domingo, 18 de janeiro de 2009

Um ano de Blog

Arte: André Soares

No dia 22 de janeiro, este Blog chega ao seu primeiro ano. E marca minha volta, de forma mais direta, à atividade musical.

Nestes 365 dias em que pude relembrar alguns momentos da trajetória de cantor e compositor, tendo como principal personagem o disco Cabelos de Sansão, exerci o ofício de memorialista como terapia, reconciliação com minha própria história de vida e ponte levadiça para encontros e reencontros com muitas pessoas.

O saldo tem sido muito positivo.

Este Blog se tornou viável graças à participação de muitos colaboradores, que agregaram a ele arte, memória, talento. E mais um componente fundamental a tudo isso: amizade.

As contribuições vieram dos mais diferentes lugares, das mais diversas pessoas às quais manifesto aqui a minha gratidão.

Em Fortaleza, tive o apoio da turma da Link: o diretor de arte Rodrigo Meireles, agora na Espanha; o arte-finalista André Luiz Sales, agora em Sergipe; e a recepcionista Conceição. Contei com fotos de Vanessa Cordeiro e de Genilson Lima, com edição de vídeo da Cariri Filmes do Rosemberg Cariry, com depoimento do cineasta e compositor Francis Vale e do radialista Nelson Augusto.

De São Paulo recebi colaboração preciosa da designer gráfica Andrea Pedro - autora da concepção gráfica do CD Cabelos de Sansão, a partir da releitura da capa do vinil original. Obtive depoimentos importantes dos ex-companheiros de Papa Poluição José Luiz Penna, Bill Soares (que forneceu também uma foto-ilustração) e Cid Campos (também ex-integrante do grupo Sexo dos Anjos), bem como do músico e arranjador Felipe Vagner, do guitarrista Felipe Avila (outro ex-Sexo dos Anjos), da cantora cearense Mona Gadelha, do psiquiatra e poeta Assis Lima e do cineasta Carlos Adriano. De lá também me vieram muitos comentários de Dalvinha Costa, que me enviou vídeo em que o parceiro Paulo Costa canta uma de nossas canções num festival francês de música.

De Toulouse, na França, chegaram depoimento de Paulo Costa - também ex-integrante do Papa Poluição - e muitas parcerias que me soam como trilha sonora na feitura deste Blog.

Do Rio de Janeiro veio o depoimento do psiquiatra e artista plástico Lula Wanderley, pernambucano que participou comigo do grupo recifense Nuvem 33.

Do Crato recebi fotos marcantes de Pachelly Jamacaru e depoimentos precisos de Carlos Rafael.

No Recife, tenho tido a colaboração pontual de profissionais da Link como o diretor de arte Marcelo Barreto e o arte-finalista Cláudio Cabral. Agradeço a Marcelo Soares, da Muzak, por me autorizar a fotografar a arte que ilustra esta postagem.

Manifesto sobretudo gratidão a Zeca Baleiro e Rossana Decelso que, relançando Cabelos de Sansão pela Saravá Discos, tornaram possível todo esse movimento registrado aqui no Blog. A Adriana Bueno, pela divulgação competente do CD, e a toda a equipe da Saravá.

Agradeço a todas as pessoas que ajudaram a tornar possível o lançamento do disco:
. em Fortaleza (Tadeo Feijão, Ana Valeska, Kennedy Saldanha, Zeca Baleiro, Nelson Augusto)
. no Recife (Fábio Cabral da Passa Disco, o violonista Leonardo César, as jornalistas Fabiana Galvão e Karla Barbosa pela divulgação profissional da Executiva Press e a Edson Barbosa e Sued Oliveira pelo apoio da Link Comunicação e Propaganda)
. no Crato (Alemberg Quindins, Rosiane Limaverde, Kaika Oliveira, Emerson Monteiro e o violonista João Neto).

(E agora que venha São Paulo.)

Agradeço também a Augusto de Campos, Décio Pignatari, José Luiz Penna, Tetê Espíndola, Tom Zé, Vânia Bastos, Wilson Souto Jr. e Wilson Bentos pelos depoimentos para divulgação do CD Cabelos de Sansão reproduzidos neste Blog. E a todos que contribuíram com a difusão do disco nos diversos estados brasileiros.

Grato a Ana Ruth, Clarissa, Lívia, Marina e Diogo, pelo apoio e inspiração de todas as horas.

