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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Paredes da memória

DISCOS

Música e memória

Diário do Nordeste, 12/9/2010

Mesmo em tempos de Internet e MP3 facilitando o acesso à música, muitos discos do passado jamais chegaram às novas gerações

No início dos anos 90, a popularização do CD praticamente sepultou as mídias anteriormente utilizadas para a música, como as fita de rolo e cassete e os discos de vinil e de cera. Estes ficaram relegados aos ouvidos dos privilegiados que ainda insistem em escutar música em antigos gravadores, picapes ou gramofones. Com essa realidade, muitas composições de artistas do passado que foram gravadas nas mídias citadas, e com o registro analógico, jamais chegaram sequer ao CD e seguem inacessíveis às novas gerações, em plena era da informação.

No que se refere aos discos que foram lançados por gravadoras e que já chegaram ao CD, algumas iniciativas isoladas merecem ser citadas, como as implementadas por Charles Gavin, músico da banda Titãs que também mantem um programa de TV no Canal Brasil - "O Som do Vinil" - e Marcelo Fróes, jornalista e escritor que pesquisou e relançou arquivos de artistas da MPB, da Jovem Guarda e do rock, como Renato Russo. E mais recentemente trabalha também no ramo para o Selo Discobertas. Ao lado de Guto Graça Mello, Fróes produz para um lançamento previsto para dezembro próximo um box intitulado "Pra Sempre", com a obra de Roberto Carlos, trazendo músicas dos discos de 78 rotações registradas entre 1960 e 1962, além do disputado LP "Louco por você", inédito oficialmente em CD, álbum renegado pelo próprio Rei.

Memória no Ceará

Os artistas da música do Ceará desde a Era de Ouro da MPB, como Gilberto Milfont, Catulo de Paula e o grupo 4 Ases e 1 Coringa, jamais tiveram oficialmente seus discos lançados em CD. Já outros do porte dos Índios Tabajaras tiveram duas coletâneas lançadas pelo Selo Revivendo. Parte da obra do compositor Lauro Maia foi disponibilizada para o público através de iniciativa do músico e produtor Calé Alencar e do Arquivo Nirez, inicialmente num vinil duplo em 1993 e depois, já em CD, em 1998, incluindo novas gravações da obra de Lauro.

Ainda sob a batuta de Calé Alencar, duas outras edições importantes para a cultura do Ceará foram recuperadas do vinil para o CD. Em 1996, o então LP coletivo "Terra da Luz", lançado originalmente na década de 60 e que reuniu, entre outros, Evaldo Gouveia, Vocalistas Tropicais e Mário Alves Também de 1996 é o álbum "Filgueiras Lima - Poesia", na voz do próprio autor e que tem a flauta do francês Pierre Chabloz, estimulador maior da obra do artista plástico cearense Chico da Silva.

Ainda no catálogo idealizado por Calé está a série "Coleção da Memória do Povo Cearense", com os discos atualmente composta dos discos: "Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto" (1998), "Cego Oliveira" (1999), em parceria com Rosemberg Cariry, "Patativa do Assaré" (2000), "Penitentes de Barbalha" (2000), "Maracatus e Batuques"
(2001), "Caixa Patativa" (CD duplo de 2004), "Viva Patativa" (2005) e "Vocalistas Tropicais" (2006).

Outro grande destaque, já na cena nacional, foi o lançamento também em CD do disco "Cabelos de Sansão", do cantor e compositor cearense Tiago Araripe, gravado em 1982, em São Paulo, e reeditado em 2008 pelo selo "Saravá", do maranhense Zeca Baleiro.

Discos esperam por relançamento

Grupo que está presente na cena lítero-musical cearense desde 1974, o Quinteto Agreste ainda não tem sua obra completa oficialmente disponível digitalizada. Apenas com um CD lançado, o álbum "Caminhando sempre", de 2005, os integrantes do grupo gravaram, ainda nos tempos do vinil, um compacto-simples, em 1980, e os LPs "Sol maior" (1982) e "Pássaro de Luz" (1986). Todos permanecem inéditos em CD.

