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quinta-feira, 3 de abril de 2008

No preparo do rojão - A letra

Atendendo pedido de leitora deste Blog, publico a seguir a letra da composição No preparo do rojão - motivo de comentário dias atrás. O clima junino evocado na música me fez lembrar das bandeirolas do pintor Alfredo Volpi, de quem selecionei a serigrafia aqui reproduzida.


No preparo do rojão

(José Luiz Penna/Tiago Araripe)

Meu sertão tá em plena festa
Comemorando a chegada do São João
As bicicletas passando
No rumo da feira
E o povo no preparo do rojão
E deste lado do mapa
O céu tem estrelas
E o rock perde feio pro baião

Saltei
Por muitas fogueira
Brinquei
Com sua razão
Mexi
No tarrabufado
Pra chamar sua atenção
Como é gostoso o baião.


Pensando bem, esta composição existia bem antes de ser tocada por Oswaldinho em palcos e disco. Um dia a levei pessoalmente a Luiz Gonzaga, esperando que ele pudesse gravá-la. O velho Lua era cliente da Casa do Fazendeiro, estabelecimento comercial que meu pai mantinha no Crato, Ceará. Lá comprava equipamentos e insumos para sua fazenda no município pernambucano de Exu, onde nasceu. (Fazendo divisa entre os dois estados, a Chapada do Araripe.)

(Aliás, tenho exemplar da primeira edição de sua biografia O sanfoneiro do Riacho da Brígida, do jornalista Sinval Sá, que o próprio Lua havia dado ao meu pai. Li e recomendo.)

Com a cara e a coragem, rumei num fim de semana para Exu, mais precisamente para a casa de Luiz Gonzaga. No entanto, não o encontrei: ele estava viajando. Ficou o saldo de conhecer o lugar, uma residência ampla onde ele costumava levar muitos amigos e em cujo entorno estava construindo chalés para aluguel.
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Tiago Araripe

terça-feira, 1 de abril de 2008

No preparo do rojão

Aqui o breve registro de mais uma parceria com José Luiz Penna gravada em disco.

Estávamos em um dos ensaios freqüentes do Papa Poluição na Vila Madalena, quando recebemos a visita do Ari, baterista irmão do Oswaldinho. Ele nos fez dois convites, ambos prontamente aceitos.

Primeiro, queria uma composição para o repertório do próximo LP do versátil acordeonista. Ari portava um gravadorzinho, no qual improvisamos uma gravação caseira do baião No preparo do rojão.

O segundo convite era para que fôssemos no final de semana ao Forró do Pedro Sertanejo (pai do Ari e do Oswaldinho), no mais nordestino dos bairros de São Paulo: o Brás.

No sábado à noite o Papa Poluição estava chegando em peso no tradicional endereço de forró, quando eu e Penna tivemos uma surpresa. Justamente naquele momento Oswaldinho estava no palco executando nossa composição, com arranjo e tudo. A casa estava cheia, todo mundo dançando. Naturalmente, ouvir a música nova em folha naquele contexto tão vivo e vibrante me soou como algo especial.

No preparo do rojão se transformou também em faixa do LP Natureza (na foto, a capa), lançado pela Copacabana em 1979. (Para baixar as faixas do disco, clique aqui.) Detalhe: Oswaldinho gravou apenas a versão instrumental da música, cuja letra permanece inédita e descreve o sertanejo se preparando para a chegada do São João.

(Se alguém se interessar em conhecê-la, cartas para a redação.)

Anos depois, o mesmo Oswaldinho viria a ter brilhante participação musical em Fôlego de 7 gatos, uma das faixas do meu LP Cabelos de Sansão.

Tiago Araripe

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Papa Poluição, discografia minimalista

Esta é a capa do primeiro disco do Papa Poluição, feita a partir de desenho do então baixista pernambucano Bill Soares. (Bill continua morando em São Paulo, onde mantém estúdio de produção audiovisual e trabalho como artista plástico.)

Da esquerda para a direita, na parte de cima: Bill Soares, Tiago Araripe, Paulinho da Costa. Na parte de baixo: Xico Carlos, José Luiz Penna e Beto Carrera.

O produtor da bolacha é o Carvalho, autor de uma música conhecidíssima, gravada por diversos artistas (inclusive Tim Maia): Canário do Reino. O acordeonista Oswaldinho teve participação especial na faixa Rola coco.

A gravadora, Chantecler, era especializada em música sertaneja. Lá conheci um compositor singular, que assina "n" canções do gênero: João Pacífico. Claro, ele já estava velhinho. Foi o primeiro brasileiro, ao que me consta, a se aposentar como compositor pelo INSS. Sua primeira música gravada antecede o primeiro samba gravado (Pelo telefone, de Sinhô). Não lembro o nome da composição sertaneja. João Pacífico é o autor de Fio de cabelo, apenas para dar um exemplo de um dos seus inúmeros sucessos. Descanse em paz, João.

Foi na porta da Chantecler que tive uma visão inesquecível: Lupicínio Rodrigues descendo de um táxi e andando, com passos arrastados a indicar o peso da idade e a debilidade da saúde, em direção à entrada da gravadora. Lupicínio deixou canções surpreendentes, como Torre de Babel. Na composição, de melodia espiralada e ascendente, ele compara um relacionamento amoroso à construção da torre bíblica. Descanse em paz, Lupicínio.

Tiago Araripe