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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Novos ângulos do show na Casa das Rosas

Fotos: Clarissa Araripe

No saguão da Casa das Rosas (e nas duas salas contíguas), seleto público de todas as idades: do homenageado Augusto de Campos (terceiro da primeira fila), 80 anos, ao meu neto Miguel, 6 (sentado no chão, com o pai).

Na foto abaixo, na companhia luxuosa dos músicos Felipe Avila (guitarra), Cid Campos (violão elétrico), Rogério Botter Maio (baixo) e Júnior Vargas (bateria).








domingo, 14 de agosto de 2011

Estrela do Mar e Asa Linda em Sampa

Momentos da 9a. edição da Hora H, que prestou homenagem aos "poetas de campos e espaços" Haroldo e Augusto.

Nas fotos de André Brito: a) Felipe Avila, Tiago Araripe, Cid Campos e Rogério Botter Maio; b) Felipe, Tiago, Cid e Alberto Marsicano (cítara).

Casa das Rosas, 13 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Apresentação na Casa das Rosas













No próximo dia 13 de agosto, a convite de Cid Campos, participarei da 9a. edição da Hora H, na Casa das Rosas, em Sampa. O evento é dedicado à preservação da memória e da obra do poeta Haroldo de Campos (1929-2003). Este ano, também é homenageado seu irmão Augusto de Campos, pelos seus 80 anos.

A programação completa desta Hora H:

SÁBADO, 13 de agosto, das 18h30 às 22h
SHOW “LINGUAVIAGEM”
Cid Campos – voz, violão
Felipe Ávila – guitarra
Rogério Botter Maio – baixo
Júnior Vargas – bateria
Convidados especiais
Músicos:
Alberto Marsicano / Diogo Franco / Edvaldo Santana / Péricles Cavalcanti / Tiago Araripe / Walter Franco
Poetas:
Arnaldo Antunes / Frederico Barbosa / João Bandeira / Ivan de Campos / Lenora de Barros / Marcelo Tápia / Omar Khouri / Walter Silveira

DOMINGO, 14 de agosto
MOSTRA JÚLIO BRESSANE
13h
Sermões – A história de Antônio Vieira
1989, 80 minutos.
Cinebiografia poética do Padre Antônio Vieira, com participação especial de Haroldo de Campos, que foi o consultor literário para a elaboração do roteiro.
14h30
Galáxias Dark e Albina (Mix)
1992, 30 minutos.
Apresentação de um compacto que aglutina ambas as transposições que Bressane fez da obra Galáxias para o vídeo.
DEBATE
15h
O sequestro do Barroco na formação da literatura brasileira: o caso Gregório de Matos
Debate sobre o estudo que Haroldo de Campos realizou, em fins dos anos 1980, sobre a questão do estudo do Barroco na literatura brasileira, com a presença dos poetas Nelson Ascher e Frederico Barbosa. Neste dia, o livro estará disponível para os interessados no estande da Editora Iluminuras, instalado na Casa das Rosas.
MOSTRA IVAN CARDOSO
16h
Ivan Cardoso vem a São Paulo especialmente para expor fotomontagens que fez de Haroldo de Campos e exibir uma entrevista inédita, concedida por Haroldo de Campos meses antes de seu falecimento, em 2003. Aproveitando a ocasião, serão exibidos mais três curtas-metragens do cineasta que contaram com a participação de Haroldo na concepção de seus roteiros. As fotos ficarão expostas, durante o evento, no andar térreo da Casa das Rosas, e os curtas mostrados serão:
H.O, 1979, 13 min.
À meia-noite com Glauber, 1997, 16 min.
Heliograma, 2004, 14 min.
Entrevista inédita com Haroldo de Campos, 2003, 60 min.
18h
Encerramento com fala de Ivan Cardoso e Ivan de Campos.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Parceiro Paulo Costa se apresenta em São Paulo

‘SAVEUR de BOSSA’

Paulo Costa, o embaixador da Bossa Nova na França, lança sua nova turnê internacional. No Brasil, “Saveur de Bossa”

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Paulo Costa, brasileiro radicado na França, considerado pela midia internacional e pelo Ministério da Cultura da França como o EMBAIXADOR DA BOSSA NOVA, convida para um concerto franco-brasileiro com apresentação exclusiva para o SESC.

Paulo Costa, único brasileiro a ter a autorização de traduzir o hino da música francesa, ‘TOULOUSE’, de CLAUDE NOUGARO e, também o único com registro de uma menção do Ministério de Cultura da França sobre sua obra. Nas próprias palavras do Ministro em carta ao artista: « cet artistesingulier, compositeur et interprète de talent, dont la guitare au jeu nuancé et la voix toute de délicatesse et de sensualité reflètent avec subtilité l’univers feutré de la bossa nova » .

O Brasil é o primeiro país a receber a turnê SAVEUR DE BOSSA que viajará para Portugal, Suiça, Alemanha, entre outros países da Europa e deve chegar ao Japão no início de 2012.

Depois de 30 anos da inauguração do SESC Pompéia – Paulo Costa retorna aos palcos do SESC para tocar num espaço mágico com convidados e amigos muito especiais como Cid Campos, Felipe Avila, Renato Teixeira, Rodrigo Rayol e Vania Bastos.

O show SAVEUR DE BOSSA traz músicas inéditas cantadas em português e em francês. Muitos dos clássicos da bossa revisitados por Paulo Costa - misturas de bossas - estão inundados de surpresas nordestinas como nos bons tempos do Papa Poluição (grupo de sucesso na década de 80).

