Mostrando postagens com marcador Amelinha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amelinha. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Tailândia Montenegro lança CD no Teatro do Sesc, em Fortaleza


A cantora cearense Tailândia Montenegro lança o CD Forró da minha terra.

Sobre o disco, escreve o repórter Henrique Nunes no Diário do Nordeste:

"
As encantadoras travessuras líricas da Guerreira chegam em seguida a um compositor cearense contemporâneo e bastante respeitado, apesar de bissextamente registrado: Álcio Barroso, que ´canta xote pro irmão e pra quem está sozinho´, ´porque cantar é a minha reza´, noutro cenário sertanejo sem fronteira, em bonito duo de Tailândia com Waldonys. Poderia estar em qualquer álbum de MPB, como a Telha de Vidro (Tiago Araripe), um xote-maracatu cheio de alma sertaneja, gravado por Amelinha (Romance da Lua, Lua, 1983) e que tem a viola encantada de Manassés viajando com intimidade com Zé do Norte, Hoto e os demais parceiros deste forró aprazível e bem colocado."

Para ler a reportagem completa e ouvir faixas do CD, clique aqui.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Tailândia Montenegro lança CD "Forró da Minha Terra"

A cantora Tailândia Montenegro, que anima a cena cultural cearense com um trabalho inspirado na melhor tradição deixada por Marinês, está lançando seu primeiro CD: Forró da Minha Terra.

No repertório, uma feliz regravação de Telha de vidro, composição de minha autoria interpretada originalmente por Amelinha no seu LP Romance da Lua Lua (1983).

As faixas do lançamento de Tailândia:

  1. Dois em um (Arnaldo Farias)
  2. Os dois lados da paixão (Dorgival Dantas)
  3. Utopia sertaneja (Flávio Leandro/Miguel Silva)
  4. Mar de rosas (Dida)
  5. O amor e a razão (Chico Pessoa/Zé do Norte)
  6. Namoro do sabiá com a mata (Dílson Pinheiro)
  7. Na pisada do forró (César do Acordeon)
  8. Chuva (Flávio Leandro)
  9. A semente (Majó)
  10. Capim verdão (Daudeth Bandeira)
  11. Travessuras (Flávio Leandro)
  12. Pra minha terra (Álcio Barroso)
  13. Telha de vidro (Tiago Araripe)
  14. Água da vida (Antonio Brasileiro)

Vale a audição.

Tiago Araripe

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Poesia cantada

O poeta e parceiro musical Ricardo Alcântara realiza, neste domingo em Fortaleza, show de lançamento do seu CD Canções do Eterno Agora.

Na ficha técnica, os intérpretes Amelinha, Téti, David Duarte, Lúcio Ricardo, Edmar Gonçalves, Calé Alencar e Marcos Lessa.

A poesia cantada de Ricardo Alcântara é burilada e precisa, para ser degustada agora e sempre.

Tiago Araripe

terça-feira, 29 de abril de 2008

Meus encontros com o Papa Poluição

Foto: Papa Poluição antes da chegada de Beto Carrera e Bill Soares, em show no Colégio Rio Branco (SP): Paulo, Xico Carlos (bateria), Dirceu, Fausto Aguiar, Tiago e Penna.

Texto: Francis Vale


Nas minhas andanças pelo Crato a partir de 1975, tomei conhecimento da existência de um grupo musical paulista (integrado por alguns cearenses) chamado Papa Poluição.

De nome, eu já conhecia Tiago Araripe (por conta do Festival Abertura e da amizade com seu pai, Jósio, cuja casa tive a honra de freqüentar algumas vezes), e também José Luiz Penna e Xico Carlos ( primo e irmão, respectivamente, de meu amigo José Roberto França).

Como eu já havia produzido, no ano anterior, um show com Abidoral Jamacaru e sua banda, no Teatro da Emcetur, fui procurado para repetir a dose com os rapazes do Papa. Reservei a pauta, espalhei releases e fotos nos jornais, e fiquei aguardando a chegada do grupo.

Alguns dias antes da estréia do show (Mamãe Rádio não toca meu disco), eis que aparece a turma numa kombi. Ao volante, Túlio Penna (de saudosa memória). E mais: Tiago, Zé Luiz, Xico Carlos, Paulinho Costa, Beto e Bill Soares. Eu morava numa espécie de “quarto e sala” na rua Coronel Alves Teixeira, onde tive que hospedar quase todos, pois Tiago ficou na casa do avô que distava poucos quarteirões de nossa “república”.

