Vânia Bastos
(O texto acima foi gentilmente escrito para o material de divulgação de Cabelos de Sansão.)
Quando o vi cantar Little Wing de Jimi Hendrix, fiz uma versão para ele.
Com sua voz melodiosa, de registro alto, a composição “voou” numa interpretação única, inesquecível, porque não tributária de nada, homenagem criativa ao grande guitarrista americano: Asa Linda. Já era ele próprio compositor de méritos e intérprete ousado de textos raros de Décio Pignatari, Drácula, e Teu Coração Bate, o Meu Apanha.
No LP Cabelos de Sansão, dos tempos heróicos do Lira Paulistana, ele mostra a versatilidade das suas músicas e interpretações com o apoio do grupo instrumental Sexo dos Anjos, cujos arranjos e intervenções inventivas conjugam-se à voz de Tiago para fazer do disco uma preciosidade. Fico feliz de poder reouvi-lo agora, finalmente, em CD. Há de ser uma bem-vinda surpresa para os que não chegaram a conhecê-lo. E que Tiago volte com novas surpresas.
(O texto acima foi gentilmente escrito por Augusto de Campos para o material de divulgação de Cabelos de Sansão.)
Hoje é pouco papo e muito som.
Cabelos de Sansão Baião de Nós
(Zeca Baleiro-Tiago Araripe)
Baião de dois
É mais que feijão com arroz
Baião de dois
É prato de rei
Do rei Luiz
Zabumba, triângulo, sanfona
Baião de três
Digo a vocês
Nunca é demais
Baião de dois
É mais que feijão com arroz
Baião do Brás
De Marinês
Baião de nós
Zabumba, triângulo, sanfona
Baião de três
Digo a vocês
Nunca é demais
No compasso 2x4
O retrato do sertão
No tarrabufado a batida
Do coração.

É o relançamento do ano. Não só por nossas plagas. ´Cabelos de Sansão´, de Tiago Araripe, 1982, é uma jóia reeditada pelo Saravá Discos, de Zeca Baleiro, que participa do seu lançamento em CD hoje, no Sesc Senac Iracema
Foto: Rodrigo Meireles