quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Com seu próprio selo, Baleiro cria acervo documental

Foto: Marcos Hermes / Divulgação

Daniel Barbosa

Zeca Baleiro está às voltas com os trabalhos de divulgação de seu novo disco de carreira, “O Coração do Homem-Bomba”, mas não descuida dos outros projetos com que se envolve em função do selo Saravá Discos, que criou em 2005. Foi por ele que lançou um disco póstumo de Sérgio Sampaio, “Cruel”, com canções inéditas, e também um álbum com dez poemas de Hilda Hilst que musicou e entregou às vozes de dez cantoras. Também é pelo Savará Discos que ele traz à tona, agora, as trilhas que compôs para espetáculos da companhia mineira 1º Ato e para a paulista Lúdica Dança. Mas na torrente de lançamentos com que Zeca está envolvido, um título que chama a atenção em particular é “Cabelos de Sansão” – único disco lançado pelo cantor e compositor cearense Tiago Araripe, em 1982.

No encarte desse álbum, que também chega ao mercado com a chancela da Saravá Discos, Zeca conta que descobriu “Cabelos de Sansão” quando era estudante universitário, movido pelo ímpeto que sempre teve de fuçar estantes em lojas de discos à cata de obras desconhecidas.

Sem economizar loas, ele aponta o referido álbum como primoroso e visionário, o que justifica o fato de, agora, ter se empenhado em seu relançamento. “Algumas daquelas canções passaram a fazer parte da minha vida, como um ‘Carinhoso’, um ‘Assum Preto’, de tal maneira que penso que um dia ainda gravarei uma delas”, escreve no texto de apresentação.

“Resolvi relançar esse disco por amizade e admiração. É um trabalho fabuloso e importante na minha história. E fiz o selo, o Saravá Discos, com essa intenção mesmo, de criar um acervo, fazer coisas com importância mais documental”, destaca Zeca. Ele conta que se tornou amigo de Araripe, que hoje atua como publicitário, vive entre Fortaleza e Recife e continua compondo. “Ele está com o projeto de fazer um segundo disco em breve, estimulado que está pelo relançamento do ‘Cabelos de Sansão’. Já temos três parcerias inéditas”, diz.

Zeca ressalta que já não tem mais o mesmo pendor para as buscas que costumava fazer em lojas de discos, mas que ainda descobre coisas interessantes e trabalhos com os quais pode acabar se envolvendo. “Já tive mais esse ímpeto (de pesquisar álbuns obscuros), mas ainda me surpreendo de vez em quando. Hoje você dificilmente não terá ouvido falar nada de um disco, por conta da profusão de informações via internet. Em Portugal, onde estive recentemente e cuja cena musical conheço menos que a daqui, gosto de comprar coisas estranhas. Há um tempo descobri um grupo muito interessante chamado Bala”, diz o músico.

Sobre outros projetos com que está às voltas, Zeca revela que está produzindo o CD de um compositor angolano, o Filipe Mukenga, e também preparando os próximos lançamentos do Saravá Discos: a trilha que fez para o espetáculo do Lúdica Dança, intitulado “Cubo”, e a reedição do último disco lançado por Sérgio Sampaio, “Sinceramente”.

Publicado no jornal O Tempo, de Belo Horizonte, em 09/09/2008

4 comentários:

Dalvinha disse...

Parabéns Baleiro.Mas eu não podia esperar outra coisa dessa pessoa sensível, culta, antenada.Por isso que sou uma fã ardorosa desse Zeca Baleiro!A quem chamo meu MUSO!
Dalvinha Costa

Carlos Rafael Dias disse...

Parabéns, Tiago. Fico orgulhoso em solidariedade a você, por ser meu conterrâneo, por ter conhecido sua família, principalmente o Leonel. Mas, guardo excelentes lembranças de Dona Eneida no pouco que convivi com ela. Agora, torço pelo relançamento de Cabelos de Sansão aqui no Crato (ou seria lançamento, mesmo) e, decerto, pelo projeto do seu segundo disco, e com as parcerias com esse cara fenomenal e fabuloso que é Zeca Baleiro!

Saravá! Axé!

Pachelly Jamacaru disse...

Tiago, recebi o CD, até te passei um email que não sei se recebeu. Estou revivendo o CD como se o ouvisse pela primeira vez! Obrigado pelo presentão!
Abraço
Pachelly

Cabelos de Sansão disse...

é sempre bom encontrá-los por aqui, dalvinha, carlos rafael e pachelly.
zeca baleiro merece cada palavra. e agradeço pela parte que me cabe.
abraço musical