Sobre as dificuldades para esses discos serem relançados oficialmente, os integrantes atuais do Quinteto Agreste, grupo que se tornou bastante popular no Ceará nas décadas de 70 e 80 por apresentações em espaços como o Projeto Luiz Assunção (de shows itinerantes por Fortaleza) e o antigo Teatro da Emcetur, e ainda em shows pelo Interior do Estado, afirmam que faltam editais de apoio e projetos específicos para permitam esse tipo de ação. "Contamos com patrocínio para lançar os discos de forma alternativa, nos anos 80", recorda o cantor e compositor Arlindo Araújo.

O rock do Peso

Uma banda de blues/rock bastante emblemática no cenário nacional na primeira metade da década de 70 foi O Peso, que tinha como vocalista e compositor Luiz Carlos Porto. O grupo também contava com Gabriel O´Meara (guitarra), Carlinhos Scart (baixo), Constant Papineanu (piano) e Geraldo D´Arbilly (bateria). O único LP da banda em sua formação original de 1975, o álbum "Em busca do tempo perdido", até pouco tempo era relíquia de colecionadores, disputado num preço exorbitante por quem se interessasse, em sebos. O CD foi lançado em 2009 selo especializado em relançamentos, o Museu do Disco, parceria do colecionador Valmir Zuzzi. Trata-se de mais um exemplo da necessidade de mais registros para a preservação da memória da produção musical cearense.

NELSON AUGUSTO
REPÓRTER

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Cabelos de Sansão, um disco "atemporal e inovador".


Artigos
Lira Paulistana, 30 Anos
Daniel Brazil

Novembro de 79 é o marco histórico de fundação do Lira Paulistana. Beleléu, o disco de estréia de Itamar Assumpção, marcou o início do selo (porque já era um conhecido teatro, espaço cultural, palco de shows e agitos). O porão da Praça Benedito Calixto marcou uma espécie de Renascença da música paulista, abrindo espaço para vários estilos.

Final de ditadura, fim dos movimentos organizados em torno de uma militância estética. O leque se abria, em várias direções. Tinha a música experimental de Arrigo, que nunca tocou no Lira, mas cujo baixista era Itamar. As cantoras Ná Ozetti, Cida Moreira, Vânia Bastos, Eliete Negreiros, Suzana Sales, Neuza Pinheiro, Tetê Espíndola e Virginia Rosa passaram por lá, colorindo ainda mais a paleta de estilos. Tiago Araripe (Cabelos de Sansão) fazia um pós-tropicalismo com uma nova poética, que viria influenciar gente como Zeca Baleiro. Tanto é que o maranhense fez questão de relançar o “Cabelos” em CD, pelo seu Saravá Discos (2009). Aliás, um disco que merece ser (re)descoberto e (re)ouvido, atemporal e inovador.

Tinha o humor escrachado do Língua de Trapo. Tinha o Premê, com um lado musical mais desenvolvido. O grupo Rumo, com um lado mais intelectual de pesquisa musical, seja estudando os antigos, seja construindo uma nova forma de canto falado. O mentor Luiz Tatit, a musa Ná Ozetti, e os talentosos músicos que iriam criar posteriormente os mais consistentes trabalhos na área da música infantil, como Paulo Tatit (Palavra Cantada) e Hélio Ziskind (Meu Pé, Meu Querido Pé).

E teve a viola de Passoca, os sons valeparaibanos do Grupo Paranga, o rock dos primeiros integrantes dos Titãs e UItraje a Rigor. Até o Ira! passou por aquele palco, assim como os Inocentes, pioneiros punk de Sampa. E tinha o instrumental do Pau Brasil, do Nelson Ayres, o piano de Amilson Godoy, o trombonista Bocato, o percussionista Zé Eduardo Nazário, o multi Skowa, os latinos Raíces de America, as cordas do Duofel.

Um dos fundadores do Lira, Riba de Castro, está finalizando um documentário sobre este redemoinho musical que marcou a música dos anos 80 e influencia até hoje um monte de gente pelo Brasil. São dezenas de entrevistas com músicos, produtores, jornalistas, críticos e os ex-sócios da empreitada. Não sei como Riba dará conta de resumir tudo, mas certamente vem aí um dos mais importantes documentos da moderna música popular brasileira. Quem viver, verá. Quem viveu, reverá!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mais uma garimpada na rede

De uma entrevista de Chico César ao jornal O Povo, em 10 de novembro de 2006:

"Tem um disco lindo chamado Cabelos de Sansão, do Tiago Araripe, que já ouvi muito com Zeca Baleiro. Pena que não tenho CD disso, nem sei se saiu, e não posso mais ouvir. Esse disco é uma pedrada, antecipou muita coisa que nós e outros nordestinos faríamos depois. Grande Tiago..."

