Mostrando postagens com marcador Rede Globo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rede Globo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Pelas frestas do Festival Abertura

Presenciei cenas impagáveis nos bastidores do Festival Abertura. Aqui, algumas delas.

Ficou a cargo de Tim Maia (foto) um dos shows do evento global. Na época, Tim era adepto da Cultura Racional. Só se apresentava de branco, mostrando na mão exemplar do livro Universo em Desencanto. Acontece que usar branco ainda era tabu para os padrões técnicos da televisão de então. Estourava a fotografia, coisa assim (a TV em cores ainda era relativamente recente no Brasil).

Criou-se um impasse, já que Tim Maia não arredava pé de cantar vestido de branco. No fim, a vontade do artista venceu a limitação da tecnologia.

Outro craque que desafiava os padrões da Rede Globo era o Hermeto Pascoal. Ele concorria com a música Porco na Festa. Com um detalhe: sua apresentação incluía a participação de porcos de verdade, o que causou um rebuliço na produção do festival. Afinal, havia uma alto grau de imprevisibilidade na presença dos suínos em um festival meticulosamente planejado para nada dar errado. Presenciei Hermeto dizendo em voz alta que se os porcos ficassem de fora, ele também ficaria. Mais uma vez venceu o artista. E os porcos. Ainda bem.

Em outra ocasião, a produção marcou uma reunião com os artistas. Chegamos ao local combinado e a porta estava fechada. Ficamos esperando sentados na escadaria. Já passava do horário estabelecido quando chega Hermeto. Ao ver aquele grupo de músicos, intérpretes e compositores naquela condição precária, se dirigiu à entrada e gritou que ou abriam ou ele derrubaria a porta a cabeçadas. Abriram.

Tiago Araripe


Em tempo: Dias depois da postagem do texto acima, me deparo com versão diferente quanto ao desfecho da participação de Tim Maia no Festival Abertura. O informante é o divertido livro Vale tudo, de Nelson Motta, que narra a atribulada biografia de Tim. Segundo o autor, na realidade a Rede Globo fechou as portas para o cantor e compositor de Que beleza. Assim Tim Maia não chegou a cantar no Festival. Torci tanto pela vitória de Tim Maia no embate com a Globo que minha memória registrou esse desejo, e não realmente o que ocorreu...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Drácula no Fantástico

Dias depois do Festival Abertura (vide post anterior), estava eu pensando que estratégia adotar para poder almoçar quando batem à porta do sobradinho onde eu morava na rua Wizard. Era alguém da produção da Rede Globo. Depois de se identificar, a pessoa disparou: eu aceitaria interpretar a música Drácula no Fantástico?

Parecia algo milagroso, dada a minha condição financeira precaríssima naquele momento. Mas o que me ouvi dizer ao rapaz da Globo surpreendeu a mim mesmo: falei simplesmente que ia pensar no assunto. Daria uma resposta depois. (Eu era muito jovem, muito duro e muito metido a besta.)

Depois do pretenso charme de artista (pobre, mas artista), acertei o cachê e os detalhes da gravação do programa –aliás, receber o pagamento foi dez vezes mais difícil que cantar a música.
Para dar mais fôlego à repercussão do Abertura, a Globo preparou um quadro do Fantástico que mostraria polaridades contrastantes do Festival: a música mais popular do evento (Farofa-fá, interpretada por Mauro Celso) e a considerada mais “maldita” (Drácula, interpretada por mim).

Naturalmente, o nome do parceiro Décio Pignatari deve ter pesado na definição da pauta do programa. Acredito também que a Globo, de alguma forma, estava me dando uma segunda chance depois da minha performance afônica no Festival. Seria uma forma de reabilitar minha imagem de cantor.

Do palco ao porão

Eu e o Mauro Celso gravamos os nossos números nos porões do Teatro Municipal de São Paulo (foto). Por sinal o cenário sombrio se adeqüava mais ao tema de Drácula que ao clima festivo de Farofa-fá.

Daí em diante, Drácula seria uma constante nas apresentações do Papa Poluição: um tango em meio aos rocks, xotes, baiões e maracatus que, traduzidos em linguagem pop, marcaram a diversidade musical do grupo.

Tiago Araripe