Mostrando postagens com marcador Vila Madalena. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vila Madalena. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de abril de 2009

No Guia da Vila Madalena





Cabelos de Sansão, de Tiago Araripe


Tiago Araripe, que viveu durante muitos na Vila Madalena, se apresentou no dia 10 de março no pequeno palco da Fnac Pinheiros para o lançamento em CD do seu LP Cabelos de Sansão, lançado em 1982. Quando ele ainda morava aqui no bairro, se apresentava regularmente no Teatro Lira Paulistana, local que fez história no cenário musical dos anos 1980 e neste ano completaria 30 anos. Quem se empenhou para tornar realidade o CD foi o cantor Zeca Baleiro que resolveu relançar Cabelos de Sansão pela sua gravadora, a Saravá Discos. Ele fez a apresentação do CD: “Quando escutei o LP do Tiago Araripe, percebi uma sonoridade incomum, de cara prendeu minha atenção, assim como a voz aveludada do cantor”. Zeca Baleiro também participou do show de Tiago Araripe na FNAC.
Os longos cabelos daqueles anos 1980 ainda resistem na capa e Tiago Araripe, hoje mais calvo, mora e trabalha com publicidade em Recife (PE). O show foi uma oportunidade para os amigos e companheiros dos tempos do Teatro Lira Paulistana se encontrarem. Além do show, o lançamento do CD foi uma grande oportunidade para os amigos se reencontrarem depois de algum tempo. José Luiz de França Penna, colaborador do GUIA DA VILA MADALENA, hoje vereador de São Paulo e também parceiro de Tiago Araripe em ‘A Pororoca Vai Pegar Fogo’, o cineasta Hermano Penna entre outros, estiveram presentes no show que teve ‘Asa Linda’ (Little Wing, letra e música original de Jimi Hendrix na versão do poeta Augusto dos Anjos). “É muito importante voltar à São Paulo para lançar este meu trabalho”, afirmou Tiago Araripe.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Cabelos de Sansão, por Felipe Avila

Na foto, a banda Sexo dos Anjos: Luiz Brasil (guitarra), Cid Campos (baixo), Guelo (de boné, percussão), Xico Carlos (bateria) e Felipe Avila (guitarra).


Cabelos de Sansão. Um disco que marcou época em meio a tantos outros trabalhos, de tantos artistas incríveis que vivenciaram aquele momento “mágico” de diversidade artística e cultural, do início da década de 80, no Teatro Lira Paulistana.

Tiago convidou o meu grupo Sexo dos Anjos para participar das gravações e me pediu que fizesse o arranjo da música Cine Cassino. Pra mim, foi um momento muito especial, uma oportunidade para escrever e criar à vontade no meu primeiro arranjo para um disco e para um grande artista.

Escrevi, para a música Cine Cassino, um arranjo para violões, cello, percussão e piano. Uma música misteriosa e muito original.

Conheci Tiago Araripe através do meu amigo Cid Campos, que junto com Tiago e os músicos Zé Luiz Penna, Paulinho Costa, Beto Carrera e Xico Carlos, formavam o grupo Papa Poluição.

Nesta época, morávamos todos na Vila Madalena - um bairro bem localizado que parecia ser uma cidade do interior. Lá tínhamos aluguel barato, fazíamos nossos ensaios nas casas em que morávamos e, depois, íamos tomar cerveja, no fim do dia, no boteco “sujinho”, onde tínhamos conta (rs).

Nossos encontros eram quase que diários e, naturalmente, foi surgindo daí uma grande amizade, com respeito e cumplicidade em nossas idéias, e os trabalhos que plantamos ali vieram a acontecer em diversas oportunidades.

Nessa fase, Cid Campos, Luiz Brasil, Xico Carlos e eu estávamos montando um grupo para estudos e pesquisas, um laboratório de sons onde tocávamos também nossas composições. Precisávamos dar um nome para o grupo que começava a surgir, e foi Tiago quem sugeriu o nome Sexo dos Anjos. Aceitamos na hora!

Quando Tiago Araripe pensou em gravar o trabalho solo dele Cabelos de Sansão, e convidou o grupo Sexo dos Anjos para participar das gravações e dos arranjos, fiquei muito feliz mesmo.

Os ensaios destinados à gravação do disco aconteceram na casa do Luiz Brasil, num clima muito gostoso, onde pudemos compartilhar sugestões e idéias, experimentar e tocar à vontade.

Um disco muito bonito, que marcou época e agora está disponível em CD. Vale a pena ouvir este trabalho tão original, com música de qualidade tão atual.

Felipe Avila

www.felipeavila.com

Observação deste Blog:
A previsão é que o CD Cabelos de Sansão seja entregue pela fábrica no dia 20 de maio. Ou seja: muito em breve estará disponível ao público.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O show do Papa na Emcetur. Por Mona Gadelha.

Na Fortaleza dos anos 70, a gente tinha muita vontade de ser punk. Natural para quem já fazia rock and roll no lendário Teatro de Arena da Credimus, na Avenida Santos Dumont, e nos raríssimos festivais que apareciam numa cidade embalada pelo lirismo do Pessoal do Ceará.