Graças a Zeca Baleiro, Rossana Decelso e à Saravá Discos, Chico César pôde ter o CD e voltar a ouvir Cabelos de Sansão... Muita gente também.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Catada na rede

Encontrei esta nota por acaso, na internet. Mais um ponto de vista (ou de audição) do disco Cabelos de Sansão.

E mais uma reflexão a respeito do tempo e da transformação...

Quando leio coisas assim/ é como se me visse/ além de mim.

Tiago Araripe

segunda-feira, 27 de abril de 2009

No Guia da Vila Madalena





Cabelos de Sansão, de Tiago Araripe


Tiago Araripe, que viveu durante muitos na Vila Madalena, se apresentou no dia 10 de março no pequeno palco da Fnac Pinheiros para o lançamento em CD do seu LP Cabelos de Sansão, lançado em 1982. Quando ele ainda morava aqui no bairro, se apresentava regularmente no Teatro Lira Paulistana, local que fez história no cenário musical dos anos 1980 e neste ano completaria 30 anos. Quem se empenhou para tornar realidade o CD foi o cantor Zeca Baleiro que resolveu relançar Cabelos de Sansão pela sua gravadora, a Saravá Discos. Ele fez a apresentação do CD: “Quando escutei o LP do Tiago Araripe, percebi uma sonoridade incomum, de cara prendeu minha atenção, assim como a voz aveludada do cantor”. Zeca Baleiro também participou do show de Tiago Araripe na FNAC.
Os longos cabelos daqueles anos 1980 ainda resistem na capa e Tiago Araripe, hoje mais calvo, mora e trabalha com publicidade em Recife (PE). O show foi uma oportunidade para os amigos e companheiros dos tempos do Teatro Lira Paulistana se encontrarem. Além do show, o lançamento do CD foi uma grande oportunidade para os amigos se reencontrarem depois de algum tempo. José Luiz de França Penna, colaborador do GUIA DA VILA MADALENA, hoje vereador de São Paulo e também parceiro de Tiago Araripe em ‘A Pororoca Vai Pegar Fogo’, o cineasta Hermano Penna entre outros, estiveram presentes no show que teve ‘Asa Linda’ (Little Wing, letra e música original de Jimi Hendrix na versão do poeta Augusto dos Anjos). “É muito importante voltar à São Paulo para lançar este meu trabalho”, afirmou Tiago Araripe.

terça-feira, 31 de março de 2009

Resumo da ópera

Vídeo inédito e novas fotos de pockets shows realizados por Tiago Araripe e convidados para o lançamento do CD Cabelos de Sansão (Saravá Discos).

FORTALEZA

(Vídeo:
Cena 7 Produções Audiovisuais)



RECIFE



CRATO

(Foto: Alemberg Quindins)




SÃO PAULO

(Fotos: Sergio Polignano)



Felipe Vagner, Felipe Avila, Tiago Araripe, Cid Campos, Pedro Cunha.



Tiago e Zeca Baleiro.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Nas ondas do rádio

No click de Sergio Polignano, autor da fotomontagem da capa de Cabelos de Sansão, cena do lançamento do CD da Saravá Discos em São Paulo: Felipe Avila, Tiago Araripe e Zeca Baleiro.

Entrevistas com Tiago Araripe

  • Dia 17 de março, das 13h às 14h, participação no programa Visita Vip, da Rádio USP. Para ouvir, acesse o site www.radio.usp.br

  • A qualquer momento, você pode ouvir aqui o podcast da entrevista feita por Vilmar Bittencourt para o programa RadarCultura, da Rádio Cultura AM.

Um depoimento

Feliz sincronicidade - convergência de acontecimentos simultâneos e naturalmente afins - determinou a recente viagem que fiz a São Paulo.