Para uma banda que não estava na “mídia nacional”, a passagem pela capital cearense pode ser considerada um sucesso, pois despertou a atenção de muitos jovens da época que até hoje devem lembrar da variedade de ritmos, do visual “riponga” e do humor contido em muitas das letras do repertório.

Corria o mês de dezembro, quando aconteceu o show durante três dias. Em seguida, o Papa deixou Fortaleza rumo ao Cariri, onde tinha outras apresentações acertadas. Dias após, fui chamado por Fagner para organizar um show que ele faria numa quadra de esportes em Juazeiro, ao lado de Amelinha, Dominguinhos e Anastácia. Depois dessa apresentação, segui para o Crato com Fagner, Amelinha e Wiron Batista. Ali aconteceu um show da dupla Fagner/Amelinha, também numa quadra de esportes. Ficamos hospedados na casa do advogado e escritor Émerson Lacerda. Dominguinhos e Anastácia seguiram rumo ao Sul e, na estrada, encontraram Afonsinho que seguia com a mulher, Sílvia, e a enteada, Índia, para Fortaleza. Com a informação de que estávamos no Crato, Afonsinho foi juntar-se a nós na casa do Émerson. A partir daí foram armadas as “peladas” que juntaram o pessoal do Papa com Afonsinho, Fagner e outros amigos do Crato, como Abidoral, Pachelly, Dedê, Dadim e Zé Roberto, entre outros. Nesse reencontro caririense com o pessoal do Papa fiquei sabendo que eles tiveram que “animar” até festa dançante.

Da convivência com o grupo, ficou-me a lembrança de dois aspectos bastante positivos: de um lado, a amizade e a solidariedade irrestritas entre eles; de outro lado, a alegria, o bom humor e a simpatia que espalhavam por onde passavam. Posteriormente, em 1979, pude reencontrá-los em São Paulo, num espetáculo no Teatro Oficina, onde fui apresentado por eles ao cineasta Hermano Penna, mais um que passou a fazer parte do meu círculo de amigos até hoje. Sobre Hermano, o Tiago já falou um pouco, mas ainda há muito que se falar mais adiante.

Francis Vale

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Nordeste revisitado - 2

Na foto, Paulo, Tiago e Beto: Papa Poluição no Teatro Municipal de São Paulo.

O destino seguinte foi o Cariri. No Crato, terra natal minha e do Xico Carlos, fomos recebidos como celebridades (doce ilusão). A nossa apresentação, no intervalo de um baile com o conjunto Ases do Ritmo, lotou o Crato Tênis Clube. Até minha avó e uma tia, velhinhas, estavam lá. As duas cabeças branquinhas no meio da multidão não destoavam do clima de festa em que estávamos mergulhados.

Nas cidades seguintes, Juazeiro do Norte e Barbalha, a lógica da programação seria a mesma: apresentação em clube, no intervalo do baile. Mas por alguma falha de comunicação, nossos bem intencionados interlocutores entenderam que o baile ficaria também por nossa conta. O que se sucedeu foi algo com que não contávamos. As pessoas estavam ali não apenas para nos ver. Queriam também dançar. Não atendê-los poderia comprometer a nossa integridade física. Ou seja: a barra poderia pesar...

Nossa estratégia de sobrevivência foi simples, mas exaustiva: disparamos nossas músicas mais dançantes. O público entrou no clima, tudo começava a funcionar às mil maravilhas. Mas o repertório era curto, e o baile não podia parar. Assim, ao concluir o último número da série, Penna fez um anúncio solene. Disse que, atendendo a pedidos, iríamos tocar tudo de novo. Foi o que fizemos uma, duas, três vezes. Lembro de Paulinho com os dedos sangrando, de ficar tanto tempo tocando guitarra. Valeu o sacrifício: conseguimos sair sãos e salvos.

Em Barbalha, o filme se repetiu na noite seguinte. Estávamos tão exaustos que, após cada rodada do repertório, dávamos um intervalo. À medida que a noite avançava, os intervalos iam ficando maiores. Certa ocasião, ouvi uma pessoa dizer, indignada, que o conjunto fazia mais intervalo que música. A atmosfera estava tensa, mas ao final também escapamos com vida.

Ficamos uns dez dias no Cariri, aproveitando o convívio com familiares e amigos. À tarde costumávamos encher o carro de meninos do Lameiro, bairro rural do Crato, para jogar futebol num campinho no pé da serra. Era divertido até para um notório perna-de-pau como eu. Uma dessas partidas contou com a participação de celebridades: o jogador Afonsinho e o cantor Fagner, tendo Amelinha como expectadora.