O show é como uma viagem entre São Paulo, Rio, Bahia e Paris e conta com a presença dos artistas: Caio Mamberti, percussionista que tocou com Tânia Maria e Steve Wonder e que acompanha Paulo na Europa; Marinho Andreotti, contrabaixista do Zimbo Trio e virtuose guitarista e violonista Felipe Ávila, que faz parte da história musical do artista no Brasil.


PHOTO Div ALXA música do Paulo Costa não traz apenas Bossa Nova, mas muitas outras influências como o Pop, o Jazz e o Baião composições inéditas com a poeta Mabel Velloso, José Luis Penna, Tiago Araripe, Antonio Miranda, entre outros. Meticuloso e dono de uma voz única, de muito bom gosto e uma pegada genuinamente brasileira, como diz Zeca Baleiro, Paulo Costa busca nas suas composições, delicadeza, sofisticação, algo que « soe bem e suave » que tenha a sua digital e que possa refletir sua maneira de ser e agir na vida cotidiana, "IL est Bossa Nova ...Il est Bossa Nova", complementam os críticos franceses no jeito de ser, de compor e de viver e na elegância com que representa a música brasileira na Europa, denominado o Style Paulo Costa em Paris.

sábado, 21 de março de 2009

Papa Poluição na "poeira Zine"

Com o sugestivo conceito de "O melhor da música do melhor dos tempos", a poeira Zine é uma revista paulistana especializada na música pop dos anos 70. Na sua mais recente edição, de fevereiro/março, o editor Bento Araújo abre generoso espaço na seção Arquivo Verde Amarelo para o Papa Poluição. Em duas páginas onde há inclusive citação a este Blog, o jornalista e músico Ayrton Mugnaini Jr. faz um oportuno reconhecimento à contribuição do Papa para a fusão do rock com a música nordestina.

Vale a leitura.




O ROCK NORDESTINO BIODEGRADÁVEL DO PAPA POLUIÇÃO

De todos os artistas que fundiam rock à música nordestina nos anos 1970, o grupo Papa Poluição foi um dos que menos gravaram ou fizeram sucesso – mas se revelou em longo prazo um dos mais influentes, inclusive hoje, trinta anos após sua separação. Esta reportagem resultou de consulta à famosa Fundação Mugnaini e de entrevistas com Tiago Araripe e Bill Soares, dois integrantes do grupo – além dos textos no imperdível blog de Tiago: www.cabelosdesansao.blogspot.com

Ainda vou pleitear um espaço especial na pZ para falar sobre a grande influência da música nordestina no mundo, inclusive sobre o rock, provando mais uma vez minha famosa “teoria do pingue-pongue”: mal o rock surgiu oficialmente em meados dos anos 1950, foi sua vez de influenciar a música nordestina, a partir do “Baião-Rock” gravado por Jair Alves em 1957, passando pela Tropicália e os Novos Baianos e explodindo de vez no começo dos anos 1970 com uma boa leva de artistas arretados, como Lula Côrtes, Belchior, Fagner, Ednardo, Ave Sangria e talvez o mais bem-humorado de todos, o Papa Poluição.

Excelente amostra da presença nordestina no Sul, o Papa Poluição formou-se em São Paulo com os cearenses Tiago Araripe (vocal, violão, composições) e Xico Carlos (bateria), o potiguar José Luiz Penna (vocais, guitarra, composições), o baiano Paulinho Costa (vocais, guitarra e composições; não confundir com o percussionista Paulinho da Costa – se bem que hoje em dia nosso amigo do PP atende por Paulo Costa), o pernambucano Bill Soares (contrabaixo e direção visual) e o paulistano Beto Carrera (guitarra) – todos com queda não só para a música mas também teatro e egressos de outros grupos nordestinos como os pernambucanos A Porta e Nuvem 33, o baiano The Blue Star e os cearenses The Top’s e Os Águias de Barbalha.

Foi em São Paulo que os Papas começaram a aparecer nos grandes meios de comunicação em nível nacional. Em 1970 Penna atuou na primeira montagem do musical Hair! (inclusive no LP da trilha) e participou de um festival da TV Tupi com sua composição “John”. Tiago surgiu para o grande público em 1973 gravando um compacto pela EMI fundindo pop, dixieland (com participação não creditada da Traditional Jazz Band) e letras nonsense, “Os Três Monges” e “Sodoma E Gomorra”; no ano seguinte participou do Festival Abertura da Rede Globo de Televisão com “Drácula”, parceria com o poeta Décio Pignatari e cantada num dos LPs (Abertura – Estas Também Participaram) dedicados ao festival por outro futuro Papa, Paulinho Costa – que participou também com sua composição “Muzenza”, tendo Xico Carlos à bateria. (Ah, sim: Tiago não cantou neste LP, lançado pela RCA, por estar ainda vinculado à EMI.) Paulinho tocou em Paisagem, o LP folk-rock do já veterano mais então ainda um tanto obscuro MPBzeiro Renato Teixeira. E Beto tocou na montagem paulistana do musical Hoje É Dia De Rock da equipe Teatro Ipanema.

