atual.

Felipe Avila

www.felipeavila.com

Observação deste Blog:
A previsão é que o CD Cabelos de Sansão seja entregue pela fábrica no dia 20 de maio. Ou seja: muito em breve estará disponível ao público.

Outras vozes - Felipe Avila

Na longa gestação do LP Cabelos de Sansão, a idéia conceitual do disco teve sabor especial. Consistia, basicamente, na busca da unidade pela diversidade: cada faixa teria tratamento específico, de acordo com o conteúdo da mensagem.

Se o que melhor apoiasse determinada canção fosse um quarteto de cordas com viola e tabla indiana, assim seria feito (caso de Redemoinho). Se a formação ideal fosse de rock ou forró, idem (casos de Meg Magia e Fôlego de 7 gatos).

O resultado é que, para atender a esse princípio, o disco ao final contou com a população de 33 músicos dos mais variados estilos e procedências. Muitos, inclusive, sequer chegaram a se ver durante as gravações.

Havia o risco de tudo parecer um grande balaio de gatos. Felizmente, não foi o que aconteceu.

Para Cine Cassino, eu imaginava um arranjo que pudesse acentuar o clima pouco linear da letra, introduzindo uma atmosfera contemporânea capaz de contrastar com o caráter aparentemente confessional da canção.

Logo pensei em convidar o Felipe Avila (nas fotos, hoje e à época do Sexo dos Anjos) para escrever o arranjo. A escolha se revelou das mais acertadas: ele captou bem o clima da composição, e sua participação resultou em uma instigante peça com piano (Felix Wagner), cello (Ricardo Lemos) e violão (executado pelo próprio arranjador).

Por meio deste Blog, retomei o contato com Felipe depois de anos. Tem sido uma grata surpresa. Recebi dele, pelo correio, uma caixa com três CDs que lançou recentemente: Quase Tudo (Editio Princeps, 2008), Beatles Brasil (Editio Princeps, 2005) e Janela (independente, 2003). Soube também da participação dele em diversos discos. E agora recebo, de Felipe Avila, depoimento sobre aquele início dos anos 80, quando se deu a gravação de Cabelos de Sansão.

É o que você vai ver no próximo post. Fique ligado.

Tiago Araripe

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Xico Carlos em Salvador

A campanha Onde andará Xico Carlos? teve desfecho rápido, embora não muito claro.

Recebi confirmações do que Francis Vale já havia informado: Xico Carlos está mesmo morando em Salvador. Obtive inclusive foto recente dele, que publico acima.

Mas o ex-baterista do Papa Poluição e do grupo Sexo dos Anjos estaria arredio a contatos (ver comentários relativos ao post anterior).

Por quê?

Se alguém puder mandar e-mail ou telefone dele para este Blog, desde já agradeço.

Tiago Araripe

terça-feira, 18 de março de 2008

Cabelos muito compridos de Sansão, por Cid Campos - 2

Em 1980 formei, juntamente com Xico Carlos (bateria), Felipe Ávila (guitarra), Luiz Brasil (guitarra, bandolim) e um pouco mais adiante com a participação dos percussionistas Cabral e Guelo, o grupo instrumental Sexo dos Anjos. Era uma banda e tanto, que trazia um repertório autoral de música instrumental brasileira mesclada ao jazz, blues e outras modalidades. Nunca gravamos um disco. A situação na época era muito difícil para a música instrumental, não havendo muita chance junto às gravadoras e assim, infelizmente, não tivemos a sorte de uma boa oportunidade, mas por outro lado fizemos inúmeros shows, que nos davam enorme prazer e respeitabilidade como músicos instrumentistas.

Até hoje Felipe Ávila, que segue sua carreira como instrumentista e compositor, tem participado de meus shows. Além disso fiz questão de tê-lo como guitarrista e violonista na gravação dos meus CDs No Lago do Olho (2001) e Fala da Palavra (2004). Em dezembro de 2007, tive a oportunidade de reunir Felipe e Luiz numa apresentação que fiz no Rio de Janeiro. Foi muito legal! Quase dava para sentir o Sexo dos Anjos no palco!

Em 1981, juntamos em um mesmo show o Sexo dos Anjos e Tiago Araripe. O espetáculo chamava-se Fôlego de 7 Gatos e foi apresentado no teatro Lira Paulistana. A maior parte das músicas que Tiago apresentava viriam a fazer parte de seu primeiro e único LP, que estava por vir. Não lembro bem, mas talvez tenhamos montado o show já pensando em alguma possibilidade de gravação.