Do Cariri seguimos para João Pessoa, onde realizamos duas apresentações no belo Teatro Santa Roza. Na saída do hotel, um imprevisto. A pessoa que organizou o show sumiu, e só conseguimos convencer o gerente a nos deixar sair com muito custo: a conta não havia sido paga. O mesmo sujeito havia assegurado a continuidade de nossa tour em Aracaju. Mas ao chegarmos na capital sergipana, o teatro estava fechado. E o diretor, na Europa. O que nos coube fazer foi dormir um pouco na praia, e em seguida retornar a Salvador. Dali seguimos a longa viagem de volta a São Paulo.

Mas estávamos de alma lavada. Pelo mar do litoral nordestino e pelas nascentes da Serra do Araripe.

Tiago Araripe

sexta-feira, 28 de março de 2008

Telha de vidro

Um ano depois (ver post anterior), nova ligação telefônica de Amelinha anunciando a gravação de mais uma composição da velha fita cassete que eu enviara a ela anos antes: Telha de vidro. A música se tornou uma das faixas do LP Romance da Lua Lua (na foto, a capa). Como no disco que o antecedeu, a produção da bolacha é de Zé Ramalho. A faixa-título é de Flaviola (que conheci em Recife, na época do Nuvem 33), sobre poema de Garcia Lorca.

É um disco temático, como logo se vê. Ou se ouve. Todas as músicas falam, de alguma forma, da Lua - que em Telha de vidro entra no quarto pela dita cuja para dar um aviso.

Algo curioso: uma falha de revisão na contracapa desdobrou meu sobrenome e me transformou em parceiro de mim mesmo - ali, a autoria da canção é atribuída a Tiago Araripe-Alencar Araripe.

Encontrei Amelinha em outras ocasiões, em momentos distintos de sua vida. Quase sempre em São Paulo. Em um deles, um empresário inescrupuloso havia lhe dado um desfalque e a deixara numa situação difícil. Como cearense valente, ela já estava dando a volta por cima. Isso foi há muito tempo. Depois não mais a vi. Espero reencontrá-la um dia desses, sob o sol do Ceará.

A Amelinha, aquele abraço. A você que me lê, também.

Tiago Araripe

Um gosto de muito mais

No mesmo 1982 em que o Lira Paulistana lançou Cabelos de Sansão, chegava ao mercado de discos o novo LP de Amelinha: Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor (na foto, a capa). Entre as faixas, uma das muitas canções que fiz em parceria com José Luiz Penna: Um gosto de muito mais. Amelinha gravou a composição em grande estilo, com arranjo hollywoodiano e gran finale em que emite agudo brilhante.

Com o auxílio instrumental de Cid Campos e Xico Carlos, que na época participavam comigo do Papa Poluição, eu havia gravado uma fita cassete com três canções. A fita tinha destino certo, e esse destino atendia pelo nome de Amelinha. Enviei as composições para ela e, tempos depois, a encontro no Maracananzinho, num daqueles festivais da canção que a Globo fez no Rio de Janeiro. (Possivelmente tenha sido no próprio que ela conquistou o segundo lugar cantando Foi Deus que fez você.) Para minha surpresa, Amelinha me disse que havia recebido a fita mas não entendera nada: a gravação estava com rotação alterada... Argumentei que a havia testado em mais de um aparelho, sem problemas. Sem querer ser insistente, dei o incidente como favas contadas.

Passam-se meses. Estou na labuta, revisando textos na Editora Abril, quando toca o telefone. É Amelinha, dizendo que gostara muito das músicas e queria gravá-las (das três canções, gravou duas - em dois discos seguidos). Na ocasião era casada com Zé Ramalho, que me convidou ao Rio para assinar o contrato de edição na editora dele (Martelo).

O disco Cabelos de Sansão estava quase pronto: faltava minha voz e a mixagem. Levei comigo os playbacks, ao som dos quais cantei para o casal todas as faixas do LP. Zé Ramalho gostou tanto que me pediu para lançar o disco pela CBS, onde tinha contrato. Eu, entusiasmado com o movimento alternativo, não quis trair a causa. Principalmente depois de todo o investimento do Lira Paulistana no trabalho. Pudesse fazer de novo, não faria diferente.

No mais, descobri um grande ponto em comum com Zé Ramalho: a admiração pela música dos Beatles. Morando em Fortaleza, ele não hesitava em mandar alguém ao Rio buscar os mais recentes lançamentos - em disco ou vídeo - do quarteto de Liverpool.

Tiago Araripe