Mais que excelente resultado da presença nordestina em Sampa, o PP foi um dos precursores da chamada Vanguarda Paulista dos anos 1980 e um dos responsáveis pela reputação do bairro paulistano da Vila Madalena como grande baluarte da música independente e descompromissada. “Quando eu cheguei [a São Paulo], em 1973, morei no Butantã, mas foi muito pouco tempo”, lembrou Tiago ao Diário do Nordeste. “Depois fiquei na casa do José Luís Penna, próxima à Vila Madalena, na rua Patápio Silva – por sinal, nome de um flautista [grande pioneiro da MPB no começo do século 20]. Era no Sumarezinho, perto da Vila Madalena, onde depois eu aluguei uma casa, que dava pra ir a pé pra casa do Zé Luiz Penna, onde a gente ensaiava no quarto de casal, na época do Papa Poluição. A mulher dele com uma santa paciência... E o Papa contribuiu muito pra essa fama do bairro. Lembro de revistas nacionais, como a Quatro Rodas, que fizeram matérias sobre o [Teatro] Lira Paulistana, colocando como pioneiro desse movimento dos artistas irem pro bairro.

A gente ativou tudo isso. Chegamos a tocar na calçada, o que de certa forma originou aquela Feira da Vila [série de shows na Praça Benedito Calixto, em frente ao Lira]. O José Luís se tornou presidente do Centro Cultural da Vila Madalena; enfim, a coisa começou a ganhar projeção. O Hermano Penna, que dirigiu o [filme] Sargento Getúlio, filme de que nós fizemos a trilha, também tinha um escritório na Vila Madalena, com outros cineastas. Enfim, tinha vários pólos, de várias linguagens, convivendo ali.”

Outra composição de Tiago e Pignatari é “Teu Coração Bate, O Meu Apanha”, gravada por Tiago em dupla com Tom Zé na Continental em 1974 (e com participação de um colega da Continental, o tecladista da banda Moto Perpétuo – ele mesmo, Guilherme Arantes). Foi neste mesmo ano que Tiago e Penna se encontraram e resolveram fundar o grupo Papa Poluição – e em 1976 chegou a vez do Papa se fazer notar. Parodiando a campanha televisiva “Adote Um Atleta”, o PP lançou o show Adote Um Artista, apresentado em escolas, teatros e uma novidade: estações do metrô paulistano. “Os shows tinham uma dinâmica muito forte, a gente saía do palco, brincava com a platéia. Eram performances, uma coisa muito viva”, relembrou Tiago Araripe ao Diário do Nordeste décadas depois. “E tínhamos na platéia pessoas que viriam a ser importantes pra música popular.

Os músicos gostavam de ir assistir, porque os arranjos eram muito inventivos. O Guilherme Arantes costumava ir pros nossos shows, o próprio Belchior cogitava de em algum momento lançar um LP do trabalho com o Papa Poluição. Por algum motivo, a coisa não aconteceu. Quando ele conseguiu [viabilizar], o grupo tinha acabado.” (Vale lembrar que Beto e Bill substituíram dois integrantes originais do PP que mal esquentaram lugar, respectivamente Fausto Aguiar e Dirceu – e que, anos depois, Fausto fez uma participação especial no segundo compacto do grupo.)

No mesmo ano de 1976 o grupo fez a trilha sonora do curta-metragem A Mulher no Cangaço, dirigido por Hermano Penna (primo de José Luiz – assim como Xico Carlos). E também lançou seu primeiro disco, um compacto-duplo pela Chantecler com os rocks-baiões “Rola Coco” (incluindo participação de Osvaldinho do Acordeon), “Brechando nas Gretas” e “Em Nome do Rock” (com citações dos Beatles e jovem guarda) e o balanço latino de “Guerra Fria”. O disco ganhou elogios unânimes de profissionais da comunicação, como o jornalista Wladimir Soares (“com humor e inteligência, o Papa Poluição conseguiu provar que a música pop pode ser feita no Brasil sem buscar originais estrangeiros, o ritmo é nosso e deles”), e o radialista Jacques Kaleidoscópio (“Papa Poluição, um som biodegradável”), e de colegas como o poeta Augusto de Campos (“muito ar livre pra dar a nossa inspiração musical”), Marcus Vinicius (“eu também papo”) e Guilherme Arantes (“eu acho o conjunto a revelação mais espontânea e autêntica de São Paulo nos últimos dez anos”), mas não fez sucesso e o Papa foi dispensado da Chantecler.

Isso não impediu o grupo de marcar 1977 estreando novo show, Mamãe Rádio Não Toca Meu Disco (que o próprio grupo apresentou como “desaconselhável para virtuoses cansados, folcloristas, nostálgicos, FM estéreo, multigravadoras, são-paulinos e araras”) e assinar com a gravadora carioca Top Tape, onde gravou (pelo selo Arco-Íris) seu segundo e último disco, um compacto simples com o rock-balada “Tua Ausência” (trazendo mais citações de Beatles) e a faixa meio-rock-meio-latina “Inferno Da Criação”. O que brecou o Papa Poluição foram problemas de outras ordens – principalmente briga com gravadoras do tipo que são empresas visando lucro, imagine se não fossem.

Estas duas faixas do disco da Top Tape nasceram independentes; o PP as gravou por conta própria no Eldorado, então o maior estúdio do Brasil, aproveitando horas vagas entre uma gravação paga e outra. Subitamente, adentram o estúdio Scarambone (que havia sido tecladista do grupo Renato e Seus Blue Caps durante quase todos os anos 1970 e estava deixando a banda, preferindo seguir carreira como produtor de discos) e outro produtor, veterano e bem-sucedido, Reinaldo Barriga (que trabalhou com Tom Zé e muitos outros). Ambos ouvem a gravação do PP e adoram – não só o resultado musical, como também seu custo praticamente zero. Desataram a prometer ao Papa Poluição mundos e fundos, a começar por um LP na Top Tape. Só que o grupo, pouco disposto a, como se diz, “entrar para o esquemão”, insiste em ir com calma e começar por um compacto para testar o mercado.