Creio que ainda em 1981 ou início de 1982, Tiago veio com a notícia de ter conseguido uma oportunidade para gravar um LP pelo selo Lira Paulistana. Assim, convidou, entre outras participações, o Sexo dos Anjos para fazer alguns dos arranjos e gravar como banda de base. O repertório era composto de músicas suas e parcerias.

Apesar de termos recuperado, há alguns anos, gravações de shows e de estúdio do Sexo dos Anjos, o LP Cabelos de Sansão registra um pouco da sonoridade de nossa banda que, mesmo contando com participações de outros músicos ou não estando completa em todas as faixas, deixou forte marca de sua personalidade sonora no trabalho.

Ainda no disco Cabelos de Sansão (1982), tive a minha primeira música gravada. Trata-se da canção Estrela-do-mar, parceria com Tiago. Também destaco a música Asa Linda, tradução de Augusto de Campos para Little Wing, de Jimi Hendrix, interpretada lindamente por Tiago, e para a qual eu e Paulo Costa fizemos o arranjo, ainda contando com a participação - no baixo - do baterista multinstrumentista Xico Carlos.

Gostei muito de escrever algo sobre essa época tão importante para todos nós e fico feliz pelo fato de que Cabelos de Sansão está, mesmo que tardiamente, se transformando em CD.

Espero sinceramente que Tiago siga em frente com a sua belíssima voz, suas composições geniais e que, depois desse lançamento, não demore a trazer aos nossos ouvidos novas canções e CDs.


Cid Campos

Na imagem, capa de peça de divulgação do show Fôlego de 7 Gatos. Na foto, da esquerda para a direita, Xico Carlos, Cid Campos, Felipe Ávila, Luiz Brasil e Tiago Araripe.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Outras vozes - 9

E outras vozes continuam chegando a este Blog na forma de textos e imagens, lançando novas luzes sobre muito do que vem sendo lembrado e informado aqui.

A foto acima (no click de Paulo Miranda) mostra, durante apresentação do show Fala da Palavra, mais um importante personagem do disco Cabelos de Sansão: o compositor e baixista Cid Campos.

Parceiro da canção Estrela-do-mar, que abre o lado B do LP, Cid integrou o Papa Poluição depois de Bill Soares, tendo participado com o grupo da trilha musical do filme Sargento Getúlio. Aliás, ele é autor de um dos temas instrumentais do longa-metragem de Hermano Penna.

Com a dissolução do Papa em 1980, Cid formaria com Felipe Ávila, Luiz Brasil e Xico Carlos o grupo instrumental Sexo dos Anjos (não sei se ele lembra, mas fui eu quem propôs o nome da banda).

Somando forças, apresentamos juntos o show Fôlego de 7 Gatos no Lira Paulistana, em 1971, que foi uma espécie de cartão de visita para a gravação de Cabelos de Sansão e é o título de uma das faixas do disco.

Cid é filho do poeta Augusto de Campos, tendo dado importante suporte sonoro à obra do pai.

A seguir, com você, Cid Campos.

Tiago Araripe

quinta-feira, 13 de março de 2008

Achados e perdidos no ciber-espaço

Estávamos gravando no estúdio Eldorado aquela canção que falava dos Beatles, nas brechas dos jingles e pelo prestígio do Paulo Roberto, quando não sei vindo de onde, um cara chamado Scaramboni, produtor de sucesso nos anos 70, e Reinaldo Barriga, um rato de estúdio meu amigo até hoje, chegaram. Ouviram e gostaram muito de tudo. Principalmente dos custos quase zerados. Foram logo falando em LP. E nós, sem ouvirmos qualquer proposta industrial para o trabalho, insistimos num compacto de apresentação, coisa que hoje se faz muito.

A gravadora seria a Top Tape, e fomos para a divulgação entrando num mundo barra pesada. Foi impactante ver o outro lado da execução nas rádios. O jabá corria solto e a nossa gravadora não queria gastar nada com aqueles jovens irreverentes. Para nos acompanhar, nomeou um divulgador com muita rodagem chamado de Janelinha, apelido esse, suponho, de tanto implorar para tocar de graça. Certa vez, nos corredores da Rádio Globo, vimos ele desfilar, às sete da manhã, de bicha louca diante dos presentes para que sua majestade, o animador, tocasse a nossa música. Que humilhação praquele senhor baixinho.

