domingo, 2 de março de 2008

Estréia no estúdio, por Bill Soares

Naquele dia o meu coração teimava em bater no contratempo... Era a realização do sonho de um menino que saíra de Recife, onde ainda adolescente já trabalhava com sua banda The Lions no programa ao vivo Cidade Encantada, com a apresentadora Linda Maria (na passagem dos anos 60 para os 70). Entrar no estúdio da gravadora Chantecler/Continental para gravar o primeiro disco, que maravilha! Jamais eu poderia imaginar que ali estava para começar a experiência mais importante (e tensa) da minha jovem carreira artística.

O estúdio Gravodisc (mais usado para gravar música sertaneja) tinha apenas quatro canais. Carvalho, o produtor, falava que bateria, baixo e guitarra deviam ser gravados ao mesmo tempo, como se fosse ao vivo. Ah! Ainda tínhamos que arrumar um jeitinho de enfiar a percussão lá sem queimar canais, como falavam naquele tempo... Feito isso seriam gravadas as coberturas, guitarra solo e, por último, voz e vocais. Tudo isso cheio de manhas, como o posicionamento diante dos microfones, os músicos uns por cima do outro ou a metros de distância entre si, tapadeiras tipo biombo etc. Tudo para que a emissão de um instrumento ou uma voz mais potente não sobressaísse. Uma cena circense...

O coração começou a bater muito forte e de forma irregular, tirando o sincronismo e a pegada rítmica que fez do contrabaixo um instrumento tão importante nos nossos arranjos. Os integrantes da banda estavam todos com os olhos grudados em minhas mãos, que teimavam em não obedecer a tudo que havíamos ensaiado... E nós tínhamos tudo na ponta dos dedos: ensaiávamos de segunda a sábado, ano após ano, em média quatro horas por dia sem falhar. Fazíamos os shows com os olhos fechados e os pés nas costas...

Na verdade, os integrantes da banda torciam para que um após o outro conseguíssemos tocar sem erros, com um mínimo de repetição possível, pois o tempo disponível em estúdio era limitado, e para um artista iniciante como eu parecia ainda mais curto. Dos seis integrantes da banda, só o Paulinho tinha boa experiência em estúdio de gravação, seguido do Xico Carlos.

Depois de muitas repetições (quando eu comemorava o meu acerto a bateria não tinha ficado tão boa), finalmente foi ouvido o grito: OK, valeu! Valeu! Lindo! Próxima...

Ao final, comemoramos todos como uma final de campeonato. Uma experiência única e inesquecível! Senti-me ótimo! Fiquei me achando... Esse dia foi um dos mais importantes na minha formação como pessoa e como profissional.

Bill Soares

Na imagem, auto-retrato do Bill.

6 comentários:

Dalvinha disse...

Bill vc é maravilhoso o Papa Poluição não poderia ter um baixista melhor e mais antenado que você.Tiago om ver você fazendo a gente lembrar de pessoas tão queridas....e tem mais né? beijos

Dalvinha

Cabelos de Sansão disse...

E neste dia 4 é aniversário do homi, Dalvinha. Desejo a ele um bom baixo e muitos altos!

Marcos Vinícius Leonel disse...

Bil Soares, grande cara,
saudades suas meu camarada, dos tempos que acampei em sua casa lembro de muitos ensinamentos, dos ensaios do show notícias populares de Bá Freire, do seu trabalho de artes plásticas. Grande tempo.
Um abraço, irmão
Marcos Vinicius Leonel

Cabelos de Sansão disse...

marcos vinícius, bill,
onde está o bá freire?
há algum tempo o rosemberg me mostrou uma gravação do bá com um grupo europeu. depois não tive mais notícia...

bill soares disse...

bá freire está morando em israel, faz alguns anos... tenho falado com ele por msn.faz música brasileira lá... e aí em cima o leonel, grande poeta!!!! tentei contato com ele no blog lá do cariri, não tive sucesso... agora, ó o cara aí!!!! não se perca leonel!!!

Marcos Vinícius Leonel disse...

Pois é, também soube por amigos que Bá está nessa onda, em Israel.
Bill, cara, é prazer ter contato com você, pelo menos indiretamente, hehehehe.
É mais fácil vc me encontrar no blog http://cariricult.blogspot.com/
meu e-mail é profmarcosleonel@hotmail.com.br
é como você diz Tiago, são muitos links,
valeu cara
Um grande abraço