Pois bem, a Top Tape lançou o compacto – mas não pagou jabá (sim, isso já existia; aliás, sempre existiu, embora nem sempre com esse nome) às rádios e TVs; coube ao grupo ralar em shows e entrevistas para conseguir um bom espaço em algumas emissoras. “Tua Ausência” começou a fazer sucesso. Mas de repente... o disco obedeceu ao título do show do PP e parou de tocar no rádio. O que aconteceu? Penna relembrou ao blog de Tiago: “Tivemos um trabalho danado para saber o que houve. Não é que a nossa gravadora tinha pedido ao programador da rádio para trocar o nosso espaço, conseguido a duras penas, pelo disco do Stevie Wonder [também do elenco da Top Tape]?” Como resumiu Tiago ao DN: “Descobrimos que a gente conseguia as coisas no
rádio, na TV, e eles vinham por trás e tentavam colocar o cast internacional deles. Ou seja, a própria gravadora tava nos boicotando.” “Aí não deu mais”, continua Penna. “Fomos no dia seguinte, eu e o Tiago Araripe, bem cedo à Top Tape, munidos de bastões, e pichamos todos os cartazes dos astros internacionais com obscenidades. E ficamos esperando funcionários e diretores para recebermos nossa rescisão contratual. Foi um belo escândalo. Enfrentamos a partir daí o colapsototal. As gravadoras determinaram o fim DISCOGRÁFICO do PAPA POLUIÇÃO.” (Ah, sim: a quem interessar, Scarambone ainda vive no Rio de Janeiro e hoje em dia trabalha não com jabá, e sim com mais palatáveis doces e salgados.)

Como se esse enrosco com a gravadora já não fosse bastante, na época, Bill Soares trabalhava como diretor de arte da TV Tupi, a qual entrou na crise que a fecharia em 1980. “Fiquei de cabeça quente e saí do Papa Poluição batendo porta”, recorda Bill. “Me arrependi tanto... E ficou aquele clima de casamento, procurar pêlo em casca de ovo...” O PP ainda seguiu em frente com outro contrabaixista, Cid Campos (filho de Augusto). Mas não passou de 1979, quando gravou uma marcha carnavalesca para um compacto triplo de vários intérpretes, compôs e gravou canções para o filme Sargento Getúlio (também dirigido por Hermano Penna e estrelando Lima Duarte) e participou do último festival da Tupi defendendo “O Grande Circo Universal”, de Thomas Roth em parceria com o saudoso Luís Guedes.

Mas os integrantes do grupo continuaram ativos de uma forma ou outra. Em 1982 Tiago gravou pelo selo Lira Paulistana o LP Cabelos de Sansão, que fez algum sucesso alternativo com faixas como “Estrela do Mar” e “Meg Magia” (e em 2008 foi promovido a CD pelo selo Saravá, do fã Zeca Baleiro), e hoje reside no Recife, trabalhando com música e publicidade. No ano seguinte Penna e Paulinho da Costa gravaram em dupla o compacto “O Macaco Avoa” (alusão aos saltos do bicho de cipó em cipó, dando realmente a impressão de que ele voa pela floresta), incluído na trilha do filme e trazendo gravações antigas do PP. Penna entrou para a política e se deu bem como vereador e presidente nacional do Partido Verde (sim, tudo a ver com o nome Papa Poluição); e uma composição sua da época do PP, “Comentário a Respeito de John”, foi modificada por Belchior e fez muito sucesso nas gravações da cantora Bianca e do próprio Belchior. Paulinho seguiu o verso de “Rola Coco” que fala do “sonho vago de não morrer sem ver Paris”, radicando-se mais ou menos lá perto, em Toulouse, na França, onde já gravou um CD solo (e continua compondo com Tiago, um de seus parceiros de sempre). Xico, após formar com Cid o grupo Sexo dos Anjos, mudou-se para a Bahia e hoje atende por Xico Sá (não confundir com o jornalista homônimo). Bill Soares perdoou a TV Tupi a ponto de trabalhar no departamento de criação visual do SBT, e hoje tem seu estúdio de gravação e publicidade, o Yeah! Estúdio. E Beto Carrera está radicado em Embu das Artes, na Grande São Paulo.


Paulinho da Costa realiza "o sonho vago
de não morrer sem ver Paris".


Trinta anos depois, o Papa Poluição continuou sendo garimpado e bem lembrado, influenciando artistas mais novos como Chico Science e tendo canções aproveitadas em filmes (como “Rola Coco” no longa Cine Tapuia, dirigido por Rosemberg Cariry e com Rodger, ex-Pessoal do Ceará, no papel do Cego Aderaldo) ou regravadas por Belchior e outros. “É bom ver que nosso trabalho não foi em vão”, comenta Bill. Para quase terminar, por enquanto, a pergunta inevitável: haverá volta do Papa Poluição? “No ano passado [2008] Penna me disse ‘vamos fazer!’” De modo que podemos ter esperanças em breve. E, para terminar mesmo, o ideal é a frase que Tiago incluiu no encarte do LP Cabelos de Sansão: “Viva o Papa Poluição!”

Ayrton Mugnaini Jr.