E a todos os leitores que dão vida e movimento a este Blog, seja comentando ou simplesmente lendo os posts - ao todo 157 nestes doze meses. Foram mais de 6 mil acessos e 10.900 page views registrados no período - e muitos outros não contabilizados.

Aproveito para desejar um novo ano de transpiração, inspiração e realização para todos.

E vamos em frente.

Tiago Araripe

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Cenas de um lançamento - Crato (CE)

Foto: Alemberg Quindins

Noite de reencontro, com a produção de Alemberg Quindins (auxiliado por Kaika Oliveira) e apoio do Sesc Crato e dos jovens da Fundação Casa Grande que ali trabalham.

O formato interativo, com mediação do próprio Alemberg na platéia e de Emerson Monteiro no palco, possibilitou maior aproximação com as pessoas.

O suporte musical ficou por conta do músico caririense João Neto.

Abaixo retransmito textos e imagens publicados nos blogs CaririCult e Blog do Crato por Pachelly Jamacaru, que além de compositor e músico é um excelente fotógrafo. As fotos dele falam por si. (Tiago Araripe)


Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Cabelos de Sansão, por Pachelly Jamacaru

Numa noite descontraída, Tiago Araripe relança os CABELOS DE SANSÃO em sua terra! Parodiando (vão-se os anéis e ficam os dedos) podemos afirmar que Dalila, “o tempo”, não traiu Tiago, que mesmo sem os longos cabelos, mostrou que é no canto que está a sua força! Diminuído em tamanho mais crescido em seu legado, o LP, agora CD Cabelos de Sansão, sobrevive aos tempos pela obra musical que é. Tiago com simplicidade viajou no túnel do tempo e recontou junto ao público todo o histórico dos Cabelos de Sansão, até onde se deu o bendito resgate pelo genial Zeca Baleiro. O show foi conduzido pelo entrevistador Emerson Monteiro e posteriormente fora aberto ao público a oportunidade de interagir com Tiago. Vejam os Flashes do show:

Tudo azul com os Cabelos de Sansão...
Tiago assobia!

Tiago mostra que sua força não estava nos cabelos, porque está em sua voz!
Tiago toca, e toca o seu público!
Tiago convida, João do Crato e Abidoral Jamacaru comparecem!
Tiago solta a voz, o grande João Neto faz a cama harmônica!
Tiago e o público, conversa aberta!
Tiago em noite de autógrafos!


Fotos: Pachelly Jamacaru
"Diretos reservados"

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Do Blog CaririCult

Foto: Alemberg Quindins

O texto abaixo, publicado hoje no blog CaririCult, é um depoimento do músico caririense Marcos Vinícius Leonel, da banda Na Cacunda, sobre o lançamento de Cabelos de Sansão no Crato, Ceará.


Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Cabelos de Sansão – Tiago Araripe
A força continua presente

Ontem, dia 04 de janeiro de 09, foi o lançamento do CD remasterizado Cabelos de Sansão, de Tiago Araripe, editado pelo selo Saravá, de Zeca Baleiro. O palco escolhido foi o do teatro do Sesc em Crato. Foi um dia para rever amigos e relembrar momentos importantes de minha trajetória em São Paulo, na qual vivenciei todo o período de efervescência cultural da Lira Paulistana, em que esse trabalho de Tiago está inserido.

No início dos anos 80 a cidade de São Paulo foi arrebatada por uma cena artística musical revolucionária, com as tendências independentes apresentando suas alternativas de criação e difusão, enquanto que o esquemão apostava suas fichas na rebeldia fake do chamado brock e no pastiche pop da sonoridade plastificada dos Olivetes e Massadas da vida. Eram tempos de crise e de esperança, pois prenunciava no horizonte a concretização do fim da criminosa ditadura militar.

Além dos chavões de praxe, nomes como Ritchie; Itamar Assumpção; Absynto; Grupo Um; Radio Táxi; Aguilar e Banda Performática; Marquinhos Moura; Arrigo Barnabé; Tiago Araripe; Tetê Spíndola; Eliete Negreiros; Pé Ante Pé; Rumo; Premê; Língua de Trapo; RPM; Rosangela; Jessé; e tantos outros tragáveis e intragáveis dividiam inusitadamente o mesmo tanto que extremadamente as atenções e as intenções. Aparentemente havia espaço para todos, no entanto os independentes conquistavam terreno com unhas e dentes.