De um lado, o lançamento do meu disco “Cabelos de Sansão” em versão CD pela Saravá Discos. Do outro, a gravação para o documentário que está sendo produzido tendo em vista o aniversário de 30 anos do nascimento do Lira Paulistana. Na matriz de ambos os eventos, o movimento que impulsionou a música (e a cultura, de forma mais ampla) na Paulicéia do início dos anos 80, deflagrado pelo punhado de idealistas que fundou o Lira: Wilson Souto, Chico Pardal, Plínio Chaves, Fernando Alexandre, Riba de Castro. (”Cabelos” é o segundo disco lançado pelo Lira Paulistana, depois de “Beleléu” de Itamar Assumpção.)

E eis que volto à cena mais de duas décadas depois, como que assistindo a um filme fragmentado de tantas coisas que vivi em São Paulo, onde o capítulo Lira Paulistana é não apenas especial, como parece se reescrever ou reeditar. Reencontrar Riba, Wilson e Chico Pardal no mesmo ambiente em que revi músicos que participaram do “Cabelos de Sansão” - Cid Campos, Felipe Avila, Felipe Vagner, o parceiro José Luiz Penna, Passoca… - foi como voltar no tempo para ver o quanto o Lira estava à frente.

O trabalho de Zeca Baleiro, que redescobriu e relançou “Cabelos”, me soa como um dos sinais virtuais desse Lira que avançou além de sua época e que parece se recriar na Saravá Discos e onde houver indício de alternativas para quem busca trabalhar por uma produção cultural digna e não repetitiva. O Lira Paulistana ergueu pontes e transpôs barreiras geográficas, misturando no mesmo caldeirão de São Paulo artistas de diferentes Estados, variadas tendências e a mesma procura de espaço qualificado para expressar suas respectivas propostas.

O cearense que vos tecla sente-se honrado de fazer parte dessa história.

Tiago Araripe

terça-feira, 3 de março de 2009

No site da FNAC

O lançamento de Cabelos de Sansão em São Paulo já está na programação de março da FNAC Pinheiros. Para ver a agenda completa do mês, clique aqui.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Lira Paulistana faz história

Nas fotos, sócios do Lira Paulistana

Wilson Souto

Chico Pardal

Fernando Alexandre

Riba de Castro


As fotos acima foram publicadas originalmente no blog Documentário Lira Paulistana. Durante nove semanas, Riba de Castro (que atualmente mora em Barcelona) e equipe gravaram depoimentos de músicos, intérpretes, cineastas, teatrólogos, artistas plásticos, empresários, técnicos e colaboradores em geral. Em suma, toda uma gama de pessoas que de alguma forma utilizaram os espaços abertos pelo Lira Paulistana como forma de expressão. A última semana de gravação, neste mês de fevereiro, registrou o encontro dos ex-sócios do projeto (havia ainda um quinto sócio, Plínio Chaves, já não mais vivo). Um deles, Wilson Souto Júnior, produziu em 1982 o segundo disco do selo Lira Paulistana: Cabelos de Sansão.

No blog citado, pode-se ver a galeria de pessoas que estão participando do documentário e assistir ao making off de cada semana de gravação.

No próximo dia 6 de março, vôo para São Paulo com dupla missão: a) Participar da gravação do Documentário Lira Paulistana, a convite do Riba; b) Lançar na FNAC Pinheiros, dia 10 às 19h, o CD Cabelos de Sansão, remasterizado pelo selo Saravá Discos de Zeca Baleiro e Rossana Decelso.

Rever São Paulo, onde morei durante 23 anos e construí amizades marcantes, é reconectar com toda uma história de vida manifestada, mesmo que minimalisticamente, na música. Subirei ao palco da FNAC Pinheiros bem acompanhado por músicos que deram contribuição decisiva para a relaização de Cabelos de Sansão - seja na versão vinil ou na versão CD. Já estão confirmados os nomes de Zeca Baleiro, Cid Campos, Felipe Avila e Felipe Vagner (este, flautista e autor de arranjos memoráveis do disco, como o de Redemoinho).

Será um reencontro e tanto.

Tiago Araripe

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sinta-se convidado

Arte: Marcelo Barreto

Já foram confirmadas presenças musicais de Zeca Baleiro (parceiro que, com Rossana Decelso, relançou Cabelos de Sansão em CD), Cid Campos (parceiro de Estrela-do-Mar e ex-integrante dos grupos Papa Poluição e Sexo dos Anjos) e Felipe Avila (arranjador de Cine Cassino, ex-Sexo dos Anjos).

