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segunda-feira, 14 de junho de 2010

"No coração da gente" no contexto dos lançamentos de forró e São João

Tradição do forró é com eles

Os forrozeiros João Silva, Luizinho Calixto, Alcymar Monteiro e Maciel Melo lançam novos disco para enfrentar a onda da fuleiragem music

José Teles
teles@jc.com.br


O forró autêntico hoje luta taco a taco contra as bandas de fuleiragem music e saem ganhando porque continuam lançando discos, a maioria de boa qualidade. É o caso de Maciel Melo, um talento inegável, que este ano vem de Debaixo do meu chapéu, um dos melhores lançamentos desta safra. Renovador do forró nos anos 90, Maciel continua inovando sutilmente.

Debaixo do meu chapéu começa com Quixadá, um maxixe (em parceria com José Viana), e termina com uma valsa, Sanfona dourada (parceria póstuma com Luiz Gonzaga, para um projeto do baiano Gereba). Entre uma e outra ele vai de xote, baião, arrasta-pé, presta homenagens ao forró clássico, com um pot-pourri em que canta Assisão (Esquenta moreninha), Gonzaga/Zé Dantas (Noites brasileiras), e Onildo Almeida (Aproveita gente). Ele também inicia uma parceria com Geraldo Azevedo, com Duas caravelas, e canta um xote meio esquecido de Gilberto Gil, Chororô. Disco para ser ouvido ou dançado o ano inteiro. Vale lembrar que apesar de ter sua origem “debaixo do barro do chão”, com o canta Gilberto Gil, Maciel Melo não dispensa instrumentos plugados na tomada, e em busca de uma diferenciação de sonoridades, dois mestres da sanfona revezam-se no disco, Genaro e Adelson Viana.

O arcoverdense João Silva está entre os compositores clássicos do forró. Assim como Maciel Melo, conhece bem o idioma para não se limitar a xote românticos. Nação forrozeira é um baião daqueles que dá vontade de poder escutá-lo com Luiz Gonzaga. Mas João Silva canta bem, com um fraseado certeiro, e um timbre agreste. Acompanhado por alguns dos melhores instrumentistas do gênero, Sertão puro é um disco de forró vintage, com perdão do termo pedante. Mas não há um equivalente para este trabalho, que lembra os grandes álbuns de forró que se gravavam até os anos 60.

Vale ressaltar, que João Silva canta um repertório de composições inéditas, todas de qualidade irretocável, a exemplo, de Bodo Bodocó (pareceria com José Maria Marques), mais outra que Gonzagão pediria para gravar assim que a escutasse, o mesmo para Fique linda e bote cheiro, um xote que lembra menestrel do sol (Humberto Teixeira).

Alcymar Monteiro vem de DVD, e CD, Tradição & tradução (Ingazeira Discos), gravado no Marco Zero, no ano passado. O palco é o seu habitat. Ele traduz a tradição cantando com acompanhamento que tem guitarras, cavaquinho,s percussão de efeito, baixo elétrico, ao lado com os instrumentos tradicionais do forró. Mas este não é apenas um DVD (e CD), de forró. Chega a ser didático, pois o cantor faz uma panorâmica da música nordestina, em geral, e pernambucana em particular. Trazendo para o palco uma trinca de tocadores de oito baixos impecável, Arlindo, Zé e Luizinho Calixto. Outra convidada é Lia, nesta festa que termina com frevo.

Muitos forrozeiros torcem o nariz quando André Rio grava forró. Mas ele faz isso há tanto tempo, que as críticas não tem mais razão de ser. É certo que ele ainda tem cacoetes da época em que animava carnavais fora de época na Avenida Boa Viagem, ao mesmo tempo este período o deixou com um pique ao vivo, que ele não consegue com a mesma energia passar para discos de estúdio. Registro de shows realizados no Brasil e no exterior, em junho do ano passado, Rapsódia nordestina é um disco para alegrar a festa.

O repertório está equilibrado, com músicas autorais e regravações de nomes como Bráulio Tavares, Zé Ramalho, Carlos Pita, Dominguinhos, Nando Cordel e naturalmente Luiz Gonzaga. Um disco que é um convite à dança, coisa que o São João não pede, exige.

A capa do CD Discoteca do Calixto vol.2, pode levar a equívocos: mostra uma sanfona, e um casal dançando o que mais parece um tango lascivo. É a única falha no disco de um dos mestres do fole de oito baixos, Luizinho Calixto, que vem de uma família de tocadores de pé de bode do primeiro time, irmão de Bastinho e de Zé Calixto.