Refletimos e chegamos à conclusão que nós teríamos que abrir o nosso próprio espaço. Fomos à Bandeirantes, que ditava a programação das emissoras na época, e conseguimos entrar. A canção foi sendo executada até um dia sumir de vez. Tivemos um trabalho danado para saber o que houve. Não é que a nossa gravadora tinha pedido ao programador da rádio para trocar o nosso espaço, conseguido a duras penas, pelo disco do Steve Wonder? Aí não deu mais. Fomos no dia seguinte, eu e o Tiago Araripe, bem cedo à Top Tape, munidos de bastões, e pixamos todos os cartazes dos astros internacionais com obscenidades. E ficamos esperando funcionários e diretores para recebermos nossa rescisão contratual. Foi um belo escândalo. Enfrentamos a partir daí o colapso total. As gravadoras determinaram o fim DISCOGRÁFICO do PAPA POLUIÇÃO.

Tiago foi de Cabelos de Sansão. Chico e Cid nos Sexos dos Anjos. Eu e Paulinho, uma dupla nada caipira. Beto foi pra noite e outros bicos. O Bill já tinha ido para sua prancheta de bom desenhista.

Essa historia precisava ser contada, pra que perrengas menores não explicassem o desfecho. Hoje tenho certeza de que não havia caminhos para a banda. Queríamos discutir o futuro da música industrial, e a alternativa da produção independente nos afastava desses objetivos, e teria vida curta, como de fato aconteceu. E o mercado do disco estava preso numa rede mesquinha de jabás, burrices e que-tais.

Hoje, depois de uma conversa que tive com músicos baianos, vejo impossibilidades novas. Não existe mais direitos autorais, e quem vive da composição sente os efeitos dramáticos da pirataria e da Internet. O pior é não existir compreensão clara sobre o futuro. Nem uma palavra oficial de alento. Lost in ciberspace.

José Luiz Penna

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

A volta de Cabelos de Sansão

Paulicéia, anos 80. Um teatrinho em frente à Praça Benedito Calixto torna-se ponto de encontro da chamada vanguada paulistana. Ali se apresentam Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, Premeditando o Breque (hoje Premê), Passoca, Vânia Bastos, Língua de Trapo, Papa Poluição e tantos outros nomes. Ali dou os primeiros passos solo, depois de cinco anos integrando o Papa Poluição. Tenho como banda de apoio o Sexo dos Anjos (Luiz Brasil, Cid Campos, Felipe Avila e Xico Carlos). Naturalmente, o primeiro palco é o Lira Paulistana.

O teatrinho integra um centro de produções independentes que inclui um selo musical, uma editora gráfica e nem-lembro-mais-o-quê. À frente, Wilson Souto Jr., a quem chamávamos carinhosamente de Gordo. O Lira Paulistana havia produzido seu primeiro disco, o ótimo vinil Beleléu, do Itamar Assumpção. Convenci o Wilson de que o meu LP seria o próximo.

Um ano de arranjos, ensaios, arregimentação de músicos, concepção/produção da capa e mais de 300 horas de estúdio depois, eis que é lançado Cabelos de Sansão. Uma proposta ousada para os padrões independentes (sempre achei melhor o termo alternativo) da época: 33 músicos, cada faixa com conceito distinto - em respeito à idéia da composição, master feita nos Estados Unidos, capa com a assinatura do designer gráfico Alexandre Wollner, participações especialíssimas de talentos como Itamar, Tetê, Vânia Bastos, Passoca, Oswaldinho do Acordeon, Tony Ozanah... E um presente: a versão exclusiva feita por Augusto de Campos para a belíssima Little Wing (Asa Linda), de Jimi Hendrix (eu costumava colecionar gravações dessa canção).

Mais de 25 anos depois, graças a Zeca Baleiro e Rossana Decelso, que conduzem o selo Saravá Discos, Cabelos de Sansão voltará à tona em CD histórico remasterizado. O objetivo deste blog é dar vez à trajetória do disco, que pode abrir espaço para outros vôos. Com novas asas.

Aguarde. E nos falemos.


Tiago Araripe