Essa introdução de memória afetiva é para relembrar um dia que jamais esqueci.

Aconteciam poucos shows na cidade. Nossa diversão era circular pelos bares – havia um aonde a gente ia, sem um tostão no bolso, chamado “O Bigode do Meu Tio”, na Aldeota, o outro lado da cidade para mim, que morava no Centro, na Rua Senador Pompeu.

A turma era quase toda do Centro (Siegbert Franklin, Lúcio Ricardo...). O Tui Falcão, sempre animadíssimo, não, era da Aldeota mesmo. E naquele ano – algo entre 1977 e 1979 – a gente sabia que o Papa Poluição (foto), grupo de nosso conterrâneo radicado em São Paulo, Tiago Araripe, iria se apresentar no Teatro da Emcetur.

Na tarde do show fui com o Siegbert a um armarinho comprar alfinetes gigantes para “costurar” uma calça em que ele cabia umas dez vezes. Era o modelito punk para o show do Papa. Eu já estava com meu longo vestido psicodélico, bordado de paetês por minha irmã.

Sentamos todos na primeira fila. E participamos do show com o nosso afã de adolescentes. Conhecemos Tiago, com seus cabelos de Sansão, muito amoroso com seus fãs. Ficamos amigos. E como eu adorava, naquela época, ir ao correio mandar cartas, e mais ainda de receber, começamos nossa história epistolar. Era engraçado receber as belas cartas escritas pelo Tiago com endereço de uma tal rua Wisard, na Vila Madalena, lugares tão distantes para mim na Fortaleza desconectada do mundo.

Hoje ando sempre pela Rua Wisard, onde fica o estúdio 185, do amigo Beto, e no Bar Piratininga, onde toca o Beba Zanetini. Moro em São Paulo. E Tiago em Fortaleza. Fizemos o caminho inverso. A música do Papa era divertida, original, ousada. Certamente aquela noite em que eles se apresentaram no Teatro da Emcetur deve ter influenciado todos nós que começávamos a tocar por puro prazer – e queríamos ser punk.

Saudades de Meg Magia.



Mona Gadelha

domingo, 13 de abril de 2008

Vaqueiros de vacas magras

O período de existência do Papa Poluição, na segunda metade da década de 70, foi certamente heróico. Enquanto os demais integrantes do grupo tinham seus empregos, cabia a mim e a José Luiz Penna a tarefa de fazer contatos para shows, visitar gravadoras e editoras musiciais, abrir espaço na imprensa e coisas do gênero.

Não raro, não havia o que comer. A gente, naturalmente, improvisava. E haja macarrão. Até que descobrimos a salvação da lavoura: uma mulher que fornecia quentinhas na rua Girassol. Coisas da Vila Madalena de então: ela permitia que o pagamento fosse feito apenas no final do mês.

Tínhamos, enfim, almoço garantido. Havia ainda um porém. O lingüição de Dona Nerina (aquela boa senhora que me perdoe) era absolutamente intragável. Abríamos a quentinha com grande expectativa. Comemorávamos ao descobrir que não era dia de lingüiça.

Pagar o aluguel era outra novela. Um dia fui à Sicam - Sociedade Independente de Compositores e Autores Musicais - disposto a receber um pagamento que me era devido. Fiquei de plantão a tarde inteira na ante-sala da entidade, aguardando a saída do presidente para cobrá-lo pessoalmente, visto que por outros meios não havia surtido efeito. Era exatamente o dia do vencimento do aluguel do sobradinho onde eu morava na rua Wizard, e estava tão determinado a pagar a conta que o presidente não pôde mais se esquivar.

Quando cheguei na imobiliária, haviam acabado de cerrar a porta de ferro da casa. Fiquei batendo lá que nem um maluco, tentando a todo custo me livrar da multa que inevitavelmente viria a partir do dia seguinte. Até que algum espírito compreensivo gritou de lá de dentro que eu poderia saldar o compromisso na próxima manhã, sem ônus algum.

O Papa Poluição tinha, no seu repertório, uma música chamada Durango Kid ("Saque sua estrela de xerife/Se identifique, venha me policiar...". Possivelmente tenha relação com tudo isso. Além do mais, o episódio da Sicam me inspirou a compor o rock Déjà vu. A letra diz:

O suspense que eu passo
Pra pagar o aluguel
É de deixar Hitchcock encabulado
É de botar Zé Mojica no chinelo...

(Zé Mojica Marins, para quem não sabe, é o criador e intérprete do personagem Zé do Caixão, em filmes de terror que se tornaram cult entre os admiradores do gênero.)

Tiago Araripe

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Outras vozes - 3

No próximo post, você verá um texto em forma de poema escrito por José Luiz Penna especialmente para este Blog.

Um dos mentores do Papa Poluição, Penna é autor da única música do repertório do grupo que virou sucesso no rádio: Comentário a respeito de John. Feita em parceria com Belchior e gravada por este, a canção sempre foi uma constante nos shows da banda.