Espero respirar o ar da sua graça.

Tiago Araripe

domingo, 18 de janeiro de 2009

Um ano de Blog

Arte: André Soares

No dia 22 de janeiro, este Blog chega ao seu primeiro ano. E marca minha volta, de forma mais direta, à atividade musical.

Nestes 365 dias em que pude relembrar alguns momentos da trajetória de cantor e compositor, tendo como principal personagem o disco Cabelos de Sansão, exerci o ofício de memorialista como terapia, reconciliação com minha própria história de vida e ponte levadiça para encontros e reencontros com muitas pessoas.

O saldo tem sido muito positivo.

Este Blog se tornou viável graças à participação de muitos colaboradores, que agregaram a ele arte, memória, talento. E mais um componente fundamental a tudo isso: amizade.

As contribuições vieram dos mais diferentes lugares, das mais diversas pessoas às quais manifesto aqui a minha gratidão.

Em Fortaleza, tive o apoio da turma da Link: o diretor de arte Rodrigo Meireles, agora na Espanha; o arte-finalista André Luiz Sales, agora em Sergipe; e a recepcionista Conceição. Contei com fotos de Vanessa Cordeiro e de Genilson Lima, com edição de vídeo da Cariri Filmes do Rosemberg Cariry, com depoimento do cineasta e compositor Francis Vale e do radialista Nelson Augusto.

De São Paulo recebi colaboração preciosa da designer gráfica Andrea Pedro - autora da concepção gráfica do CD Cabelos de Sansão, a partir da releitura da capa do vinil original. Obtive depoimentos importantes dos ex-companheiros de Papa Poluição José Luiz Penna, Bill Soares (que forneceu também uma foto-ilustração) e Cid Campos (também ex-integrante do grupo Sexo dos Anjos), bem como do músico e arranjador Felipe Vagner, do guitarrista Felipe Avila (outro ex-Sexo dos Anjos), da cantora cearense Mona Gadelha, do psiquiatra e poeta Assis Lima e do cineasta Carlos Adriano. De lá também me vieram muitos comentários de Dalvinha Costa, que me enviou vídeo em que o parceiro Paulo Costa canta uma de nossas canções num festival francês de música.

De Toulouse, na França, chegaram depoimento de Paulo Costa - também ex-integrante do Papa Poluição - e muitas parcerias que me soam como trilha sonora na feitura deste Blog.

Do Rio de Janeiro veio o depoimento do psiquiatra e artista plástico Lula Wanderley, pernambucano que participou comigo do grupo recifense Nuvem 33.

Do Crato recebi fotos marcantes de Pachelly Jamacaru e depoimentos precisos de Carlos Rafael.

No Recife, tenho tido a colaboração pontual de profissionais da Link como o diretor de arte Marcelo Barreto e o arte-finalista Cláudio Cabral. Agradeço a Marcelo Soares, da Muzak, por me autorizar a fotografar a arte que ilustra esta postagem.

Manifesto sobretudo gratidão a Zeca Baleiro e Rossana Decelso que, relançando Cabelos de Sansão pela Saravá Discos, tornaram possível todo esse movimento registrado aqui no Blog. A Adriana Bueno, pela divulgação competente do CD, e a toda a equipe da Saravá.

Agradeço a todas as pessoas que ajudaram a tornar possível o lançamento do disco:
. em Fortaleza (Tadeo Feijão, Ana Valeska, Kennedy Saldanha, Zeca Baleiro, Nelson Augusto)
. no Recife (Fábio Cabral da Passa Disco, o violonista Leonardo César, as jornalistas Fabiana Galvão e Karla Barbosa pela divulgação profissional da Executiva Press e a Edson Barbosa e Sued Oliveira pelo apoio da Link Comunicação e Propaganda)
. no Crato (Alemberg Quindins, Rosiane Limaverde, Kaika Oliveira, Emerson Monteiro e o violonista João Neto).

(E agora que venha São Paulo.)

Agradeço também a Augusto de Campos, Décio Pignatari, José Luiz Penna, Tetê Espíndola, Tom Zé, Vânia Bastos, Wilson Souto Jr. e Wilson Bentos pelos depoimentos para divulgação do CD Cabelos de Sansão reproduzidos neste Blog. E a todos que contribuíram com a difusão do disco nos diversos estados brasileiros.