Quem quiser conhecer melhor a iniciativa poeira Zine, experimente um desses link (ou todos):

Site: www.poeirazine.com.br

Sample: http://issuu.com/poeirazine/docs/pz23

My Space: www.myspace.com/poeirazine
Blog: www.poeirazine.blogger.com.br
Video blog: http://poeirazine.wordpress.com


sexta-feira, 20 de março de 2009

Mais cenas do lançamento em São Paulo

Fotos: Sérgio Polignano

Momento do bis: Felipe Vagner, Felipe Avila, Zeca Baleiro, Tiago Araripe, Cid Campos e Pedro Cunha.




Participantes do LP e do CD Cabelos de Sansão: Zeca Baleiro (Saravá Discos), Wilson Souto Júnior (Lira Paulistana), Felipe Vagner (arranjos e flautas), Felipe Avila (Sexo dos Anjos, arranjos, violão, guitarra), Riba de Castro (Lira Paulistana), Suzana Salles, Tiago Araripe, Cid Campos (Papa Poluição, Sexo dos Anjos, arranjos, baixo, craviola), Passoca (vocais) e Sergio Polignano (fotomontagem do leão da capa).

Suzana é uma virtual integrante dos vocais do disco. Só não participou por não estar em São Paulo no período das gravações. Mas às vezes até consigo ouvi-la nos coros.

Hermano Penna (diretor de Sargento Getúlio), Tiago, José Luiz Penna (Papa Poluição e parceiro em Quando a pororoca pegar fogo), Wilson Souto e Riba de Castro.


Reencontro com Beto Carrera (Papa Poluição).

sexta-feira, 13 de março de 2009

Cenas de um lançamento (São Paulo)



Enquanto aguardava as cenas do pocket show em São Paulo para postagem neste Blog, deparei-me com a edição acima já circulando no YouTube. Coisas da internet.

Aproveito para uma rápida ficha técnica:

Cid Campos - Violão
Felipe Avila - Violão, percussão
Felipe Vagner - Flautas
Pedro Cunha - Piano
Zeca Baleiro - Violão e voz
Tiago Araripe - Voz e violão

Íntegra da programação na FNAC Pinheiros:

- Palavra de Wilson Souto Jr. sobre a edição original de Cabelos de Sansão no contexto do Lira Paulistana.
- Palavra de Zeca Baleiro sobre a versão CD no contexto da Saravá Discos.
- Fios da Light (Tiago Araripe)
- Cabelos de Sansão (Tiago Araripe)
- Redemoinho (Tiago Araripe)
- Estrela-do-mar (Tiago Araripe-Cid Campos)
- Asa Linda (Little Wing, de Jimi Hendrix - Versão: Augusto de Campos)
- Cine Cassino (Tiago Araripe)
- Esfinge (Zeca Baleiro-Tiago Araripe)
- Baião de Nós (Zeca Baleiro-Tiago Araripe)

terça-feira, 10 de março de 2009

Aquecendo o músculo cardíaco

Fotos: Ana Ruth

A tarde de ontem marcou o aquecimento para a apresentação de hoje à noite em São Paulo. Houve reencontro com Chico Pardal e Riba de Castro, ex-sócios do Lira Paulistana (foto acima), e ensaio com Cid Campos, Felipe Avila, Felipe Vagner, músicos que participaram da gravação de Cabelos de Sansão e que eu não via há mais de duas décadas. Contamos para isso com o apoio do piano inventivo de Pedro Cunha e do estúdio de Zeca Baleiro.

Gravei entrevista para o programa Visita VIP, da Rádio USP, e para o documentário sobre o Lira Paulistana a ser veiculado em outubro por ocasião dos seus 30 anos de fundação. Fará parte também da programação de aniversário do Lira o lançamento de um livro escrito por Riba de Castro e Fernando Alexandre, outro ex-sócio, documentando a fértil experiência de produção cultural alternativa vivida em São Paulo entre o final dos anos 70 e início dos 80.

E aguardo você logo mais às 19 horas na FNAC Pinheiros.

Tiago Araripe

Estúdio de Zeca Baleiro: Felipe Vagner (flauta), Cid Campos, Tiago e Pedro Cunha.









No ensaio, presença de dois músicos que fizeram parte do grupo Sexo dos Anjos: Felipe Avila e Cid Campos.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Contando fios de Cabelos...

Tiago Araripe e Cid Campos (do grupo Sexo dos Anjos), no show de lançamento do LP Cabelos de Sansão (Teatro Lira Paulistana, 1982).


- Um disco. n

- 10 canções.

- 33 músicos.n

- 12 meses de trabalho duro.

- Mais de 300 horas de estúdio.

- Mais de 25 anos até o relançamento.

- Muitas histórias a contar...

n

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Cabelos de Sansão, por Felipe Avila

Na foto, a banda Sexo dos Anjos: Luiz Brasil (guitarra), Cid Campos (baixo), Guelo (de boné, percussão), Xico Carlos (bateria) e Felipe Avila (guitarra).


Cabelos de Sansão. Um disco que marcou época em meio a tantos outros trabalhos, de tantos artistas incríveis que vivenciaram aquele momento “mágico” de diversidade artística e cultural, do início da década de 80, no Teatro Lira Paulistana.

Tiago convidou o meu grupo Sexo dos Anjos para participar das gravações e me pediu que fizesse o arranjo da música Cine Cassino. Pra mim, foi um momento muito especial, uma oportunidade para escrever e criar à vontade no meu primeiro arranjo para um disco e para um grande artista.

Escrevi, para a música Cine Cassino, um arranjo para violões, cello, percussão e piano. Uma música misteriosa e muito original.

Conheci Tiago Araripe através do meu amigo Cid Campos, que junto com Tiago e os músicos Zé Luiz Penna, Paulinho Costa, Beto Carrera e Xico Carlos, formavam o grupo Papa Poluição.

