Esta é a capa do primeiro disco do Papa Poluição, feita a partir de desenho do então baixista pernambucano Bill Soares. (Bill continua morando em São Paulo, onde mantém estúdio de produção audiovisual e trabalho como artista plástico.) Da esquerda para a direita, na parte de cima: Bill Soares, Tiago Araripe, Paulinho da Costa. Na parte de baixo: Xico Carlos, José Luiz Penna e Beto Carrera.
O produtor da bolacha é o Carvalho, autor de uma música conhecidíssima, gravada por diversos artistas (inclusive Tim Maia): Canário do Reino. O acordeonista Oswaldinho teve participação especial na faixa Rola coco.
A gravadora, Chantecler, era especializada em música sertaneja. Lá conheci um compositor singular, que assina "n" canções do gênero: João Pacífico. Claro, ele já estava velhinho. Foi o primeiro brasileiro, ao que me consta, a se aposentar como compositor pelo INSS. Sua primeira música gravada antecede o primeiro samba gravado (Pelo telefone, de Sinhô). Não lembro o nome da composição sertaneja. João Pacífico é o autor de Fio de cabelo, apenas para dar um exemplo de um dos seus inúmeros sucessos. Descanse em paz, João.
Foi na porta da Chantecler que tive uma visão inesquecível: Lupicínio Rodrigues descendo de um táxi e andando, com passos arrastados a indicar o peso da idade e a debilidade da saúde, em direção à entrada da gravadora. Lupicínio deixou canções surpreendentes, como Torre de Babel. Na composição, de melodia espiralada e ascendente, ele compara um relacionamento amoroso à construção da torre bíblica. Descanse em paz, Lupicínio.
Tiago Araripe