Grato a Ana Ruth, Clarissa, Lívia, Marina e Diogo, pelo apoio e inspiração de todas as horas.

E a todos os leitores que dão vida e movimento a este Blog, seja comentando ou simplesmente lendo os posts - ao todo 157 nestes doze meses. Foram mais de 6 mil acessos e 10.900 page views registrados no período - e muitos outros não contabilizados.

Aproveito para desejar um novo ano de transpiração, inspiração e realização para todos.

E vamos em frente.

Tiago Araripe

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Cenas de um lançamento - Crato (CE)

Foto: Alemberg Quindins

Noite de reencontro, com a produção de Alemberg Quindins (auxiliado por Kaika Oliveira) e apoio do Sesc Crato e dos jovens da Fundação Casa Grande que ali trabalham.

O formato interativo, com mediação do próprio Alemberg na platéia e de Emerson Monteiro no palco, possibilitou maior aproximação com as pessoas.

O suporte musical ficou por conta do músico caririense João Neto.

Abaixo retransmito textos e imagens publicados nos blogs CaririCult e Blog do Crato por Pachelly Jamacaru, que além de compositor e músico é um excelente fotógrafo. As fotos dele falam por si. (Tiago Araripe)


Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Cabelos de Sansão, por Pachelly Jamacaru

Numa noite descontraída, Tiago Araripe relança os CABELOS DE SANSÃO em sua terra! Parodiando (vão-se os anéis e ficam os dedos) podemos afirmar que Dalila, “o tempo”, não traiu Tiago, que mesmo sem os longos cabelos, mostrou que é no canto que está a sua força! Diminuído em tamanho mais crescido em seu legado, o LP, agora CD Cabelos de Sansão, sobrevive aos tempos pela obra musical que é. Tiago com simplicidade viajou no túnel do tempo e recontou junto ao público todo o histórico dos Cabelos de Sansão, até onde se deu o bendito resgate pelo genial Zeca Baleiro. O show foi conduzido pelo entrevistador Emerson Monteiro e posteriormente fora aberto ao público a oportunidade de interagir com Tiago. Vejam os Flashes do show:

Tudo azul com os Cabelos de Sansão...
Tiago assobia!

Tiago mostra que sua força não estava nos cabelos, porque está em sua voz!
Tiago toca, e toca o seu público!
Tiago convida, João do Crato e Abidoral Jamacaru comparecem!
Tiago solta a voz, o grande João Neto faz a cama harmônica!
Tiago e o público, conversa aberta!
Tiago em noite de autógrafos!


Fotos: Pachelly Jamacaru
"Diretos reservados"

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Do Blog CaririCult

Foto: Alemberg Quindins

O texto abaixo, publicado hoje no blog CaririCult, é um depoimento do músico caririense Marcos Vinícius Leonel, da banda Na Cacunda, sobre o lançamento de Cabelos de Sansão no Crato, Ceará.


Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Cabelos de Sansão – Tiago Araripe
A força continua presente

Ontem, dia 04 de janeiro de 09, foi o lançamento do CD remasterizado Cabelos de Sansão, de Tiago Araripe, editado pelo selo Saravá, de Zeca Baleiro. O palco escolhido foi o do teatro do Sesc em Crato. Foi um dia para rever amigos e relembrar momentos importantes de minha trajetória em São Paulo, na qual vivenciei todo o período de efervescência cultural da Lira Paulistana, em que esse trabalho de Tiago está inserido.

No início dos anos 80 a cidade de São Paulo foi arrebatada por uma cena artística musical revolucionária, com as tendências independentes apresentando suas alternativas de criação e difusão, enquanto que o esquemão apostava suas fichas na rebeldia fake do chamado brock e no pastiche pop da sonoridade plastificada dos Olivetes e Massadas da vida. Eram tempos de crise e de esperança, pois prenunciava no horizonte a concretização do fim da criminosa ditadura militar.