Nesta época, morávamos todos na Vila Madalena - um bairro bem localizado que parecia ser uma cidade do interior. Lá tínhamos aluguel barato, fazíamos nossos ensaios nas casas em que morávamos e, depois, íamos tomar cerveja, no fim do dia, no boteco “sujinho”, onde tínhamos conta (rs).

Nossos encontros eram quase que diários e, naturalmente, foi surgindo daí uma grande amizade, com respeito e cumplicidade em nossas idéias, e os trabalhos que plantamos ali vieram a acontecer em diversas oportunidades.

Nessa fase, Cid Campos, Luiz Brasil, Xico Carlos e eu estávamos montando um grupo para estudos e pesquisas, um laboratório de sons onde tocávamos também nossas composições. Precisávamos dar um nome para o grupo que começava a surgir, e foi Tiago quem sugeriu o nome Sexo dos Anjos. Aceitamos na hora!

Quando Tiago Araripe pensou em gravar o trabalho solo dele Cabelos de Sansão, e convidou o grupo Sexo dos Anjos para participar das gravações e dos arranjos, fiquei muito feliz mesmo.

Os ensaios destinados à gravação do disco aconteceram na casa do Luiz Brasil, num clima muito gostoso, onde pudemos compartilhar sugestões e idéias, experimentar e tocar à vontade.

Um disco muito bonito, que marcou época e agora está disponível em CD. Vale a pena ouvir este trabalho tão original, com música de qualidade tão atual.

Felipe Avila

www.felipeavila.com

Observação deste Blog:
A previsão é que o CD Cabelos de Sansão seja entregue pela fábrica no dia 20 de maio. Ou seja: muito em breve estará disponível ao público.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Adeus às ilusões

Na foto de Hermano Penna, em pé, Cid Campos, José Luís Penna e Paulo Costa; sentados, Beto Carrera, Tiago Araripe e Xico Carlos.
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Ao longo de cinco anos de luta e música, o Papa Poluição foi praticamente agente de si mesmo. Claro, ter um bom empresário cuidando dos nossos interesses facilitaria muito a vida. Possivelmente melhorasse as condições de sobrevivência do grupo, também.
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Nesse meio tempo, duas figuras se anunciaram para suprir essa importante lacuna. O relacionamento com elas foi breve e decepcionante.
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Nem lembro em que ordem entraram em cena na nossa trajetória. Mas começo falando daquela mulher de aparência distinta e gestos educados. Expressava-se bem, sendo convincente em seus argumentos. Transmitia segurança e sensatez. E o melhor: mantinha escritório na Rua Augusta, com algumas funcionárias. Claro que ficamos animados ao conhecê-la. Mas nada de concreto aconteceu. Ela nos deu algum apoio em um show que já tínhamos programado. Depois nos pediu dinheiro emprestado. Pelo que lembro, não pagou.
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O segundo elemento era argentino. Muito falante, prometeu que nos transformaria em "psicose nacional". Tinha escritório na Avenida Consolação, próximo à Praça Roosevelt. Agenciava um grupo de sucesso, à época. Também vimos nele motivos para sonhar. O contato nos rendeu apenas uma apresentação numa espécie de festival de rock no Paraná. E nada mais.
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Uma bela tarde chegamos ao escritório dele e encontramos a porta fechada. Batemos... e nada. Depois descobrimos que o empresário estava acossado lá dentro, com medo da Polícia Federal. Nunca mais o vimos.
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Fecha o pano, rápido. E ponto final no nosso brevíssimo relacionamento com empresários.
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Tiago Araripe

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Idéias

Na foto, show do Papa Poluição: Cid Campos, Tiago Araripe e Paulo Costa.

Atendendo pedido de um leitor, segue poema recente que se tornou canção graças à ponte virtual Fortaleza-Toulouse e à habilidade musical do parceiro Paulo Costa.
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Aliás a composição já está na página dele do MySpace. (Para ouvi-la, clique aqui.)
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Idéias

(Tiago Araripe-Paulo Costa)

Idéias
São pássaros velozes e arredios
Idéias
A chama chegando ao pavio

Idéias são folhas
Sopradas ao vento
Ou chuva de granizo
Dependendo do momento

Idéias são ondas
Rastros de espuma
Areia branca
Que escorre na duna

Nuvens carregadas
De eletricidade
Idéias são luzes
No céu da cidade.


sexta-feira, 28 de março de 2008

Um gosto de muito mais

No mesmo 1982 em que o Lira Paulistana lançou Cabelos de Sansão, chegava ao mercado de discos o novo LP de Amelinha: Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor (na foto, a capa). Entre as faixas, uma das muitas canções que fiz em parceria com José Luiz Penna: Um gosto de muito mais. Amelinha gravou a composição em grande estilo, com arranjo hollywoodiano e gran finale em que emite agudo brilhante.

Com o auxílio instrumental de Cid Campos e Xico Carlos, que na época participavam comigo do Papa Poluição, eu havia gravado uma fita cassete com três canções. A fita tinha destino certo, e esse destino atendia pelo nome de Amelinha. Enviei as composições para ela e, tempos depois, a encontro no Maracananzinho, num daqueles festivais da canção que a Globo fez no Rio de Janeiro. (Possivelmente tenha sido no próprio que ela conquistou o segundo lugar cantando Foi Deus que fez você.) Para minha surpresa, Amelinha me disse que havia recebido a fita mas não entendera nada: a gravação estava com rotação alterada... Argumentei que a havia testado em mais de um aparelho, sem problemas. Sem querer ser insistente, dei o incidente como favas contadas.