Para mim foi um momento de grandes descobertas e muito dinamismo. Por minha conta eu misturava, a partir de um radicalismo jamais repetido, Derrida e Lacan com Leonardo Boff e Ariano Suassuna; Zappa e Sun Ra com João do Vale e Elomar; Foucoult e Barthes com Leminsk e Mautner; Husker Dü e Sonic Youth com Medusa e Tiago Araripe; além de outras receitas mais insondáveis envolvendo de Blavatsky a Heisenberg, de Walter Smetack a Terj Rypdal. Tudo isso relembrado em lampejos, ouvindo Tiago Araripe falar mansamente sobre a sua trajetória em São Paulo e a concepção desse grande disco.

O LP foi lançado em 1982 e o cd remasterizado foi lançado no início de 2008. Só agora, no início de 2009 eu tive a oportunidade de colocar as mãos, os ouvidos, a alma e a mente sobre essa sonoridade, agora entendida por mim como transcendental, devido a tantos portais abertos e reabertos por esse autor que sempre esteve para mim tão próximo e tão anonimamente íntimo, seja através do Papa Poluição, que tive a oportunidade de assistir em Fortaleza e Recife, ou seja através das citações carinhosas e inúmeras dos seus companheiros Beto Carrera e Bill Soares, com quem convivi intensamente durante a montagem do show “Notícias Populares”, de Bá Freire.

O tratamento dado ao disco pelo selo de Zeca Baleiro é de uma elegância ímpar. São visíveis o carinho e o respeito ali depositados. Revisitar esse disco depois de tanto tempo, mais de vinte anos, é confirmar que os anos 80 deram frutos saborosos para quem soube enxergar. O disco é absurdamente atual, inclusive em seu senso de humor, como em Meg Magia, por exemplo, uma deliciosa crônica existencial. A musicalidade da banda Sexo dos Anjos permite a longevidade da estética de colagens de Cabelos de Sansão, bem como a lírica epicizante de Tiago garantem um perfeito senso de orientação entre tantas galáxias e nebulosas.

Quando eu ouvi pela primeira vez, no rádio, a música Coração Cometa, anunciada por Maurício Kubrusly, em um programa que ele tinha numa das rádios FM de São Paulo, – que não lembro qual e nem o nome do programa – em que ele apresentava raridades e novidades, bem como os independentes, eu senti que naquela voz existia uma força criativa sendo trabalhada. Naquele momento eu senti uma grande satisfação e euforia por identificar ali o Crato e o Cariri. Essa sensação eu não havia sentido no show de lançamento e nem nos outros dois shows que eu assisti dele naquele período. O rádio tem essa magia.

Quando eu ouvi ontem Tiago cantando Cabelos de Sansão, Cine Cassino, Fios da Light, Estrela-do-Mar, Redemoinho e Asa Linda eu senti que aquela força ainda estava ali, agora trabalhada e serena, convivendo equilibradamente entre o passado e o presente. Isso fez com que no palco brotassem novas flores e novos frutos em portais iridescentes, acomodados em uma áurea de sensatez e coerência contagiante. A busca espiritual tem essa magia.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Entre os 10 mais da Zero Hora (RS)

Olhaí, Cabelos de Sansão na boa companhia de discos de talentos como Carlos Lyra, João Donato, Marcos Vale, Roberto Menescal, Jards Macalé, Luiz Melodia, Joyce e Milton Nacimento.

A boa nova vem de Porto Alegre, uma das capitais brasileiras (juntamente com Fortaleza) que melhor acolheram o vinil Cabelos de Sansão, quando este foi lançado em 1982 pelo selo Lira Paulistana.

Mais detalhes aqui.

Saravá, Porto Alegre!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Jurado no Juqueri

Outro dia recebi o livro Poemas Arcanos, do meu amigo Assis Lima. Cratense da mesma forma que eu, Assis mora em São Paulo de onde mantém consistente produção cultural que abrange literatura, música e teatro, passando tembém pelo cinema e a pesquisa de cultura.

Com o escritor cearense Ronaldo Brito e o músico pernambucano Antônio Madureira, produziu uma série de discos pelo antigo selo Eldorado, que oferecem às crianças alternativa original à música de massa que em muitos momentos mesmeriza a imaginação infantil e ameaça a paciência dos pais.

Discos como o Baile do Menino Deus, que retomam as tradições culturais nordestinas mostrando uma perspectiva brasileira do Natal, continuam sendo vendidos até hoje - e a peça teatral correspondente é encenada todos os anos em capitais nordestinas. (Outro dia entrei numa loja de discos do Recife e estava tocando o CD do Baile...).