Infelizmente, o luxuoso Jacinto Silva no coração gente, produzido pela Link, um tributo a Jacinto Silva, prestado por, entre outros, Tom Zé, Maciel Melo, Xangai, Josildo Sá é um brinde da empresa, com poucas cópias à venda na Passa Disco. Talvez ainda reste algumas.

Do forró pé de serra às misturas de ritmos

Discos bem produzidos com belas capas ou de produção irregular e capas de design primário. Tem de tudo nos lançamentos que os forrozeiros prepararam para animar o São João 2010

Um pecado capital de grande parte dos discos do chamado forró pé de serra é o péssimo design das capas. São trabalhos lançados no mercado na base do deixa-que-eu-chuto. É o caso do CD Maria Forrozeira, Vol. 1. A capa é péssima, mas o disco é bom, com algumas faixas que se aproximam nas letras das desditadas bandas. Mas o grupo vai além do xote. Arrasta-pé, xaxado, o grupo incursiona por várias facetas do forró, em algumas faixas com balanço irresistível, feito Tililingo, de Almira Castilho. O time de músicos garante a qualidade. Estão no CD a sanfona de Beto Hortiz, a guitarra de João Netto, a percussão de Quartinha, o baixo de Mongol.

Nádia Maia celebra seus 15 anos de forró com um CD bem-acabado, inclusive no design da capa. A maioria das 19 faixas capricha no tema romântico. Nada contra canções de amor, mas acaba cansando. Mesmo com a participação de Dominguinhos, na ótima Algodão doce (Accioly Neto). É emblemático que quase todas as músicas que não insistem no “romantismo” sejam assinada por veteranos: Onildo Almeida (Vamos misturar), João Silva (Nação forrozeira), J. Michiles (Festa fogueteira). Mais um ponto a favor, pelo menos não se ouve xote faixa por faixa, há outros itens da prateleira do forró.


Valdir Santos é um dos destaques da nova geração de forrozeiros de Caruaru. Sua música já alcançou outros países e ele tem feito turnês pela Europa, mas continua pouco conhecido na capital. Seu mais recente disco é o Projeto outra via, no qual o forró se une à poesia de Dja Vasconcelos e Demóstenes Félix. Este é quase um projeto paralelo dos três, algumas faixas estão mais para o que se convencionou chamar de “cantoria”, música de forte apelo sertanejo de Xangai ou Vital Farias. Com exceção de alguns xotes bem balançados, este disco está mais para MPB.

Fátima Marinho vem este ano com Festa junina, um disco feito para a festa, com marchinhas, cocos, xotes, mais inclinado às raízes, ao folclore. No disco há até um pot-pourri de acorda povo. Fátima Marinho está no forró desde 1985, fez um disco bom, que merecia uma produção de estúdio mais apurada

Dois bons CDs dos herdeiros da Mestre Ambrósio

Nos anos 90, a Mestre Ambrósio batizou uma nova vertente do forró, o pé de calçada, com a rabeca unindo-se à sanfona. O grupo durou pouco, mas fez amigos e influenciou pessoas. Dois destes acabam de ser lançados Na caixinha, com o Forró de Cana, e Luz do baião, de Cláudio Rabeca (ambos com patrocínio do Funcultura).
O Forró de Cana faz o link entre o pé de serra, no xote J. Borges, e o cavalo-marinho, em Acende a candeia. Em Carrinho de rolimã, se mostra como estes dois estilos musicais estão tão próximos. Um Mestre Ambrósio mais acelerado.

Integrante do atuante Quarteto Olinda, Cláudio Rabeca vai além do forró, é um virtuoso do instrumento, e fez um disco solo irretocável, passeando pelos diversos ritmos pernambucanos, do samba de matuto, frevo, ao maracatu, (a belíssima Rei Bantu, de Zé Dantas/Gonzagão). A maioria das faixas é assinada por Cláudio Rabeca, algumas com parcerias.

Jornal do Commercio, 12 de junho de 2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

"No coração da gente" repercute no Ceará

DISCO

Gírias do Nordeste

Diário do Nordeste, 26/5/2010

Os versos ritmados do alagoano Jacinto Silva, nas vozes de vários intérpretes, fazem de "No Coração da Gente" um caloroso e merecido tributo

Alagoano que trocou Palmeira dos Índios pela pernambucana Caruaru, Jacinto Silva (1933-2001) segue como referência para a música feita no Nordeste. Seja como intérprete, com ritmo, divisão e velocidade a la Jackson do Pandeiro, ou como o compositor de clássicos como "Gírias do Norte", "Aquela rosa" e "Coco trocado". Ao longo de quase cinco décadas de carreira fonográfica, amealhou 20 LPs e três CDs - o último deles, "Só não dança quem não quer", lançado em 2001.