Além dos chavões de praxe, nomes como Ritchie; Itamar Assumpção; Absynto; Grupo Um; Radio Táxi; Aguilar e Banda Performática; Marquinhos Moura; Arrigo Barnabé; Tiago Araripe; Tetê Spíndola; Eliete Negreiros; Pé Ante Pé; Rumo; Premê; Língua de Trapo; RPM; Rosangela; Jessé; e tantos outros tragáveis e intragáveis dividiam inusitadamente o mesmo tanto que extremadamente as atenções e as intenções. Aparentemente havia espaço para todos, no entanto os independentes conquistavam terreno com unhas e dentes.

Para mim foi um momento de grandes descobertas e muito dinamismo. Por minha conta eu misturava, a partir de um radicalismo jamais repetido, Derrida e Lacan com Leonardo Boff e Ariano Suassuna; Zappa e Sun Ra com João do Vale e Elomar; Foucoult e Barthes com Leminsk e Mautner; Husker Dü e Sonic Youth com Medusa e Tiago Araripe; além de outras receitas mais insondáveis envolvendo de Blavatsky a Heisenberg, de Walter Smetack a Terj Rypdal. Tudo isso relembrado em lampejos, ouvindo Tiago Araripe falar mansamente sobre a sua trajetória em São Paulo e a concepção desse grande disco.

O LP foi lançado em 1982 e o cd remasterizado foi lançado no início de 2008. Só agora, no início de 2009 eu tive a oportunidade de colocar as mãos, os ouvidos, a alma e a mente sobre essa sonoridade, agora entendida por mim como transcendental, devido a tantos portais abertos e reabertos por esse autor que sempre esteve para mim tão próximo e tão anonimamente íntimo, seja através do Papa Poluição, que tive a oportunidade de assistir em Fortaleza e Recife, ou seja através das citações carinhosas e inúmeras dos seus companheiros Beto Carrera e Bill Soares, com quem convivi intensamente durante a montagem do show “Notícias Populares”, de Bá Freire.

O tratamento dado ao disco pelo selo de Zeca Baleiro é de uma elegância ímpar. São visíveis o carinho e o respeito ali depositados. Revisitar esse disco depois de tanto tempo, mais de vinte anos, é confirmar que os anos 80 deram frutos saborosos para quem soube enxergar. O disco é absurdamente atual, inclusive em seu senso de humor, como em Meg Magia, por exemplo, uma deliciosa crônica existencial. A musicalidade da banda Sexo dos Anjos permite a longevidade da estética de colagens de Cabelos de Sansão, bem como a lírica epicizante de Tiago garantem um perfeito senso de orientação entre tantas galáxias e nebulosas.

Quando eu ouvi pela primeira vez, no rádio, a música Coração Cometa, anunciada por Maurício Kubrusly, em um programa que ele tinha numa das rádios FM de São Paulo, – que não lembro qual e nem o nome do programa – em que ele apresentava raridades e novidades, bem como os independentes, eu senti que naquela voz existia uma força criativa sendo trabalhada. Naquele momento eu senti uma grande satisfação e euforia por identificar ali o Crato e o Cariri. Essa sensação eu não havia sentido no show de lançamento e nem nos outros dois shows que eu assisti dele naquele período. O rádio tem essa magia.

Quando eu ouvi ontem Tiago cantando Cabelos de Sansão, Cine Cassino, Fios da Light, Estrela-do-Mar, Redemoinho e Asa Linda eu senti que aquela força ainda estava ali, agora trabalhada e serena, convivendo equilibradamente entre o passado e o presente. Isso fez com que no palco brotassem novas flores e novos frutos em portais iridescentes, acomodados em uma áurea de sensatez e coerência contagiante. A busca espiritual tem essa magia.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Notícias do lançamento no Recife - Folha de Pernambuco

Tiago Araripe relança álbum na Passa Disco

Thiago Corrêa

As facilidades em baixar música pela internet têm diminuído a importância das capas para os discos. Como que para relembrar a época onde a arte gráfica tinha papel fundamental nas obras musicais, ressurge o álbum “Cabelos de Sansão”, do cearense Tiago Araripe, que será relançado hoje, às 19h, na loja Passa Disco. O artista fará a apresentação com o violonista Leonardo César da Silva.

Gravado em 1982, o disco está sendo relançado pelo selo Saravá, de Zeca Baleiro, que descobriu a bolacha porque ficou impressionado com a imagem de um cabeludo cavalgando um leão impressa na capa. Assim como a imagem sugere, o álbum é carregado de uma liberdade criativa fundamentada no espírito hippie e com fortes influências do Tropicalismo.

