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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Pizza não é cultura

Uma das últimas incursões do Papa Poluição em São Paulo foi mais que um show: foi uma espécie de movimento cultural para salvar o Teatro 13 de Maio. Afinal aquele era um dos principais espaços de música na cidade. Foi lá que assisti shows como o de lançamento do Moto Perpétuo, grupo que praticamente lançou Guilherme Arantes, e da banda de rock Joelho de Porco, integrada por Tico Terpins (anos depois, no estúdio Áudio Patrulha do Tico e do Zé Rodrix, eu gravaria Cabelos de Sansão).

Pois bem. O Teatro 13 de Maio estava prestes a se tornar uma pizzaria, e precisávamos fazer algo. Conseguimos algumas datas na pauta do teatro ameaçado. E então começamos a mobilizar músicos e poetas para tentar impedir o fechamento daquele espaço. Acorreram artistas como Jorge Mautner e Eliete Negreiros, que se alternaram ao Papa Poluição nas apresentações musicais. Poetas organizaram uma exposição de livros no saguão do teatro. Disponibilizamos diversos tubos de spay para o público pichar as paredes da casa (uma das frases anônimas que resultou disso tudo é a que dá título a este post).

Conseguimos aumentar a sobrevida do Teatro 13 de Maio por alguns meses, ao que me lembro. Hoje, pelo que vi na internet, no local está instalado um café. A Dalvinha, irmã do Paulo Costa, me lembrou esses dias que foi o Papa Poluição que fez o show de fechamento do Teatro. O nome do show: Venha passar o Natal com o Papa.

Num país de tantas CPIs que acabam em pizza, mas tão rico de manifestações artísticas e culturais, ficou aquele toque marcado em spray na memória: "Pizza não é cultura".


Tiago Araripe


Montagem fotográfica (da esquerda para a direita): Em cima, Beto Carrera, Bill Soares, José Luiz Penna; embaixo, Paulo Costa, Tiago Araripe, Xico Carlos.