Presidente do Centro Cultural da Vila Madalena, presidente nacional do Partido Verde, Penna tem a visão sempre além da linha do horizonte. É o parceiro com quem mais compus, seja fazendo letra ou música - ou as duas coisas juntas a quatro mãos. Como aquele velho rock do Papa:

Sou mais um cão que ladra
Enquanto a caravana passa
Tudo dando bode
E eu tangendo as minhas cabras...

A seguir, com você, José Luiz Penna.

Tiago Araripe

Na foto (de Patricia Penna), Zé Luiz e eu durante reencontro em Fortaleza.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Vila Madalena 1

Recém-chegado a São Paulo, aluguei um sobradinho de fundos na Vila Madalena. Era mínimo: sala e cozinha embaixo, quarto e banheiro em cima. Naqueles anos que tiveram início em 1973, a Vila parecia uma cidade do interior. As pessoas se cumprimentavam nas calçadas, e era possível comprar fiado na mercearia – o que em determinados momentos salvava a pátria.

As ruas tinham nomes entre estranhos e poéticos: o sobradinho ficava na rua Wizard, próximo à esquina com a rua Harmonia e quase diante da rua Laboriosa. Havia também Faisão, Fidalga, Original e tantas outras. Ainda existem, claro. Depois eu moraria também em um pequeno prédio sem elevador, na esquina da Girassol com a Purpurina – aliás num período em que minha vida não era nem um pouco florida e muito menos festiva.

Voltando ao sobradinho da Wizard, durante muito tempo o nascimento da minha primeira filha – Joana – ficaria anunciado no muro da esquina: notícia em forma de grafite.

Algum tempo depois, José Luiz Penna mudou-se com a mulher Rosa para a rua Girassol, a apenas um quarteirão da minha casa. Lá mantivemos a tradição de ensaiar no quarto do casal que vinha desde quando ele habitava a rua Patápio Silva, em um bairro vizinho. (Quando a Vila Madalena começou a ganhar projeção como reduto de artistas, fomos apontados entre os pioneiros dessa espécie de colonização cultural.)

Os ensaios do Papa Poluição (foto) eram diários, com uma disciplina ferrenha. E envolviam uma operação logística que aos poucos aprendemos a realizar com desenvoltura: colocar a cama em posição vertical, afastar o guarda-roupa, transportar as caixas e aparelhos de som da área da lavanderia para o quarto, plugar tudo, afinar os instrumentos e trabalhar duro. Ainda bem que contávamos com a paciência e a compreensão de Rosa.

Outro momento marcante foi uma festa que o Papa Poluição organizou no sobradinho da Wizard, por ocasião do meu aniversário. Aliás, organizou talvez não seja bem a palavra. Cheguei em casa de madrugada, e a turma já estava instalada. Muita gente para pouco espaço. A maioria, músicos. Lembro das presenças do Belchior, com quem o Papa Poluição fez uma temporada bem movimentada no circuito musical do Sesc, e da surpreendente chegada de Paulo Moura – que eu só conhecia de nome e de cujo trabalho sempre fui admirador. Fizemos um animado som com os utensílios da casa, que se prolongou até o dia clarear. E durante muito tempo, na pequena cozinha da rua Wizard, eu e a mãe das minhas filhas tivemos que conviver com panelas amassadas...



Tiago Araripe

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Cine Cassino, por Luiz Carlos Salatiel

"Quando me vi diante do LP Cabelos de Sansão, do Tiago, tudo cheirava a novo e ousado. Anos 80. Era um pouco da gente do Crato irradiando de São Paulo pro mundo marcado na inesquecível canção Cine Cassino, que poetizava uma experiência comum a todos os adolescentes daqui das cidades interioranas: o escuro do cinema como grande aliado das nossas inocentes (nem tanto!) proezas libidinosas. Genial! Ainda mais, a homenagem ao nosso querido Cine Cassino com a voz do Tiago e o piano ´tresloucado´ do Arrigo Barnabé me fascinaram. Então, vinte anos depois, quando montava o elenco de canções que fariam parte desse meu Contemporâneo, naturalmente Cine Cassino foi das primeiras que me vieram à cabeça. Ao mesmo tempo homenagearia Tiago (a quem admiro muito), o Cine Cassino (que resiste e não se transformou ainda em Igreja Evangélica) e o cinema (uma paixão permanente). Acertei!"

Luiz Carlos Salatiel


Observações deste Blog:

Na Cine Cassino de Cabelos de Sansão, bem que o piano poderia ter sido do Arrigo Barnabé. Éramos vizinhos da Vila Madalena e tínhamos boa proximidade. Entretanto, Arrigo não participou do disco. Pedi a Felipe Avila, guitarrista de sólida formação musical e integrante da banda Sexo dos Anjos, que fizesse o arranjo da canção - tarefa que ele cumpriu magistralmente reunindo os timbres de violão de aço (que ele mesmo tocou), piano e cello. O piano ficou a cargo do jovem músico alemão Felix Wagner, radicado em São Paulo. Com apenas 21 anos na época, Felix já era multiinstrumentista e professor de música. O cello foi executado por Renato Lemos, e o Wilson Souto Jr. - produtor da bolacha - tocou bells. A reunião desses e de tantos outros talentos foi fundamental para a qualidade alcançada em Cabelos de Sansão. (Tiago Araripe)