Passam-se meses. Estou na labuta, revisando textos na Editora Abril, quando toca o telefone. É Amelinha, dizendo que gostara muito das músicas e queria gravá-las (das três canções, gravou duas - em dois discos seguidos). Na ocasião era casada com Zé Ramalho, que me convidou ao Rio para assinar o contrato de edição na editora dele (Martelo).

O disco Cabelos de Sansão estava quase pronto: faltava minha voz e a mixagem. Levei comigo os playbacks, ao som dos quais cantei para o casal todas as faixas do LP. Zé Ramalho gostou tanto que me pediu para lançar o disco pela CBS, onde tinha contrato. Eu, entusiasmado com o movimento alternativo, não quis trair a causa. Principalmente depois de todo o investimento do Lira Paulistana no trabalho. Pudesse fazer de novo, não faria diferente.

No mais, descobri um grande ponto em comum com Zé Ramalho: a admiração pela música dos Beatles. Morando em Fortaleza, ele não hesitava em mandar alguém ao Rio buscar os mais recentes lançamentos - em disco ou vídeo - do quarteto de Liverpool.

Tiago Araripe

terça-feira, 18 de março de 2008

Cabelos muito compridos de Sansão, por Cid Campos - 2

Em 1980 formei, juntamente com Xico Carlos (bateria), Felipe Ávila (guitarra), Luiz Brasil (guitarra, bandolim) e um pouco mais adiante com a participação dos percussionistas Cabral e Guelo, o grupo instrumental Sexo dos Anjos. Era uma banda e tanto, que trazia um repertório autoral de música instrumental brasileira mesclada ao jazz, blues e outras modalidades. Nunca gravamos um disco. A situação na época era muito difícil para a música instrumental, não havendo muita chance junto às gravadoras e assim, infelizmente, não tivemos a sorte de uma boa oportunidade, mas por outro lado fizemos inúmeros shows, que nos davam enorme prazer e respeitabilidade como músicos instrumentistas.

Até hoje Felipe Ávila, que segue sua carreira como instrumentista e compositor, tem participado de meus shows. Além disso fiz questão de tê-lo como guitarrista e violonista na gravação dos meus CDs No Lago do Olho (2001) e Fala da Palavra (2004). Em dezembro de 2007, tive a oportunidade de reunir Felipe e Luiz numa apresentação que fiz no Rio de Janeiro. Foi muito legal! Quase dava para sentir o Sexo dos Anjos no palco!

Em 1981, juntamos em um mesmo show o Sexo dos Anjos e Tiago Araripe. O espetáculo chamava-se Fôlego de 7 Gatos e foi apresentado no teatro Lira Paulistana. A maior parte das músicas que Tiago apresentava viriam a fazer parte de seu primeiro e único LP, que estava por vir. Não lembro bem, mas talvez tenhamos montado o show já pensando em alguma possibilidade de gravação.

Creio que ainda em 1981 ou início de 1982, Tiago veio com a notícia de ter conseguido uma oportunidade para gravar um LP pelo selo Lira Paulistana. Assim, convidou, entre outras participações, o Sexo dos Anjos para fazer alguns dos arranjos e gravar como banda de base. O repertório era composto de músicas suas e parcerias.

Apesar de termos recuperado, há alguns anos, gravações de shows e de estúdio do Sexo dos Anjos, o LP Cabelos de Sansão registra um pouco da sonoridade de nossa banda que, mesmo contando com participações de outros músicos ou não estando completa em todas as faixas, deixou forte marca de sua personalidade sonora no trabalho.

Ainda no disco Cabelos de Sansão (1982), tive a minha primeira música gravada. Trata-se da canção Estrela-do-mar, parceria com Tiago. Também destaco a música Asa Linda, tradução de Augusto de Campos para Little Wing, de Jimi Hendrix, interpretada lindamente por Tiago, e para a qual eu e Paulo Costa fizemos o arranjo, ainda contando com a participação - no baixo - do baterista multinstrumentista Xico Carlos.

Gostei muito de escrever algo sobre essa época tão importante para todos nós e fico feliz pelo fato de que Cabelos de Sansão está, mesmo que tardiamente, se transformando em CD.

Espero sinceramente que Tiago siga em frente com a sua belíssima voz, suas composições geniais e que, depois desse lançamento, não demore a trazer aos nossos ouvidos novas canções e CDs.


Cid Campos

Na imagem, capa de peça de divulgação do show Fôlego de 7 Gatos. Na foto, da esquerda para a direita, Xico Carlos, Cid Campos, Felipe Ávila, Luiz Brasil e Tiago Araripe.

Cabelos muito compridos de Sansão, por Cid Campos - 1

Mesmo tendo tocado em inúmeras bandas durante a minha adolescência e até tendo participado da montagem e como músico no I Festival de Águas Claras, em Iacanga (SP, 1974), a minha primeira grande experiência musical profissional ocorreu no final dos anos 70, quando, ainda muito jovem, passei a integrar como baixista o grupo Papa Poluição. Formado por Zé Luiz Penna (voz), Tiago Araripe (voz), Paulo Costa – que na época assinava Paulinho da Costa (voz e guitarra), Beto Carrera (guitarra) e Xico Carlos (bateria), o Papa já existia há algum tempo. Com a saída de Bill Soares, surgiu a oportunidade para que eu entrasse para o grupo. Houve uma empatia total e de cara, entre ensaios e preparativos, fomos fazer uma sessão de fotos realizadas por Hermano Penna numa garagem cheia de quinquilharias e figurinos, para divulgação do show que estrearia em novembro de 1978 - Projeto Blue Cap´s. Nem é preciso dizer que as fotos ficaram um arraso!