Mas o que isso tem a ver com o Hospital Psiquiátrico Juqueri da foto, segundo a Wikipídia "uma das mais antigas e maiores colônias psiquiátricas do Brasil, localizada em Franco da Rocha", município do estado de São Paulo?

Primeiro, porque o Juqueri também é cultura - basta ver a vasta produção artística de internos da instituição. Um deles, eu soube na época, causou impressão tão forte em Salvador Dali que este o convidou para um período na Espanha.

Depois porque Assis Lima é também psiquiatra e, durante sete anos, trabalhou no setor de perícia daquele antigo Manicômico Judiciário - hoje denominado Hospital de Custódia e Tratamento André Teixeira Lima. E no livro Poemas Arcanos, um dos poemas se chama justamente Juqueri.

Em algum dia de 1981, recebo um convite surpreendente de Assis: queria que eu fosse jurado de um festival de música dos internos do manicômio. O evento foi organizado pelas duas profissionais que hoje dirigem, cada uma, as duas unidades que restaram daquela instituição.

Pois bem. No dia marcado fazia uma bela manhã de sol, o que me animou a conhecer de perto o famoso Juqueri. Lembro-me vagamente de ter tomado um trem até Franco da Rocha.

Ao chegar ao Manicômico, Assis me fez uma rápida apresentação do Hospital. Fiquei impressionado com o ambiente de trabalho dele: um consultório que seria como outro qualquer, não fossem as grossas grades nas janelas e porta.

Vi também alguns quadros pintados pelos internos - muitos deles de surpreendente beleza.

Em seguida nos dirigimos a uma espécie de quadra, onde todos já estavam a postos para o início do festival. Uma a uma, foram apresentadas as músicas concorrentes ao primeiro prêmio. Os músicos também eram internos. Lembro que me chamaram a atenção o guitarrista sem um dente sequer na boca, e a música que cantou - que, de certa forma, descrevia os motivos que o levaram a perder a sanidade mental, abandonado pela mulher.

Depois aconteceu algo que não estava no script. Enquanto se procedia à apuração dos votos, a comissão organizadora solicitou a alguns jurados - inclusive a mim - que cantasse para aquele inusitado público. Entre eles estavam nomes como Renato Teixeira e Venâncio (da dupla Venâncio e Corumba), que prontamente atenderam ao pedido da organização.

Quando chegou a minha vez, estava acontecendo uma daquelas célebres viradas de tempo que tanto caracterizam São Paulo. O sol radiante se fôra, e começava a esfriar para valer. Eu tremia, pois vestia apenas uma camiseta leve. Fui socorrido por Assis, que mandou buscar no almoxarifado uma espécie de blazer preto que todos os internos usavam.

Subi ao palco com aquela indumentária, o que me fez ser muito aplaudido. Para todos os efeitos, eu agora era um deles!

Uma das canções que cantei foi Coração Cometa, parceria com Jorge Alfredo que abre o disco Cabelos de Sansão. Querendo melhor suprir a memória a respeito das razões daquele festival, escrevi a Assis e, entre outras coisas, ele me respondeu:

"...não estou bem certo da motivação específica do festival. Acredito que era pelo momento de renovação de mentalidade e de humanização, veiculada pelo juiz Laércio Talli, que liberou centenas de internos que estavam confinados há mais de 20 anos, por pretensa periculosidade superior à de doentes mentais comuns. Ele contrariou os pareceres dos velhos colegas que faziam uma escola muito conservadora lá. Fique fã desse juiz. Um detalhe eu lembro: da cara de felicidade que ele fez quando tu começaste a cantar aquela tua música (faixa 1 do teu CD, se não me engano): Coloquei o meu ouvido bem colado rente ao chão/pra escutar na terra o cantar da natureza... Desculpe se me atrapalhei nas palavras da letra, pois gosto bastante do Coração Cometa".

Depois da apresentação, uma interna segurou meu braço e disse com visível alegria: "Agora você não sai mais daqui". Outros vieram, animados com o fato de eu ter longos cabelos, ser músico e estar vestindo o uninorme deles, me confidenciar suas dores ou mesmo pedir "um fuminho".

Dizem que de perto ninguém é normal. Mas ao conviver por aqueles breves momentos com os internos do Manicômio do Juqueri, vi que eram mais normais do que muita gente...

Tiago Araripe

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Asas lindas de Little Wing - Escolha a sua

Cinco versões de Little Wing. Com o autor Jimi Hendrix...



... The Coors...



... Eric Clapton e Sheryl Crow...



... Sting...



