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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Mais um mergulho no fundo do baú

Não se trata de saudosismo. Mas já que Cabelos de Sansão está sendo relançado, traz no seu vácuo essa pré-história da qual faz parte o compacto simples acima. Os cabelos, que já se foram, afloram agora como se sob a ação de algum tônico capilar miraculoso.

Mera virtualidade.

E aí está meu segundo disco, lançado pela Odeon também em 1974. O escritório da gravadora era pequeno mas arrumado, localizado na área da Boca do Lixo, em São Paulo. Aliás, algumas gravadoras ficavam localizadas ali.

No casting da Odeon havia nomes como Egberto Gismonti e Leny Andrade, com quem eu me deparava de vez em quando (a Leny chegou a me pedir uma composição).

Do disco participam, entre outros nomes arregimentados pela gravadora, músicos que viriam a formar comigo, no ano seguinte, o grupo Papa Poluição: José Luiz Penna, Paulo Costa e Xico Carlos. A faixa Sodoma e Gomorra, canção de toques surrealistas que chegou a tocar em rádios do interior de São Paulo e fez algum sucesso no Crato onde nasci, tem a participação de integrantes da Traditional Jazz Band.

A foto da capa é do cineasta cearense (também do Crato) Hermano Penna. Os arranjos são do maestro José Briamonte, arranjador do antológico disco Estudando o Samba de Tom Zé, lançado dois anos depois, onde na faixa Índice são também parceiros.

E vamos chegando à tona, que respirar é preciso.

Tiago Araripe