Todos os músicos eram muito mais experientes do que eu, com muita estrada, shows realizados e ainda, no caso específico de Paulo Costa e Xico Carlos, com grande experiência em estúdios profissionais de gravação, onde trabalhavam regularmente. Isso tudo me fazia ver o quanto tinha a aprender e, ao mesmo tempo, sentia-me cada vez mais motivado diante dos novos desafios.

As composições do Papa eram feitas por Zé Luiz, Paulo e Tiago. As músicas eram muito bacanas, misturando rock com ritmos brasileiros, meticulosamente arranjadas por Paulo e executadas com maestria pelos integrantes da banda. Xico Carlos, exímio baterista, era expert em fazer levadas tipicamente brasileiras, que mescladas às guitarras de Paulo e Beto, definiam com precisão o estilo musical do grupo. As letras eram ecléticas, muitas vezes trazendo críticas sociais, como Na Fila do INPS, passando pela regionalíssima Rola Coco e chegando até Drácula, lindo tango de Tiago Araripe, sobre o poema/letra do poeta Décio Pignatari, cuja faixa, com interpretação de Paulo Costa, está incluída no CD Verbivocovisual (2007), por mim produzido em tiragem limitada e já esgotada, que homenageia a Poesia Concreta – mas pode ser escutado aqui.

Foram anos muito ricos para mim e realmente, através desses amigos, conheci de perto o mundo dos estúdios, dos shows e ensaios, que fazíamos na casa do Zé Luiz, na Vila Madalena, quando a Vila ainda não era nada do que é hoje. Passei nessa época a dividir uma pequena casa na rua Girassol com Xico Carlos, que se tornou especialmente um grande amigo e companheiro de batalha. Todos morávamos nos arredores, freqüentávamos assiduamente o bar “Sujinho”, na esquina da rua Morato Coelho com a rua Wisard, e de alguma forma pude acompanhar, junto a esses amigos, a chegada ao bairro de muitos outros músicos e artistas, o crescimento constante e finalmente o agito que acabou virando o bairro de Vila Madalena. Zé Luiz já morava por ali há algum tempo, mas creio que fomos alguns dos primeiros músicos cabeludos do bairro, que até então era habitado, em geral, por operários, antigos moradores e alguns bandidos, como o Lanchão – com quem éramos obrigados a conviver mas, com todo o respeito, atravessávamos a rua sem vacilar se o avistássemos no mesmo lado da calçada.

Participei também, com o Papa Poluição, dos arranjos de base e execução da trilha sonora do filme longa-metragem Sargento Getúlio, baseado em livro de Ubaldo Ribeiro, dirigido por Hermano Penna, cujas belíssimas composições foram feitas por Zé Luiz, Paulo e Tiago. As gravações ocorreram em São Paulo, no Estúdio Eldorado. Lembro que quando entrei nesse estúdio fiquei maravilhado com o tamanho da sala de gravações, a técnica com enormes caixas acústicas, a mesa de som e todos os aparatos técnicos característicos de um estúdio de grande porte. Jamais havia entrado num estúdio assim. Pensava comigo, quantas pessoas maravilhosas deveriam ter passado por ali, quantas gravações realizadas e que naquele mesmo ambiente Caetano Veloso gravara uma de suas obras mais fantásticas, Araçá Azul... Estava deslumbrado. Demorei um pouco para me acostumar com a luz vermelha que acendia quando se iniciava uma tomada de gravação e confesso que tremia na base quando o engenheiro de som dizia a palavra: – gravando! Porém, me tranqüilizava quando olhava para o lado e via Zé Luiz, Paulo, Tiago, Beto e Xico muito à vontade. Me saí muito bem nas sessões de gravação e realmente depois dessa experiência, me senti preparado para tudo.
(Continua)
Cid Campos
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Na imagem, reprodução da capa de peça de divulgação do show Projeto Blue Cap´s. Na foto central, de pé, Penna e Cid; agachados, Beto, Paulinho, Tiago e Xico Carlos.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Outras vozes - 9

E outras vozes continuam chegando a este Blog na forma de textos e imagens, lançando novas luzes sobre muito do que vem sendo lembrado e informado aqui.

A foto acima (no click de Paulo Miranda) mostra, durante apresentação do show Fala da Palavra, mais um importante personagem do disco Cabelos de Sansão: o compositor e baixista Cid Campos.

Parceiro da canção Estrela-do-mar, que abre o lado B do LP, Cid integrou o Papa Poluição depois de Bill Soares, tendo participado com o grupo da trilha musical do filme Sargento Getúlio. Aliás, ele é autor de um dos temas instrumentais do longa-metragem de Hermano Penna.

Com a dissolução do Papa em 1980, Cid formaria com Felipe Ávila, Luiz Brasil e Xico Carlos o grupo instrumental Sexo dos Anjos (não sei se ele lembra, mas fui eu quem propôs o nome da banda).

Somando forças, apresentamos juntos o show Fôlego de 7 Gatos no Lira Paulistana, em 1971, que foi uma espécie de cartão de visita para a gravação de Cabelos de Sansão e é o título de uma das faixas do disco.

Cid é filho do poeta Augusto de Campos, tendo dado importante suporte sonoro à obra do pai.

A seguir, com você, Cid Campos.

Tiago Araripe