Agora, a obra do cantor e compositor ganha um merecido e bem cuidado tributo com "Jacinto Silva - No Coração da Gente", CD produzido pela agência Link Comunicação e Propaganda, com participação direta do cearense Tiago Araripe - tanto na direção geral de produção do disco, quanto em uma das 16 faixas, cada uma delas destinada a uma voz, entre nomes consagrados do cenário nordestino e outros nem tão conhecidos pelo grande público. O autor do LP "Cabelos de Sansão", originalmente lançado em 1982 e recentemente reeditado pelo selo Saravá, de Zeca Baleiro, interpreta "Justiça divina", uma das faixas mais densas do álbum, com o bandolim de Publius em destaque na composição de Onildo Almeida, também de Caruaru, um dos grandes parceiros de Jacinto.

"Garimpar, para este disco, composições representativas do universo sonoro e´ poético de Jacinto Silva é se arriscar a deixar de fora muitas pepitas preciosas. Assumimos conscientemente o risco", destaca Tiago na apresentação do álbum, pontuando que as vertentes do bom-humor, dos valores da nordestinidade, do romantismo e da religiosidade estão presentes nas faixas selecionadas para o projeto, que chama atenção pelo belo projeto gráfico assinado por Marcelo Barreto, a partir de imagens colhidas no caleidoscópio da Feira de Caruaru.

Com uma embalagem tão apropriada, o melhor é que o conteúdo do disco não decepciona. Os arranjos, no geral, valorizam as características tradicionais da musicalidade bem nordestina das composições de Jacinto, mas não deixam de arriscar, aqui e ali, algumas novidades. Como na faixa de abertura, "Aboio de um vaqueiro", em que o saxofone de Spok, da Frevo Orquestra, faz as vezes de um berrante, na faixa que tem guitarra, coro e improviso vocal. Boa abertura para o arrasta-pé contagiante de "Aquela rosa", na voz de Margareth Menezes, e para o "Teste para cantador", momento em que o próprio Jacinto Silva dá as caras no disco, em dueto com o pernambucano Silvério Pessoa, que em 2000 já havia dedicado ao compositor o disco-tributo "Bate o mancá".

A simplicidade de "Minha professora", com o forrozeiro Targino Gondim, chega ritmada a valer. "Isso é Jacinto Silva! Machucado bom danado!", entoa o sanfoneiro, coberto de razão. Contraste com a mais lírica e cadenciada "Cante cantador", com Flávia Wenceslau, na faixa costurada pela viola dinâmica de Hugo Lins. Um diálogo com "É tempo de ciranda", outra de Onildo Almeida, na bela voz de Isaar de França puxando a ciranda estilizada e diferente, no trio guitarra, baixo e bateria, em mais um arranjo de destaque.

Poesia ritmada

Mas a veia do trabalho é mesmo a prosódia, rápida e ritmada, característica da maioria das composições de Jacinto e das faixas de outros autores por ele gravadas. Como "Moleque de rua", de Manoel Alves e Agenor Farias, cuja batida ganha as vozes de Caju e Castanha. Ou "Plantação", de Jacinto e Janduhy Finizola, mais pro xote mas também na batida das sílabas, com Maciel Melo cantando as coisas do homem do campo, "lá pras bandas de Caruaru".

"Filosofia no forró", de Manoel Alves e Tiago Duarte, e o "Coco de praia", de Francisco Azulão e Antônio Ramos, vêm, respectivamente, com Josildo Sá e o grupo Flor de Cactus, e apontam na mesma linha. Também celebrada pelo canto dorido de matizes de Xangai em "Pisa maneiro", de Juvenal Lopes e Dilson Dória, com direito a saudação do menestrel: "Já sinto sempre saudade de tu, Jacinto, o rei da fragmentação rítmica". Pois a tal divisão é exemplificada por Elba Ramalho, se saindo bem em "Gírias do Norte", clássico maior de Jacinto, com arranjo à altura.

Já a versão de Tom Zé para o "Coco do gago" ficou talvez mais comportada do que se poderia esperar do "bardo de Irará". Valeu, porém, o tributo a Jacinto. Com a alegria e as cores da nação nordeste.