A sonoridade é datada, não no sentido pejorativo, mas no que remete ao universo do desbunde dos anos 80, dialogando com obras de Caetano Veloso, Ney Matogrosso, A Cor do Som e Di Melo. As músicas são bem trabalhadas, traz participações especiais de Tetê Espíndola e Itamar Assumpção, e faz referências a ritmos indígenas, maracatu e forró.

Folha de Pernambuco, 27 de novembro de 2008

Notícias do lançamento no Recife - Jornal do Commercio

» RELANÇAMENTO

Tiago Araripe está
de volta à música


Publicado em 27.11.2008

Compositor que fez parte do coletivo Nuvem 33 nos anos 70 e depois integrou a vanguarda paulistana relança Cabelo de Sansão


José Teles

teles@jc.com.br

Quem vê o cearense Tiago Araripe hoje, cinquentão, calvo, discreto no vestir, jamais irá imaginar que se trata do mesmo que, nos idos de 72 agitou a cena musical pernambucana no coletivo Nuvem 33, com o Laboratório de Sons Estranhos, o grupo mais performático daquela movimentação udigrudi. Em 1973, araripe foi para São Paulo, onde ajudou a formar a banda Papa Poluição, que marcou época na cidade. Na década de 70, foi parceiro de Tom Zé, de Cid Campos, do pai deste, Augusto de Campos. Tiago esteve envolvido na maioria das elucubrações acontecidas na paulicéia desvairada, que acabaram desaguando no começo dos 80, no que se convnecionou chamar de Vanguarda Paulista, e no primeiro selo independente importante do País, o Lira Paulistana. Seu disco Cabelos de Sansão, que relança hoje, às 19h, na Passa Disco, foi o segundo título do Lira.

O relançamento acontece graças a Zeca Baleiro, admirador do trabalho de Tiago Araripe, e que o abrigou em seu selo, o Saravá Discos. Um relançamento que deve levá-lo de volta ao estúdio. “É um resgate importante em dois níveis: primeiro, por dar oportunidade às novas gerações de ter acesso a iniciativas raras como a do Lira Paulistana no início dos anos 80, e da Saravá Discos agora. Nos dois casos, são espaços abertos para trabalhos à margem das grandes gravadoras, reveladores de outras formas de vida – no sentido de valorização da diversidade cultural. Na época do LP, era difícil classificar qual era exatamente o tipo de música que eu fazia – o mercado formal não estava preparado para vender essa indefinição”, comenta Araripe.

Passados 35 anos, ele recomeça a carreira de músico, que trocou pela publicidade. “É significativo estar de volta ao Recife, onde a viagem musical começou. O relançamento de Cabelos de Sansão abre possibilidades para outro disco, capaz de revelar composições armazenadas ao longo do tempo – inclusive parcerias com Zeca Baleiro. O resgate de Zeca é importante também do ponto de vista pessoal, ao me possibilitar uma reconexão com minha própria história de vida. A leitura que ele faz do disco começou a me mostrar novas possibilidades, indicando que o esforço não foi em vão”, diz Tiago.

Como é de praxe nos lançamentos na Passa Disco, a sessão de autógrafo será acompanhada de um pocket show, de Tiago Araripe com o violonista Leonardo César da Silva: “Vou apresentar um punhado de canções de Cabelos de Sansão. Algum elemento surpresa é sempre possível – e será sempre bem-vindo”, diz ele.

» Sessão de autógrafos e pocket show do CD Cabelos de Sansão, de Tiago Araripe, a partir das 19h, na Passa Disco (Estrada do Encanamento, 480, Parnamirim). Outras informações: 3268.0888.




quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Repercussão de Cabelos... no Maranhão

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TRIBUNA CULTURAL
por Zema Ribeiro

QUANDO A FORÇA ESTÁ NA MÚSICA

Saravá Discos, selo de Zeca Baleiro, relança o antológico Cabelos de Sansão, estréia do cearense Tiago Araripe.

(Clique na coluna
ao lado para ler
na íntegra o texto
publicado esta semana
no jornal maranhense
Tribuna do Nordeste
e replicado no blog
do autor, Zema Ribeiro.)