... e Stanley Jordan em Madrid. (Aqui vale um parênteses. Recentemente fui ver o guitarrista no Teatro Santa Isabel do Recife. Stanley Jordan entra em cena sozinho e abre a noite disparando uma belíssima interpretação de Little Wing. Emocionante.)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Cenas de um lançamento - Recife

Imagens do lançamento de Cabelos de Sansão no Recife, tendo como cenário o shopping Sítio da Trindade, onde fica a loja Passa Disco.

Espaço a céu aberto, a iluminação natalina fazendo contraponto à noite estrelada.

No acompanhamento musical, o violonista pernambucano Leonardo César.

As boas surpresas ficaram por conta das presenças forrozeiras de artistas como Santanna o Cantador e Dudu do Acordeon (foto acima).



E dia 4 de janeiro estarei no Cariri, onde tenho espaço marcado no Sesc Crato.





Saudações nordestinas.

Tiago Araripe

domingo, 7 de dezembro de 2008

No meu Cariri

Arte: Marcelo Barreto

De volta ao começo. Mais uma vez.

No próximo dia 4 de janeiro, o cenário do lançamento de Cabelos de Sansão não poderia ser mais acolhedor: a cidade cearense do Crato, no sopé da Chapada do Araripe. A região é o Cariri, reconhecido pólo cultural que abrange desde a tradição popular de Patativa do Assaré, bandas cabaçais, reisados, cocos, maneiro-pau, penitentes, ceramistas, xilógrafos até a sofisticação de trabalhos como o do artista plástico Sérvulo Esmeraldo, do cineasta Hermano Penna, . Sem falar numa surpreendente escola de comunicação para crianças e jovens em pleno sertão de Nova Olinda: a Fundação Casa Grande.

Dia 4 de janeiro, 20h, Sesc Crato, Rua André Cartaxo, 483, Centro do Crato.

Espero encontrar você.

Tiago Araripe

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Poesia cantada

O poeta e parceiro musical Ricardo Alcântara realiza, neste domingo em Fortaleza, show de lançamento do seu CD Canções do Eterno Agora.

Na ficha técnica, os intérpretes Amelinha, Téti, David Duarte, Lúcio Ricardo, Edmar Gonçalves, Calé Alencar e Marcos Lessa.

A poesia cantada de Ricardo Alcântara é burilada e precisa, para ser degustada agora e sempre.

Tiago Araripe

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Notícias do lançamento no Recife - Diário de Pernambuco

PASSA DISCO

Cabelos de Sansão é som de vanguarda

Michelle de Assumpção

michelle.assumpcao@diariodepernambuco.com.br

O (re)lançamento do CD Cabelos de Sansão, do cearense Tiago Araripe, tem uma história talvez mais interessante do que o próprio conjunto de canções que reaparecem 26 anos depois. Antes de mais nada, elas continuam fazendo a linha "esquisitas", experimentais, completamente fora do gosto comercial. Hoje, aos 56 anos, o cantor e compositor trabalha com publicidade e propaganda em Fortaleza, mas não abandonou a música. Ao contrário, deve até gravar outra produção. O responsável pela volta de Tiago foi Zeca Baleiro. O CD remasterizado, que traz a capa original, será lançado hoje, a partir das 19h, na loja Passa Disco (Shopping Sítio Trindade).

O gosto do compositor maranhense pelo trabalho de Tiago, que na época do CD integrava a turma da vanguarda de São Paulo, movimento conhecido como Lira Paulistana, vem de 1986. Foi nesse ano que, procurando discos numa loja, Baleiro deparou-se com uma capa interessante que o fez comprar o LP: um homem, magro, de cabelos compridos, cavalgando um leão em pleno espaço sideral. Foi amor à primeira audição. Em oposição a toda a massificação das baladas dos anos 80, Tiago revivia o tropicalisamo, o psicodelismo e o rock nordestino de influências regionais - no seu caso, as tradições populares da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, o reisado e o maneiro-pau.

Zeca Baleiro demorou para conhecer Tiago. Certa vez, durante um show em Fortaleza, pediu à sua produção que o localizasse. Os dois tornaram-se parceiros e, tempos depois, o músico maranhense resolveu relançar Cabelos de Sansão, o álbum que tanto o impressionou. Hoje à noite, o cantor apresenta músicas do álbum ao lado do violonista Leonardo César da Silva. O disco estará à venda por R$ 20. Fone: 3268-0888.

Diário de Pernambuco, 27 de novembro de 2008