CD
"Jacinto Silva - No Coração da Gente"
Jacinto Silva
R$ 37,90
16 faixas
2010
LINK

DALWTON MOURA
REPÓRTER




sexta-feira, 23 de abril de 2010

Lançamento no Recife

Arte: Marcelo Barreto

Marcado o lançamento do CD Jacinto Silva. No coração da gente, a imprensa pernambucana começa a se manifestar. É o caso da nota publicada hoje no Jornal do Commercio:

Jacinto Silva

A loja Passa Disco (Shopping Sítio da Trindade) volta a promover eventos lançando, na próxima quinta-feira, às 20h, o CD No coração da gente: tributo a Jacinto Silva. Participam do álbum Tom Zé, Spok, Xangai, Silvério Pessoa, Maciel Melo, Isaar, Petrúcio Amorim, Aurinha do Coco, Tiago Araripe, Margareth Menezes, Josildo Sá, entre outros.


Jornal do Commercio, 23 de abril de 2010 ("Rec Beat" - Marcos Toledo)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

CD "Jacinto Silva. No coração da gente" saindo da fábrica

Contracapa do CD, projeto gráfico de Marcelo Barreto.


O disco tributo a Jacinto Silva sai da fábrica nos próximos dias. Acompanhe aqui os detalhes da produção e a repercussão na mídia.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Tributo a Jacinto Silva reúne 16 artistas em CD

Capa do CD, que tem projeto gráfico assinado por Marcelo Barreto.

Já na fábrica o CD Jacinto Silva. No coração da gente, produção da agência Link Comunicação e do Estúdio Muzak (Candeeiro Records) que valoriza a cultura pernambucana.

Confira a relação das faixas, autores e intérpretes:

01. Aboio de um vaqueiro (Jacinto Silva) – Spok

02. Aquela Rosa (Jacinto Silva) – Margareth Menezes

03. Teste para cantador (Jacinto Silva) – Jacinto Silva e Silvério Pessoa

04. Minha professora (Jacinto Silva) – Targino Gondim

05. Cante cantador (Jacinto Silva/João Silva) – Flávia Wenceslau

06. Moleque de rua (Manoel Alves/Agenor Farias) – Caju e Castanha

07. Plantação (Jacinto Silva/Janduhy Finizola) – Maciel Melo

08. É tempo de ciranda (Onildo Almeida) – Isaar França

09. Justiça Divina (Onildo Almeida) – Tiago Araripe

10. Coco de praia (Francisco Azulão/Antônio Ramos) – Flor de Cactus

11. Filosofia no forró (Manoel Alves/Tiago Duarte) – Josildo Sá

12. Pisa maneiro (Juvenal Lopes/Dilson Dória) – Xangai

13. Gírias do Norte (Jacinto Silva/Onildo Almeida) – Elba Ramalho

14. Coco do gago (Jacinto Silva) – Tom Zé

15. Imaginação (Jacinto Silva/Idevaldo Nunes Marques) – Petrúcio Amorim

16. Fonte de Luz (Jacinto Silva/José Roberto Souto Maior) – Aurinha do Coco



Para mais informações e audição de faixa-degustação, clique aqui.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Bem-vindo, 2010

Jukebox do Bar Central (Recife)












Mais um ciclo está prestes a se iniciar.

Momento de agradecer aos frequentadores deste Blog pelas 12.300 visitas e as 20.067 páginas vistas. Números modestos, mas que para mim têm especial significado. Afinal, representam a boa companhia de amigos, companheiros de jornada e pessoas interessadas em um trabalho que vem resistindo nas entrelinhas da mídia e à margem das grandes empresas fonográficas.

Novas perspectivas se abrem com 2010.

A primeira delas é a participação no CD "Jacinto Silva. No coração da gente", homenagem da agência Link Comunicação e da Candeeiro Records ao grande forrozeiro nordestino que se projetou a partir de Pernambuco.

No CD, 16 músicas selecionadas do repertório de Jacinto ganham releitura de diversos artistas. Alguns deles já tinham incluído composições do mestre do coco sincopado em seus repertórios. Outros cantam Jacinto pela primeira vez. O resultado é um painel musical rico em diversidade de arranjos e interpretações, nas vozes de Aurinha do Coco, Caju e Castanha, Elba Ramalho, Flávia Wenceslau, Flor de Cactus, Isaar França, Josildo Sá, Maciel Melo, Margareth Menezes, Petrúcio Amorim, Silvério Pessoa, Spok, Targino Gondim, Tiago Araripe, Tom Zé e Xangai.

O lançamento está previsto para o final de janeiro. Darei mais notícias oportunamente, além de mostrar a capa do projeto gráfico de Marcelo Barreto.

A todos os colaboradores, parceiros e visitantes deste Blog, um ano novo de conquistas e transformações. Saúde e paz.

Tiago Araripe